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27/08/2009 | Jornal O Globo

Pré-sal: Bancada do Rio se divide sobre boicote de Cabral

Por Gustavo Paul e Cristiane Jungblut

Para alguns deputados, decisão do governador de boicotar evento do pré-sal é arriscada

BRASÍLIA. A maioria dos parlamentares das bancadas fluminense e capixaba no Congresso apoia a decisão dos governadores do Rio, Sérgio Cabral, e do Espírito Santo, Paulo Hartung, de boicotar a cerimônia de apresentação do marco regulatório do pré-sal, segunda-feira. Seria um protesto diante da previsão de que o novo modelo vai tirar desses estados a vantagem que hoje possuem na distribuição da riqueza da exploração do petróleo.

A palavra de ordem é marcar posição pela manutenção do repasse de royalties e participação especial do óleo extraído do pré-sal. A bancada do Rio, porém, não é unânime.

Há críticas e até ironia à postura de Cabral. O deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), líder da minoria no Congresso, elogia: — O Rio já aguardava uma posição mais explicita do governador e ele tem meu apoio.

Espero que ele não volte atrás.

O oposicionista Rodrigo Maia (DEM-RJ) também aplaude, dizendo que o governador foi pragmático: — Ele acordou, ainda que tarde, para os interesses do Rio.

O Rio defende que 40% da arrecadação conjunta das compensações incidentes no pré-sal fiquem com os estados produtores.

A decisão da bancada fluminense é se unir em defesa das receitas com petróleo. É o que diz o deputado Eduardo Cunha (PMDB), que pretende ir ao anúncio dos projetos do governo e criticou a decisão de Cabral.

— A bancada vai lutar com tudo em prol dos interesses do Rio. Não é fazendo beicinho que se vai conseguir alguma coisa.

O deputado Bernardo Ariston (PMDB), presidente da Comissão de Minas e Energia, também critica o boicote: — O gesto do governador tem um simbolismo, mas ele teria de vir para mostrar a resistência às propostas do governo.

A mesma preocupação tem o deputado Hugo Leal (PSC), coordenador da bancada fluminense.

Para ele, o governador corre o risco de dar um tiro no pé, ao desafiar Lula. (