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05/11/2014 | Portal SRZD (Sidney Rezende)

Políticos analisam rumos que Dilma Rousseff deve tomar nos próximos quatro anos

 

Por Roberto Pereira

O segundo turno das Eleições 2014 se encerraram no dia 26 de outubro, com o resultado mais acirrado desde a reabertura da democracia. A candidata Dilma Rousseff (PT) se reelegeu presidente por mais quatro anos, em meio a turbulências e denúncias de corrupção durante o primeiro mandato. Dilma irá tomar posse em janeiro de 2015 e precisa coordenar com a base aliada quais diretrizes vai tomar durante o segundo governo.

E como era de se esperar, a oposição já se articula para fazer frente ao comando da petista e confrontar as políticas econômicas apoiadas pelo Partido dos Trabalhadores. Com essa perspectiva, Dilma tem pelo caminho a responsabilidade de manter os aliados e dialogar com os adversários.

Quantos às promessas de campanha, a presidente reeleita se comprometeu em manter os programas sociais, que foram carro-chefe da propaganda eleitoral petista, e conquistar o apoio do setor empresarial e dos investidores, claramente mais favoráveis às orientações econômicas do candidato derrotado Aécio Neves (PSDB).

O SRZD conversou com as principais autoridades políticas sobre os rumos do novo mandato de Dilma Rousseff. Para o deputado federal Otavio Leite (PSDB), a futura administração da presidente será marcada pela estagnação econômica e a radicalização da militância do Partido dos Trabalhadores contra os opositores da gestão petista. O deputado teme também que a atuação da presidente afaste os investidores e diminua a arrecadação recursos financeiros.

"Do ponto de vista da postura política eu vejo o futuro governo Dilma com grande preocupação, e me baseio na radicalização que o partido dela promove insinuando a convocação de militantes às armas, mediante suas parcerias totalitárias. Sob a perspectiva econômica, Dilma é herdeira de seu próprio legado de crescimento estagnado, da administração pública repartida em feudos e da ausência de credibilidade para atração de capital e investimentos.

Em relação à reforma política que está sendo discutida, Leite afirmou ser essencial a implementação por parte do Congresso, contudo, o deputado considera inviável a consulta popular devido a dificuldades técnicas de convocação em massa da população.

"Eu acho que a reforma política é fundamental. O Congresso precisa discutir o fim da reeleição e a extinção da coligação partidária. Com essas medidas, nós sanearíamos a prática política brasileira. O Congresso tem a prerrogativa constitucional de elaborar essas propostas. No entanto, não vejo necessidade da intervenção pública, acho que o debate pode ser travado com muita abertura e transparência, sem a necessidade do plebiscito", disse Leite.

Ao ser questionado sobre os escândalos de corrupção, Otavio Leite afirmou ao SRZD que o futuro governo dará continuidade às mesmas práticas ilegais e desmoralizantes praticadas anteriormente. O deputado reiterou que a oposição tucana será forte nos próximos quatro anos.

"Quanto á corrupção acho que o governo seguirá sangrando, o horizonte nesse campo é péssimo para o governo, o 'petrolão' vai além do mensalão em termos de gravidade. O mandato da presidente terá pela frente uma sangria homeopática e permanente. A oposição do PSDB terá permanente franca e direta, cobrando as medidas que Dilma propôs e ao mesmo tempo expressando a opinião de 51 milhões de brasileiros que querem mudança", concluiu Otavio Leite.

O SRZD conversou também com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) sobre as expectativas sobre a destino do Brasil durante a administração da chefe do Poder Executivo reeleita ao Palácio do Planalto. Para Freixo, Dilma precisa estar aberta ao diálogo com a oposição e também lidar com as contradições geradas durante a gestão do PT. O deputado argumentou que a ex-ministra-chefe da Casa Civil precisa tomar parte quanto às decisões tomadas, ele declarou que não haverá possibilidade de se praticar a estratégia do "toma lá, dá cá". Freixo reforçou que ela precisa contar com apoio popular para se fortalecer e defender com firmeza suas propostas.

"O governo Dilma tem uma série de desafios pela frente e uma gama de contradições que ela terá de entrentar, e algumas ela mesma criou. Não é mais possível um governo de coalisão, que tenta unir aquilo que não se unifica. É necessário que algum nivel de enfrentamento seja feito, pois ela precisa ser corajosa na reafirmação de determinadas diretrizes. A presidente vai ter que tomar importantes decisões no que diz respeito à economia e aos direitos individuais. Não será mais possível tentar fazer um governo que possa agradar a todo mundo. É necessário que ela fique de algum lado, espero que seja do lado certo. A oposição faz parte da democracia, isso é bom, mas Dilma precisa dialogar com visões divergentes. Quanto mais ela contar com a transparência, mais aprovação da população vai ter, e ela vai precisar mais do que nunca desse apoio, até para enfrentar um Congresso mais conservador", disse o deputado.

Marcelo Freixo destacou ainda que o debate sobre a reforma política deve ser fortalecido, mas com a parcitipação da população na elaboração dos itens a serem votados. Freixo afirmou, em discordância com as ideias de Otavio Leite, que a convocação popular deve ser essencial para garantir a democracia.

"Todos os governos brasileiros foram marcados por corrupção, não é nenhuma novidade da era Dilma. A presidente precisa criar mecanismos que evitem esse tipo de desvio, como a reforma política. É necessário que se tome atitudes para além da condenação das práticas ilícitas, é preciso ser mais preventivo, e isso acontece com a implementação das reestruturações necessárias. Há um movimento contra essas mudanças porque o Congresso não quer perder, ele não quer cortar na própria carne, por isso o debate precisa ganhar as ruas, esse tema precisa ser discutido em conjunto com a sociedade. Deve haver uma ampliação e participação bastante direta da população e pode ser em forma de referendo. Acho viável e quanto mais a gente fizer referendos e prebiscitos, melhor para a democracia. Não se deve ter nenhum medo da participação popular", reforçou Marcelo Freixo.