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27/10/2010 | Correio Braziliense

Presidenciáveis encerram a temporada de debates na sexta

Por Josie Jeronimo

Quando os presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) pisarem na “arena” montada para o último debate da eleição deste ano, na noite de sexta-feira, faltarão menos de 48 horas para que o país saiba quem é o novo chefe da nação. No debate, a partir das 22h30, eleitores indecisos farão perguntas para os candidatos e a resposta do presidenciável será comentada pelo adversário. A intenção é ampliar o leque de temas debatidos, principalmente em uma eleição pautada pelo discurso religioso, pelas privatizações, pelos escândalos cercando cada candidatura e pelo passado dos dois últimos presidentes. Embora tenham pincelado suas pretensões para segurança, infraestrutura, saúde, educação e assistência social, os candidatos, nos nove encontros anteriores, um recorde na democracia brasileira, sequer tocaram em temas relevantes, como política externa, Copa do Mundo, política econômica e reforma tributária (veja quadro).

Serra e Dilma poderão circular pela arena enquanto respondem aos eleitores indecisos escolhidos pela TV Globo. A estratégia do tucano é usar parte do tempo para responder a pergunta do eleitor e a outra parte para alfinetar Dilma. A petista, por sua vez, treina para contornar possíveis incidentes com algum indeciso mais “inflamado”.

O formato do debate desagrada tucanos e petistas. Os aliados de Dilma temem que eleitores “nem tão indecisos” possam ser escolhidos para alvejar a candidata. Os aliados de Serra reclamam do horário do debate e da limitação ao confronto direto. Mas já se tornou uma espécie de tradição da emissora promover encontro direto dos candidatos com eleitores, que serão os responsáveis pelas perguntas. Para Serra, que levantava gradativamente o tom dos ataques contra Dilma, a impossibilidade de confrontar a adversária com perguntas incisivas diante da maior audiência da televisão brasileira será uma perda, sustentam aliados. “O embate direto é sempre muito esclarecedor. O mano a mano, o contato direto seria o ideal”, afirma o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ).

Os tucanos proclamam que Serra foi o vencedor de todos os debates da eleição. Os aliados do presidenciável criticam o horário dos programas. Correligionários do ex-governador afirmam que o desempenho de Serra não foi adequadamente transformado em votos, porque os eventos em “sessão coruja” espantam a classe trabalhadora, que acorda cedo e desiste de acompanhar as discussões.

“O Serra ganha de goleada. Ela não consegue iniciar e concluir um raciocínio e a dicção não é boa. É uma paçoca o que sai da boca da Dilma. Uma pena o debate não ser mais cedo. Se fosse em horário nobre, ela seria massacrada. O trabalhador não fica até esse horário acordado, vai dormir porque acorda cedo no outro dia”, pontua o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR). Otavio Leite propõe que a propaganda eleitoral gratuita reserve tempo específico para que os debates sejam transmitidos em cadeia e em “horário nobre”.

Artifício

O presidente do PT do Rio de Janeiro, deputado Luiz Sérgio, afirma que, apesar de o formato do debate da TV Globo privilegiar o eleitor, os dois candidatos usarão o artifício de reservar parte do tempo das respostas para confrontar o adversário, mesmo que indiretamente. “Os debates deveriam ter o mesmo artifício da Câmara: quando o orador muda de assunto, o presidente da Casa diz para ele retomar o tema”, resume o parlamentar.

O desempenho “assertivo” de Dilma no debate de segunda-feira deu certa segurança aos petistas sobre a capacidade da candidata em se sustentar no confronto direto com Serra. O que preocupa os aliados da presidenciável, no entanto, é o perfil dos eleitores indecisos escolhidos para fazer as perguntas. Os petistas temem que se os cidadãos tiverem alguma inclinação partidária podem causar estragos maiores do que os ocasionados por Serra.

“Fizeram isso (selecionar falsos indecisos) há quatro anos. Tem que ter credibilidade na forma de selecionar. Pode escolher um indeciso que não é indeciso. Já houve denúncia disso. Espero que se fiscalize adequadamente os mecanismos de seleção de eventuais eleitores”, defende o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP).

Temas negligenciados

Mesmo com nove chances televisionadas de discutir o futuro do país, entre primeiro e segundo turno, algumas áreas importantes ficaram à margem dos embates entre Serra e Dilma. São elas:

» Reforma política

» Reforma tributária

» Cotas raciais

» Previdência

» Funcionalismo e previdência do setor público

» Política econômica

» Planejamento para a Copa do Mundo e as Olimpíadas

» Política externa

» Erradicação do analfabetismo

» Inclusão dos beneficiados pelo Bolsa Família no mercado de trabalho