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17/06/2015 | Globoesporte.com

Presidentes de Fla e Vasco divergem em reunião sobre MP do Futebol

Por Fabrício Marques

Começou quente o clima do encontro dos representantes dos clubes com parlamentares nesta quarta-feira, em Brasília, para discutir a MP do Futebol. Presidentes de clubes como Flamengo, Vasco, Atlético-MG e Fluminense se reuniram com o relator do texto no Congresso, deputado Otavio Leite, e outros parlamentares para apresentar uma contraproposta. Porém, os próprios dirigentes divergiram sobre o conteúdo.

Um dos primeiros a pedir a palavra na reunião, o presidente do Vasco, Eurico Miranda, defendeu o documento apresentado pelos clubes, afirmando ser uma proposta focada especificamente no refinanciamento das dívidas. Segundo ele, outros assuntos presentes na MP seriam "penduricalhos".

- A nossa proposta praticamente elimina tudo o que é penduricalho. O nosso objetivo é procurar uma maneira de resolver as dívidas. Tem refinanciamento, contrapartida, mas dentro da realidade dos clubes. Não adianta votar algo inviável - disse Eurico.

Pouco depois, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Melo, que participa há quase dois anos das discussões que originaram a MP, criticou a contraproposta levada pelos clubes. Segundo ele, seria algo muito bom do ponto de vista financeiro para os times, mas que jamais seria aceito pelo Governo, pois abriria brechas para que as dívidas não fossem pagas.

- O Flamengo não subscreve esse documento. É um documento irreal. Não tem nenhuma possibilidade de ser aprovado... Sobre essa proposta de segunda-feira, as dívidas não serão pagas nunca. A ideia é pagar o refinanciamento em 120 e 240 meses usando até 3% do faturamento. O Ministério da Fazenda participou de todas as reuniões e não existe nenhuma possibilidade de fazer o refinanciamento em cima da receita. Não adianta sonhar com algo que fosse extremamente positivo para as finanças dos clubes, mas que seria vetado (pela Presidência da República) - questionou Bandeira.

Foi então que o presidente do Vasco pediu novamente a palavra e rebateu as declarações de Bandeira. Segundo Eurico, a contraproposta apresentada pelos clubes seria algo aprovado por dirigentes da Série A, e o presidente do Flamengo estaria atrapalhando a reunião colocando uma opinião pessoal.

- Eu não vim aqui para trazer posição individual. Porque minha posição individual é de que essa MP é absolutamente inaceitável para qualquer um que milite no futebol e dirija um clube. É intervencionista. Agora, eu não trouxe minha posição pessoal. Participei de uma reunião com 20 clubes e se elaborou um documento que vim aqui para dizer que foi discutido e votado. Fica difícil se formos discutir posições pessoais. Esse documento é a posição que os clubes estão apresentando - disse Eurico.

Demonstrando irritação, Bandeira retrucou. Disse que a contraproposta não passou por nenhum tipo de votação.

- Em momento nenhum isso foi votado. Pode ser trazido como uma contribuição, mas o Flamengo tem o direito de colocar sua posição. É uma discussão construtiva, e gostaria que isso fosse registrado - disse Bandeira.

Como clima foi se acirrando, alguns parlamentares resolveram intervir na discussão. Em seguida, por sugestão do deputado Rogério Marinho, foi pedido que os jornalistas se retirassem da sala, e a reunião prosseguiu a portas fechadas.

A contraproposta apresentada pelos clubes foi elaborada após reunião realizada na última segunda-feira, na sede da CBF, no Rio de Janeiro. Insatisfeitos com o texto original da Medida Provisória e com o relatório preliminar apresentado pelo deputado Otavio Leite, os dirigentes pedem mais facilidades para pagar as dívidas e flexibilização das contrapartidas, como o fim da exigência de Certidão Negativa de Débitos (CND) para disputa de campeonatos e aumento no limite de gastos do orçamento com o futebol profissional.

O deputado Otavio Leite decidiu adiar a apresentação do seu relatório final para poder se reunir na manhã desta quarta para ouvir a posição dos clubes. Segundo o parlamentar, após o encontro, o texto será concluído e lido na comissão mista que aprecia a MP ainda na tarde desta quarta-feira.