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01/05/2012 | Jornal O Dia

PSDB decide se vai pedir Cabral na CPI

Por Christina Nascimento

Rio - A bancada tucana que integra a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI)que vai investigar a relação do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com políticos e empresários deve formalizar hoje o requerimento sugerindo a convocação do governador Sérgio Cabral (PMDB) para ser ouvido.

A decisão vai acontecer no mesmo dia em que a comissão se reúne para traçar os planos de trabalho e recebe do Supremo Tribunal Federal (STF) os 40 volumes do inquérito aberto sobre o esquema Cachoeira. Até agora, a CPI recebeu 167 requerimentos com pedidos de convocações e quebras de sigilos bancário, fiscal e telefônico, incluindo do empresário Fernando Cavendish, amigo de Cabral que é dono da Delta Construções, e da empresa.

Segundo o deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR), que é membro titular da CPMI, o pedido para que Cabral preste esclarecimentos da sua relação com o empresário da Delta, Fernando Cavendish vai ser discutido no início da tarde com outros parlamentares do PSDB da comissão.

O partido já apresentou requerimento à CPMI para que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e o do Distrito Federal, Agnello Queiroz (PT), prestassem depoimento. “No caso do Rio, é um fato grave como aconteceu esse relacionamento com a Delta”, disse Francischini.

Para o deputado federal Otavio Leite (PSDB-RJ), é certo que o partido vai fazer o requerimento. “Existem muitas coisas envolvendo a Delta e o governador do Rio que devem ser explicadas. O difícil vai ser o pedido para ouvi-lo ser aprovado na CPMI. Há uma articulação para que isso não aconteça”, disse. Leite encaminhou ao Tribunal de Contas da União (TCU) representação sugerindo auditoria na Transcarioca, corredor de ônibus do município que estava sendo feito pela Delta.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) não descartou a necessidade de Cabral ser chamado. Mas, para ele, os suspeitos presos devem ser ouvidos antes.

Partidos seriam comprados

Gravações da Polícia Federal na Operação Monte Carlo indicam que Carlinhos Cachoeira negociava a compra de dois partidos — o PRP e o PRTB. Em reportagem publicada ontem, o jornal Folha de S. Paulo afirma que há um ano diálogos faziam referência à intenção do contraventor com relação ao PRP. Em outra conversa, na mesma época, Cachoeira falou com o sargento da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá, que sugeriu contato com o PRTB. Nas escutas não ficava claro quanto custaria cada partido, mas Dadá disse a Cachoeira que um advogado elevou o preço de R$ 200 mil para R$ 300 mil, o que deixa o bicheiro irritado: “Está roubando.”