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01/04/2003 | Jornal do Brasil

Pitbull mata a dona, de 72 anos, dentro de casa

Uma mulher de 72 anos foi morta ontem, por volta das 11h, por seu cão, um pitbull que há sete anos criava dentro de casa, em Vila Isabel. Foram necessários nove tiros (sete de pistola PT-40 e dois de escopeta) de policiais do 6º BPM (Tijuca) para que o cachorro, bem-tratado e de grande porte, morresse, abrindo espaço para que sua dona, Hilda Mendes de Souza, fosse socorrida.

Hilda foi levada com vida para o Hospital do Andaraí, ao meio-dia, mas não resistiu aos ferimentos e à perda de sangue e morreu. A face e o pescoço da vítima sofreram lesões graves.

Os moradores confirmaram que o rosto de Hilda ficou irreconhecível depois do ataque. Segundo eles, seus gritos desesperados por socorro podiam ser ouvidos em todo quarteirão.

- Não dá para entender como o cachorro ficou doido assim, ele gostava dela e até era calmo. O cão estava irreconhecível. O problema foi que a polícia demorou meia hora para chegar - afirmou uma vizinha.

Várias pessoas ficaram aglomerados à porta da casa de Hilda, mas Joaquim Teixeira, de 52 anos, foi o único vizinho que teve coragem de entrar para tentar ajudá-la. Segundo ele, era tarde demais.

- Peguei um cano de ferro e dei três golpes fortes no bicho. Foram dois na cabeça e um no lombo. Ele tentou me atacar, mas toda vez que chegava perto eu batia. O cachorro não a mordia mais, mas ficava rondando o corpo com uma poça de sangue em volta e não deixava ninguém chegar perto. Machuquei os braços e a testa na briga, me senti mal e pedi para sair. As autoridades têm que dar um basta nesses animais perigosos - desabafou.

A filha da vítima, segundo vizinhos, protestou junto aos policiais contra o abatimento do animal. A mulher voltou na casa por volta das 17h, para buscar um outro cachorro, mas não quis dar declarações.

Lei sobre raça não foi regulamentada

Há quatro anos, uma lei estadual para abolir os cães da raça pitbull do Rio - a partir da esterilização obrigatória dos animais - foi aprovada e espera para ser regulamentada. O autor da Lei 3205/99, deputado Carlos Minc (PT), lembra que essa é uma das poucas raças capazes de agredir os próprios donos.

Na época de criação da lei, 12 canis foram fechados, já que a proibição do comércio desses animais foi auto-regulamentada. O projeto de lei foi elaborado depois que quatro associações de defesas dos animais apelaram ao deputado.

- Outros 52 países fizeram essa lei. O pitbull foi criado geneticamente para ser o que é, um derrubador de touro, essa é a tradução literal - diz Minc.

Também na Câmara Municipal do Rio, tramita desde 2001 o Projeto de Lei nº 639/01 - do então vereador e atual deputado estadual Otavio Leite e da vereadora Leila do Flamengo - que obriga os donos de cães potencialmente perigosos, como o pitbull, a usar coleiras enforcadoras a qualquer hora do dia nas ruas e focinheiras, das 6h às 23h (a regra estende-se às 24 horas do dia em áreas públicas e condomínios). O descumprimento das habituais exigências a qualquer cão, como cadastramento, uso de coleira e proibição nas praias, sujeita o dono do cachorro a multa de R$ 150 a R$ 1.000.

- Há uma superpopulação de cães no Rio. O parâmetro indicado pela Organização Mundial de Saúde é de um animal para cada 12 habitantes. No Rio, os dados oficiais indicam haver um para cada oito habitantes, isto é, cerca de 600 mil cães - disse Otavio Leite.