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22/05/2013 | Portal do PSDB na Câmara

Presidente da Petrobras não convence deputados sobre compra de refinaria

Presidente da Petrobras não convence deputados sobre compra de refinaria nos EUA

Por Djan Moreno

Os parlamentares do PSDB que participaram de audiência com a presidente da Petrobras, Graça Foster, nesta quarta-feira (22) não se convenceram diante dos bons números apresentados pela executiva, menos ainda sobre a compra da refinaria de Passadena, no Texas (EUA). Comprada em 2006 por mais de US$ 1 bilhão, a refinaria havia sido adquirida um ano antes por uma companhia belga por menos de US$ 50 milhões.

O líder da minoria no Congresso, deputado Antonio Imbassahy (BA), um dos autores de requerimento, afirmou que apesar do esforço em apresentar dados positivos, a presidente não convenceu. Ele destacou que desde o início do governo petista a estatal tem sofrido com resultados negativos.

“A aquisição dessa refinaria foi inacreditável e injustificável. Algo que se caracteriza como um escândalo internacional. A presidente tentou explicar, mas não trouxe convencimento para ninguém. É dinheiro público jogado pelo ralo e até com indícios de crime”, apontou.

O tucano questionou Foster sobre o posicionamento do Conselho Administrativo da Petrobras à época da compra, mas não obteve resposta. “Seria desconfortável para ela dizer que a presidente do conselho, que era a presidente Dilma, foi quem negociou e aprovou algo tão lesivo aos interesses do país”, disse.

Durante a reunião realizada por quatro comissões da Câmara, Graça Foster admitiu que não fecharia o negócio caso pudesse prever que os Estados Unidos passariam por crise logo após a compra. Apesar de não conseguir explicar a supervalorização da refinaria entre a compra pela empresa belga e a aquisição pela Petrobras, Foster descartou a hipótese de revenda e disse que a estatal brasileira deverá lucrar com a unidade nos próximos anos.

Na opinião dos parlamentares, a Petrobras não conseguiria vender a refinaria sequer pela metade do valor pago. “A oferta recebida certamente foi muito aquém daquilo que a Petrobras pagou. Essa refinaria pode valer no máximo 20% do que se pagou por ela. Ou seja, houve sim um prejuízo enorme”, destacou Imbassahy. “Ela não quer vender por uma razão muito simples: se for vender agora vai ficar configurado o tremendo prejuízo que o país teve. Essa é a verdade”, reforçou Otavio Leite (RJ).

O parlamentar do Rio de Janeiro questionou Foster sobre a morosidade na construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). As refinarias seriam parte da solução para a importação de gasolina. “As obras estão completamente atrasadas. Os equipamentos foram comprados, mas não chegam devido à rodovia, que não permite o acesso. Fiz uma série de indagações sobre os números efetivos do cronograma físico e financeiro, sobre o que é proposto e o que de fato é executado e a conclusão é que a Petrobras tem deixando muito a desejar”, lamentou.

Já Duarte Nogueira (SP) afirmou que torce para que a presidente consiga consertar os erros da gestão anterior. “A Petrobras não pode ser tratada com viés ideológico atrasado, como em anos anteriores. Ela deveria ser mais bem tratada para o bem dos brasileiros e de seus acionistas”. De acordo com o tucano, houve omissão em relação ao declínio da produção, e a autossuficiência serviu apenas para marketing eleitoral.

O tucano lembrou que, no ano passado, a estatal lucrou 36% a menos, o pior desempenho desde 2004, e teve a primeira queda de produção dos últimos oito anos, além de perder 40% do valor. “Parece surreal que uma petroleira tenha sido tão desvalorizada mesmo com toda a expectativa criada com o pré-sal”, pontuou. Segundo ele, a condução da estatal por José Gabrielli, antecessor de Graça Foster, foi marcada por equívocos, como a decisão de não dar manutenção nas plataformas para manter o ritmo de crescimento. “Uma decisão errada do ponto de vista da governança corporativa”, disse.

O deputado Carlos Roberto (SP) defendeu a criação de uma CPI para investigar a estatal e outras empresas. Ele criticou propagandas da empresa que anunciam investimentos de US$ 236 bilhões em quatro anos. “Isso é tudo propaganda do governo para iludir a população de que está tudo lindo e maravilhoso?”, questionou. Por sua vez, Luiz Fernando Machado (SP) pediu que a presidente encaminhasse relatório sobre todos os vazamentos marinhos desde 2012 e demonstrou preocupação com o aumento de derivados como diesel e gasolina, que nos últimos 12 meses subiram cerca de 22% e 15%, respectivamente.

Foto: Ascom Dep. Otavio Leite

P.s.: Esta foto não compõe originalmente a matéria do Portal do PSDB