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01/05/2012 | Jornal Folha de São Paulo online

PSDB quer convocar Cabral para depor na CPI do Cachoeira

Por Márcio Menasce

O deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR), representante do partido na CPI do Cachoeira, deve protocolar nesta quarta-feira (2) na secretaria da comissão um pedido para a convocação do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

O PSDB diz que pretende apurar uma suposta conexão entre a amizade de Cabral com o dono da Delta, Fernando Cavendish, e o aumento dos contratos entre a construtora e o Estado do Rio.

A Delta virou um dos focos da CPI devido à relação de executivos da empresa com o empresários Carlos Cachoeira, investigado pela Polícia Federal.

"Diante de tantas denúncias da íntima relação de Cavendish com o governador, a sociedade do Rio de Janeiro exige esclarecimentos", disse o deputado federal Otavio Leite (PSDB-RJ).

Desde sexta-feira, o deputado federal e ex-governador fluminense Anthony Garotinho (PR), rival político de Cabral, veicula em seu blog fotos e vídeos que mostram Cabral e parte do seu secretariado confraternizando com Cavendish em viagens à França e a Mônaco.

OUTRO LADO

A assessoria de Cabral informou que, como os trabalhos da CPI ainda não começaram, ele não vai se manifestar sobre uma possível convocação para depor.

Desde que Cabral assumiu, em 2007, a Delta recebeu do Estado R$ 1,16 bilhão, o triplo dos cinco anos anteriores. A assessoria de Cabral afirma que a cifra se deve ao aumento dos investimentos no seu governo e que, proporcionalmente, a Delta recebeu 7,98% do total investido, menos do que os 8,07% pagos à empresa no governo de Rosinha (2003-2007), mulher de Garotinho.

O governador também disse em nota que nunca negou sua amizade com Cavendish e que não tinha conhecimento de que a Delta fizesse negócios com Cachoeira.

TRANSCARIOCA

Otavio Leite, que é pré-candidato à Prefeitura do Rio, disse que já pediu ao Tribunal de Contas da União uma auditoria das contas da Delta na construção da linha expressa de ônibus Transcarioca, que ligará a Barra da Tijuca (zona oeste) ao aeroporto do Galeão (zona norte).

A Delta deixou na semana passada o consórcio responsável pela primeira fase da obra, contratada pela prefeitura por R$ 795 milhões. A Transcarioca é financiada em 70% pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), daí o pedido ao tribunal de contas federal.