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29/11/2009 | Correio Braziliense

PSDB em busca de rumos

Por Denise Rothenburg

Sem saber quem será o candidato do partido à Presidência da República, tucanos já encontram problemas nos estados na confecção dos palanques regionais para 2010

A indefinição do PSDB sobre quem será o seu candidato à Presidência da República atrasou a confecção dos palanques tucanos nos mais diversos estados. No Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do país, e onde, em 2002, José Serra passou a reta final da sua campanha presidencial, os tucanos estão zonzos, sem a menor ideia de quem lançar ao governo estadual. Enquanto isso, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pode se dar ao luxo de escolher com quem desfilar — o governador-candidato Sérgio Cabral (PMDB), Lindberg Farias (PT) ou Anthony Garotinho (PR). Marina Silva, do PV, terá, no Rio, o apoio do companheiro de legenda Fernando Gabeira.

Esse cenário transformou o Rio num dos estados que hoje mais preocupam a direção nacional do PSDB. “Mas vamos resolver”, diz o presidente tucano, Sérgio Guerra (PE), que já foi ao Rio pelo menos duas vezes tratar desse assunto. “Aqui, só conseguiremos montar um palanque se houver uma parceria com o DEM e com o PPS”, diz o deputado Otavio Leite, cotado para fazer o sacrifício de sair candidato ao governo carioca num cenário pulverizado e repleto de candidatos promissores.

Se essa situação de ausência de candidato ou disputa interna ocorresse apenas no Rio de Janeiro, os tucanos poderiam até soltar foguetes. Mas a situação se repete no Amazonas, no Ceará e em Rondônia (veja quadro). No Amazonas, por exemplo, o ex-deputado Pauderney Avelino (DEM) foi chamado para uma conversa com José Serra no sentido de viabilizar um acordo com o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), candidato à reeleição que, embora seja conhecido nacionalmente, ainda não tem uma chapa estruturada para garantir a vaga no Congresso em 2010.

Em Rondônia, o PSDB está nas mãos do ex-senador Expedito Júnior, que teve o mandato cassado. Na última reunião da direção nacional do partido, em Brasília, ele defendeu a aliança com o prefeito de Ji-Paraná, José Bianco (DEM), e com o deputado Moreira Mendes (PPS). No Ceará, a sorte do PSDB está nas mãos do senador Tasso Jereissati, candidato à reeleição.

Ao mesmo tempo em que têm problemas de falta de candidatos em alguns estados, os tucanos sofrem com as brigas internas em outros. Um dos mais intrincados é São Paulo, o maior colégio eleitoral do país e berço de um dos presidenciáveis, o governador José Serra. Ali, dois secretários de Serra são pré-candidatos ao governo, Geraldo Alckmin e Aluyzio Nunes Ferreira, sendo o segundo o nome da preferência do chefe.

Nos bastidores, há quem diga que o fato de Serra não querer assumir logo uma candidatura à Presidência da República se deve ao receio de uma briga fratricida pela sua própria sucessão em São Paulo. Esperar até fevereiro ou março, avaliam alguns tucanos, dará mais tempo para que as coisas se acertem “em casa” e Serra arrume a disputa paulista sem prejudicar a candidatura presidencial.

Trégua

São Paulo, no entanto, não é o único problema tucano. No Pará, Simão Jatene e Almir Gabriel não se entendem. Na Paraíba, onde o partido tem o ex-governador Cássio Cunha Lima e o senador Cícero Lucena, foi preciso uma reunião com a presença de Serra e do governador de Minas, Aécio Neves, os dois presidenciáveis, para arrancar uma trégua. Cunha Lima, candidato ao Senado, tenta compor uma chapa com Ricardo Coutinho, do PSB, pré-candidato ao governo estadual, cargo que Lucena deseja disputar em 2010.

Como os tucanos ainda não sabem o que fará Ciro Gomes, o comando partidário pediu aos dois que mantenham a calma e evitem um embate antes da hora. Isso porque, se Ciro for candidato a presidente da República, o PSDB terá que buscar seu próprio caminho no estado, uma vez que o palanque de Coutinho estará reservado para o presidenciável socialista.

Como não é possível resolver esses problemas com a presença de Aécio e Serra todos os dias, os tucanos combinaram na semana passada com a cúpula dos democratas e do PPS que, a partir de agora, as reuniões serão semanais, para tentar fechar palanques nos 26 estados e no Distrito Federal. A ordem é resolver tudo em dezembro, ou, se não for possível, pelo menos aproveitar o espírito natalino para desarmar os ânimos onde as brigas estão dominando o cenário.

Colaborou Tiago Pariz