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18/02/2014 | Portal do PSDB na Câmara

'A política externa da presidente Dilma Rousseff é um fiasco, com uma lamentável aproximação com regimes ditatoriais'

Tucanos criticam silêncio do Planalto sobre onda de violência na Venezuela

Por Gabriel Garcia

Deputados tucanos criticaram o silêncio da presidente Dilma Rousseff em relação ao endurecimento do regime da Venezuela contra a oposição. Nesta terça-feira (18), milhares de manifestantes invadiram as ruas de Caracas. Forças de segurança prenderem o líder da oposição Leopoldo López, acusado pelos chavistas de fomentar a agitação contra o governo de Nicolás Maduro e a violência que já matou pelo menos quatro pessoas. Enquanto o país vizinho vive dias de tensão, o Palácio do Planalto trata o tema com discrição.

Na opinião do deputado Otavio Leite (RJ), a política externa da presidente Dilma Rousseff é um fiasco, com uma lamentável aproximação com regimes ditatoriais. Segundo ele, um populista faz a Venezuela viver um verdadeiro caos. “O PT adota uma postura próxima a governos autoritários. Isso revela uma identidade. Nessas horas a gente percebe que os compromissos com a democracia não são os principais no governo Dilma”, reprovou.

Nos protestos desta terça, manifestantes vestidos de branco tentavam bloquear o tráfego nas ruas de Caracas enquanto um veículo de segurança transportava Leopoldo López depois que ele se rendeu às forças de segurança durante uma manifestação da oposição. A prisão do economista de 42 anos poderá inflamar a oposição e estimular mais manifestações de rua contra o presidente Nicolás Maduro.

Ao prestar solidariedade ao legítimo movimento da oposição venezuelana, o deputado Vaz de Lima (SP) mostrou inquietação com a situação do Brasil. Segundo ele, o PT procura uma forma de silenciar a democracia por meio do famigerado controle social da mídia, assunto que recorrentemente aparece nas rodas de discussão dos petistas.

“No momento que querem fazer controle da imprensa, controle da internet e atrapalhar a oposição de cumprir o seu papel, quando instrumentaliza sindicato e organizações não governamentais, isso mostra que não estamos num bom caminho da democracia”, avaliou.

Já o deputado Vanderlei Macris (SP) acredita que o silêncio da presidente Dilma, além de representar uma omissão, é a constatação de apoio ao regime.

Um país em frangalhos

As manifestações lideradas se multiplicaram, no maior desafio para Maduro desde sua eleição no ano passado, após a morte de Hugo Chávez. A Venezuela tem 29 milhões de habitantes e é membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Os manifestantes exigem a renúncia do líder socialista.

A lista de reclamações é extensa: inflação de mais de 50%, crise de desabastecimento, criminalidade, corrupção e escassez de produtos. Os deputados acrescentam que os problemas econômicos conduzem a Venezuela para um grave abismo social.

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse que a situação política da Venezuela desperta preocupações e demanda atenção por parte “dos democratas da América Latina”. O tucano destacou as denúncias de uma possível censura no país, que estaria afetando inclusive as redes sociais. “Os democratas precisam denunciar os verdadeiros ‘apagões de informação’ nas redes sociais e censura imposta à imprensa venezuelana, que visam impedir que o mundo acompanhe o que acontece nas ruas de Caracas”, afirmou.

Quatro mortes

Nesta semana morreu mais um estudante venezuelano que estava em manifestação contra o governo Maduro. De acordo com o jornal venezuelano El Nacional, o jovem estudante de Engenharia Naval, José Ernesto Mendez, de 17 anos, foi atropelado – propositalmente, segundo testemunhas – na noite desta segunda-feira por um veículo da companhia estatal Petróleo de Venezuela. O jovem é a quarta vítima fatal em decorrência dos protestos, que se iniciaram na semana passada. Os outros três morreram no último dia 12. Além disso, mais de 60 pessoas foram feridas pelos conflitos, de acordo com números oficiais.

Injustiça

“Hoje me apresento diante de uma Justiça injusta.”

Leopoldo López, líder oposicionista preso pelo governo da Venezuela.

Foto: Hélio Ricardo