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24/06/2011 | Portal IG

PSDB planeja intervenção 'branca' em diretórios estaduais

Por Nara Alves, SP

Na tentativa de fortalecer a estrutura partidária para as eleições municipais de 2012, o PSDB fará algumas intervenções "brancas" - como classificou um tucano do diretório nacional do partido - nos diretórios estaduais. De acordo com o presidente da sigla, deputado Sérgio Guerra (PE), o Nordeste terá “tratamento especial”. Em 2010, o então candidato do PSDB à Presidência, José Serra, perdeu para a presidenta Dilma Rousseff em todos os Estados nordestinos.

“Vamos dar prioridade a um conjunto de Estados onde temos dificuldades. O Nordeste, de maneira geral, vai ter de ter um tratamento especial”, disse Guerra. Hoje, o PSDB controla 800 municípios. Para 2012, o objetivo é ultrapassar 900. “Não é uma meta, mas é possível. Vamos focar municípios com mais de 50 mil eleitores”, disse. Para isso, o diretório nacional fez uma análise Estado por Estado durante reunião com todos os diretórios em Brasília.

Em Sergipe, o PSDB enfrenta uma das situações mais complicadas. Isso porque a estrutura partidária até existe, mas quem acompanha de perto a situação do partido no Estado se queixa da “inoperância” do ex-deputado Albano Franco. Em 2010, Albano Franco se negou a integrar a coligação que apoiou Serra e se lançou candidato independente ao Senado, depois de muita negociação com a direção nacional do partido em Brasília. “Em Sergipe, o partido está muito fraco. Ainda estamos discutindo o que fazer”, disse Guerra.

No Amazonas, onde o PSDB sofreu a pior derrota nas eleições presidenciais – Dilma teve 80,5% dos votos, contra 19,5% de Serra –, a questão é mais “operacional”, segundo o presidente tucano. “O partido lá só não tem tamanho, porque girava muito em torno da popularidade de Artur Virgílio (ex-governador e ex-senador pelo PSDB), mas agora ele está em Portugal”, explicou. Desde que perdeu as eleições ao governo do Amazonas, no ano passado, Virgílio se reapresentou ao Itamaraty. Em 1976, ele passou em um concurso e passou 30 anos afastado do órgão, até que neste ano foi designado para ser diplomata em Portugal.

No Ceará, o partido perdeu força com a derrota da principal liderança tucana, o ex-governador Tasso Jereissati, ao governo do Estado. Agora, içado pelo senador Aécio Neves (MG), Tasso conquistou a presidência do Instituto Teotônio Vilela, com orçamento anual de R$ 11 milhões. Com isso, o PSDB agora precisa ajudar o ex-governador a fortalecer a oposição. A sigla fez parte do governo até 2010, quando decidiu se opor ao governador Cid Gomes. O problema é que continua agindo como situação e votou “sim” a todos os projetos apresentados pelo governador.

“Também somos muito pequenos no Rio Grande do Sul e fracos no Rio de Janeiro, mas vamos ter candidatos próprios às capitais nesses Estados”, adiantou Sérgio Guerra. Na capital fluminense, o mais cotado para disputar a prefeitura é o deputado tucano Otavio Leite. Já na capital gaúcha, o nome mais forte é o do deputado Nelson Marchezan Júnior. Nenhum dos dois tem muitas chances de vencer as disputas, mas são colocados como estratégicos para garantir o crescimento do partido nos dois Estados.