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06/12/2005 | Jornal do Brasil

PFL prefere o nome de Alckmin

O movimento de Cesar Maia veio na contra-mão do partido, que teria preferências pelo nome de Geraldo Alckmin, governador de São Paulo. Isso teria gerado um constrangimento partidário e diplomático, levando a pensar que o PFL poderia ter ingerência dentro do PSDB.

Outra avaliação é de que Cesar estaria pensando em se candidatar ao governo do estado e, caso Serra fosse escolhido, reforçar o lançamento dele a governador.

- O PSDB vive uma crise de qualidade, devido a três opções de elevada estatura nacional - comentou o vice-prefeito do Rio, Otavio Leite (PSDB).

Otávio chegou a fazer elogios ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, durante evento na Associação Comercial do Rio, dia 25. O vice-prefeito, entretanto, tentou desfazer o constrangimento diante das declarações de apoio a Serra feitas por Cesar Maia:

- Ambos são grandes candidatos, inclusive o Aécio Neves. Eu apóio o candidato que meu partido escolher - disse Otavio, político.

Para a maioria das pessoas, a real estratégia de Cesar Maia permanece incógnita. Segundo aliados do prefeito no Rio, ele poderia estar contando com a escolha do prefeito José Serra como o candidato tucano à presidência e, com isso, posar de sócio preferencial de sua candidatura. Ainda de acordo com essas pessoas, não estaria passando pela cabeça de Cesar, pelo menos por hora, a vaga de vice-presidente na chapa com o PSDB.

Ao ser fiador do nome de Serra dentro do PSDB e numa eventual vitória do tucano, Cesar poderia estar de olho nos dividendos de ter um presidente da República afinado com o prefeito do Rio.

Cesar racha PFL e PSDB

Rodrigo Camarão

As declarações do prefeito do Rio, Cesar Maia, de que abriria mão de sua candidatura a presidente caso o candidato do PSDB fosse José Serra, bombardearam o PFL e balançaram o ninho tucano. Pefelistas procuraram esconder a irritação com a atitude que disseram ser pessoal do prefeito. Eles unificaram o discurso, alegando que as palavras de Cesar haviam sido distorcidas e que a candidatura própria ainda era real, com ou sem Cesar, pelo menos até março, época da definição dos nomes.

– Cesar continua candidato. Hoje (ontem) em Teresina, ele fez um discurso como pré-candidato do partido. A única coisa que Cesar disse é que seu perfil é parecido com o de José Serra – disse ao JB o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, que acrescentou:

– A segunda opção seria outro candidato do próprio partido. A terceira hipótese é uma coligação com o PSDB.

– A bancada do PFL entende que o partido tem que ter candidatura própria. Ele declarou que, se a eleição fosse agora, os candidatos do PSDB seriam mais fortes, mas em março isso poderia mudar – afirmou Rodrigo Maia, líder do PFL na Câmara e filho de Cesar.

Internamente, entretanto, a avaliação é de que Cesar Maia jogou o PFL “no colo” do PSDB e, agora, dificilmente o partido conseguiria ser convincente ao lançar um nome, qualquer que seja ele. Dentro do PSDB, a aliança com o PFL já é tida praticamente como certa e bastante bem-vinda, já que o PFL tem o terceiro tempo de TV, atrás apenas do PSDB e do PT. Mas os pefelistas não podem declarar isso abertamente, a um ano das eleições, sob pena de prejudicar a negociação de espaço na aliança.

Para evitar que disputas no PSDB ficassem ainda mais explícitas, o tucano José Serra procurou ser econômico nos comentários e agradeceu com pouca efusão aos elogios de Cesar:

– É uma opinião de um político importante. É opinião pessoal dele. Eu agradeço comentários positivos, mas isso não significa evidentemente que tenha uma candidatura lançada ou entendimento entre partidos. Não tenho expectativa de ser candidato – disse o prefeito de São Paulo durante cerimônia conjunta com o governador do estado, Geraldo Alckmin, do mesmo partido, mas que também deseja ser o escolhido.

Alckmin, por sua vez foi lacônico, sem esconder a contrariedade:

– O Serra tem dito que não é candidato. Perguntem a ele.

Terceiro pré-candidat, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, também comentou:

– Fica claro que o prefeito Cesar Maia sinaliza que o PFL apoiará uma candidatura do PSDB, mas ele sabe que há um tempo certo para essa discussão e que caberá ao PSDB escolher seu candidato que, acredito, terá o mesmo apoio e o mesmo entusiasmo do prefeito Cesar Maia, qualquer que seja a decisão.

Segundo aliados do prefeito do Rio, reeleito em primeiro turno e importante liderança do PFL no Sudeste, Cesar não cogita mais deixar a prefeitura e pretende usar o Pan-Americano de 2007 para se cacifar nacionalmente. Supostamente sabendo disso, os três pré-candidatos tucanos já estiveram no Rio para pedir apoio do prefeito.

O que teria influenciado a decisão do prefeito carioca seria a boa colocação de Serra nas pesquisas, com chances de derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, Cesar aparece nessas pesquisas atrás do ex-governador Anthony Garotinho (PMDB), o que, no estado do Rio, funciona como uma ducha de água fria para sua candidatura.

O PFL, majoritariamente, teria preferência por Alckmin. Bornhausen, entretanto, nega, reforçando a candidatura própria e que “não iria discutir candidatura dos outros”.

A estratégia de Serra, entretanto, passa exatamente por isso, segundo pefelistas. O prefeito de São Paulo procura se fortalecer, buscando apoio fora do partido, para influir na escolha de seu nome e enfraquecer Alckmin. A disputa é tão intensa que após participar de ato tucano em Aracaju, Alckmin e Serra partiram para um shopping da capital sergipana para fazer corpo-a-corpo.

Aliados de Alckmin vêem na movimentação de Cesar o dedo do vice-prefeito paulistano, Gilberto Kassab (PFL). Embora alguns tenham ressalvado que as afirmações de Maia têm caráter pessoal, e não correspondem ao pensamento da Executiva do partido, eles acreditam que Kassab tem interesse em fortalecer a pré-candidatura do prefeito de São Paulo por motivos pessoais.

Ao se licenciar do cargo para concorrer, Serra cederia o posto de prefeito da maior cidade do país ao PFL. Kassab negou:

– Não tinha conhecimento desse desejo.