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14/06/2011 | Jornal Lance! Net

'Procedimento padrão' da Fifa é criticado por parlamentares

Uma reportagem do jornal "Folha de S. Paulo" revelou nesta segunda-feira que a Fifa vem pressionando as cidades-sede do Mundial de 2014 para que suas parceiras sejam contratadas. A entidade minimizou, alegando se tratar de um procedimento padrão em que são informadas oportunidades de negócios. No entanto, o fato foi visto de maneira bem distinta por parlamentares brasileiros e representantes de instituições internacionais que defendem maior transparência no futebol mundial.

A maior crítica diz respeito aos efeitos que a pressão da Fifa pode causar na Lei de Licitações. Caso as cidades-sede não aceitem as "sugestões", terão de desembolsar uma quantia maior para que o produto ou serviço contratado se adeque aos padrões da entidade.

– A Fifa não é uma força internacional de intervenção no país que receberá a Copa. É descabido esse tráfico de influências e essa pressão. É negativo do ponto de vista da nossa Lei de Licitações. Por mais que a Fifa não obrigue, está induzindo as cidades-sedes a fechar esses acordos com empresas parceiras – criticou o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ).

Um dos casos revelados diz respeito à empresa de confecção de brindes ADM. Segundo apresentação feita pelo diretor de marketing da Fifa no Brasil, Jay Neuhaus, as cidades-sede que optassem por outro fornecedor teriam de pagar taxa de licenciamento de 17%.

– Tudo bem que a Fifa é uma instituição privada e tem autonomia, mas é inaceitável que suas exigências impliquem em gastos públicos mais elevados – afirmou o deputado federal Otavio Leite (PSDB-RJ).

No exterior, o caso também foi criticado. Jens Sejer Andersen, diretor do Play the Game, instituição baseada na Dinamarca que realiza estudos e congressos sobre transparência no esporte, classificou as medidas como "antiéticas".

COM A PALAVRA: Jens Sejer Andersen, Diretor do instituto Play the Game

'Nenhuma entidade pode ficar acima da lei'

A conclusão sobre essas revelações publicadas ontem é de que a Fifa aparenta fazer muito mais do que

simplesmente apresentar seus patrocinadores e parceiros. A impressão é de que a entidade coloca uma pressão muito antiética em autoridades públicas para quebrar a lei e gastar o dinheiro pago pelos contribuintes de maneira descuidada, ao seu modo.

Sinceramente, espero que os governantes brasileiros avisem a Fifa de que nenhuma pessoa ou entidade está acima da legislação no país. E que a hospitalidade do povo brasileiro não deve ser explorada dessa forma.

Fundador do movimento ChangeFIFA, que tentou até indicar um candidato à presidência da Fifa, Oliver Fowler seguiu a mesma linha:

– Qualquer coisa diferente de um processo aberto e imparcial é inaceitável e um insulto ao Brasil.

COM A PALAVRA: Oliver Fowler, Diretor do movimento virtual ChangeFIFA

'Brasileiros devem ter as mesmas chances'

Com a Fifa no meio de outro escândalo de corrupção, além de dois líderes suspensos, a confiança mundial na Fifa evaporou. O futebol mundial está preso à sarjeta. Enquanto a Fifa tentar vender tenores como especialistas em complexos casos de governança e corrupção, ninguém de lá será levado a sério.

O vitorioso fair-play da Fifa em campo deveria ser praticado fora dele. A entidade deveria ser imparcial, sem facilitar (ou mesmo aparentar) negócios referentes à Copa-14. No mínimo, a Fifa deve dar ao empresariado brasileiro a mesma chance de vencer concorrências do que qualquer outro.

Exceção

Entre os parlamentares ouvidos pelo LANCENET!, apenas um se manifestou favoravelmente à Fifa. Líder do PTB na Câmara, o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) não quis comentar o assunto, já que, na sua visão, a entidade não recebe dinheiro público, apesar dos incentivos fiscais concedidos pelo governo:

– Todos sabem que a Fifa faz da Copa do Mundo um grande negócio. E é um negócio privado. Ela é uma multinacional e faz dos seus torneios um "business". É normal. E não acho que possa opinar a respeito, já que não envolve dinheiro público. Ela pode fazer a indicação que quiser.