Seu browser não suporta JavaScript!

15/05/2011 | Jornal Folha de São Paulo

PSDB quer candidatura própria no Rio

Por Rodrigo Rõtzsch

Depois de perder representatividade no Congresso Nacional, na Assembleia Legislativa, nas prefeituras e câmaras municipais entre 1994 e 2010, o PSDB decidiu que o caminho para a recuperação passa por uma candidatura própria à Prefeitura do Rio no ano que vem.

Apesar de viver uma crise em São Paulo, o partido detém a hegemonia no poder do maior Estado do país. Nacionalmente, discute o melhor modelo de oposição, mas não vê ameaçada sua posição de polo anti-PT.

No Rio, no entanto, terceiro maior colégio eleitoral do país, o partido está muitas casas atrás: luta para recuperar a relevância que teve na época do ex-governador Marcello Alencar (1995-1998).

O preferido da direção do partido para concorrer à prefeitura é o deputado federal Otavio Leite, 49, nono mais votado na cidade do Rio nas últimas eleições. A vereadora Andréa Gouvêa Vieira, 11ª mais votada em 2008, também pleiteia a candidatura.

Embora defenda a candidatura de Leite, o próprio presidente estadual do PSDB, Luiz Paulo Corrêa, se mostra cético quanto às possibilidades de vitória.

"Quanto maior o número de candidatos, melhor, para levarmos as eleições para o segundo turno. Aí, no segundo turno, quem for discute as alianças", afirmou.

Nas últimas eleições na cidade e no Estado, o PSDB apostou na aliança com Fernando Gabeira (PV). Ironicamente, ele acabou derrotado por dois ex-tucanos -Eduardo Paes, na disputa pela prefeitura, e Sérgio Cabral, na corrida pelo governo. Ambos estão hoje no PMDB.

Corrêa vê a cooptação de quadros do PSDB pelo PMDB como parte da "mexicanização" da política do Estado -numa referência à hegemonia de 71 anos na política do México do PRI (Partido Revolucionário Institucional), encerrada em 2000.

"Tentam se perpetuar no poder, botar todos os partidos no mesmo barco e aniquilar a oposição", diz.

Para ele, o desafio do PSDB-RJ é conseguir capitalizar a insatisfação de grande parte da sociedade com o domínio do grupo de Cabral.

"O caminho é cada vez mais tentar adquirir quadros novos da sociedade. Pessoas que não concordem com esse projeto de perpetuação do poder que está se desenvolvendo no Estado. Um volume imenso de pessoas está discordando desse projeto. Cabe a nós tentar catalisar essas posições", afirma Corrêa.