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04/10/2016 | Jornal O Globo online

PSDB deve ficar neutro no segundo turno no Rio

Por Maria Lima e Eduardo Bresciani

BRASÍLIA — O PSDB deve ficar em posição de neutralidade no segundo turno da eleição para a prefeitura do Rio. O partido já havia descartado apoio a Marcelo Freixo (PSOL), mas também não tem maioria para apoiar Marcelo Crivella (PRB). A questão já foi discutida pelo presidente tucano, o senador Aécio Neves, com parlamentares fluminenses e caberá ao diretório no estado oficializar a posição.

— A tendência majoritária no partido é, de oficialmente, manter a neutralidade, deixando claro que o projeto do PSOL é incompatível com o do PSDB, mas os filiados ficarão livres para exercer seu voto. Nesse momento, o mais importante é garantir a unidade interna — afirmou o deputado federal Otavio Leite, presidente regional do PSDB no Rio de Janeiro, após se reunir com Aécio.

O ministro do Desenvolvimento, Marcos Pereira, que é presidente do PRB, tentou convencer Aécio a apoiar Crivella, mas não obteve sucesso. O próprio candidato disse que procuraria o senador tucano em Brasília, mas Crivella ainda está no Rio gravando programas eleitorais e não há uma confirmação de reunião dele com Aécio.

Na noite desta terça-feira Aécio declarou seu posicionamento, e disse que a legenda não se vê contemplada por nenhuma das candidaturas.

— O Freixo representa, do ponto de vista de sua visão política, a negação de tudo que o PSDB acredita. O próprio discurso feito logo após o primeiro turno, de que dedicava a vitória aos que consideravam o impeachment um golpe, nos afasta definitivamente dessa opção — disse Aécio.

Sobre Crivela, o presidente nacional do PSDB disse que conversou com dirigentes do partido no Rio e concordaram em não declarar apoio formal, por não haver identidade com sua campanha. Mas os eleitores tucanos estão liberados para fazer a melhor escolha .

— É só achismo, mas talvez por exclusão e não por opção, setores do PSDB possam apoiar Crivela — disse Aécio.

Carlos Osório, candidato do PSDB, ficou na sexta posição no primeiro turno, com 8,62% dos votos. Ele já declarou que não se sente representado por nenhum dos dois candidatos que continuam na disputa.

Um dos líderes do partido, o senador tucano Tasso Jereissatti (CE), também comentou a disputa em segundo turno na capital carioca, no almoço semanal da cúpula do PSDB.

— O Rio é a questão mais importante para o PSDB resolver. Ainda não tem solução, mas a imparcialidade é a hipótese predominante. O Osório vai ser uma voz importante — disse Tasso Jereissati.

Também nesta terça, Osorio voltou a afirmar que a liberação dos filiados no segundo turno é o melhor caminho para o partido.

— Acho que o mais adequado é seguir pela neutralidade, liberando nossos quadros. Essa é a minha tese, mas a decisão será coletiva. Até sexta-feira, haverá uma decisão do diretório municpal em consulta com a direção nacional, porque o PSDB tem seus projetos para 2018. Nosso consenso é que não há viabilidade para apoiar o PSOL pelas diferenças muito grandes de posicionamento e alinhamento político. O partido vê isso como uma impossibilidade. Acho que o mesmo vale para o Crivella. Com tanta distinção, é inviável (o apoio) — opinou Osorio.

A decisão de não apoiar o PSOL decorre pelo antagonismo das legendas no âmbito nacional. Os tucanos destacam que o partido apoiou o PT no segundo turno em 2014 contra o PSDB e ficou contra o impeachment de Dilma Rousseff até o final, inclusive com ataques aos tucanos por terem apoiado o processo.

— Somos de campos ideológicos opostos — resumiu um dirigente tucano.

ALIADO DE FREIXO MINIMIZA

O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), um dos principais articuladores da campanha de Freixo, minimizou, por sua vez, a rejeição da cúpula tucana ao candidato:

— Cada vez mais as posições formalizadas das cúpulas partidárias incidem menos sobre o eleitorado. O eleitor não precisa ser liberado porque ele já é autônomo. Acreditamos que parte dos eleitores do Osorio e do Indio da Costa podem ser captados pelas nossas propostas, independente do que decidam Aécio ou Gilberto Kassab (ministro da Ciência e Tecnologia). E nós já derrotamos a máquina do PMDB, que fez a campanha mais cara, e podemos juntar em torno do Freixo os que rejeitam Crivella.

Freixo já tinha afirmado o desejo de apresentar suas propostas a Osorio. Allencar afirmou que a discussão sobre se o impeachment foi ou não um golpe não deve ser central na campanha de Freixo — o candidato comemorou a ida ao segundo turno destacando logo na primeira frase que tinha derrotado o "governo golpista".

— Essa discussão não é da centralidade dos questionamentos de quem está disputando a prefeitura, nós vamos apresentar propostas para a cidade e atacar a corrupção na política — afirmou Alencar.