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20/01/2014 | Portal do PSDB na Câmara

Queda no apoio ao governo no Congresso mostra falta de sintonia da presidente com a sociedade

Por Gabriel Garcia

Mesmo com uma ampla base aliada, a presidente Dilma Rousseff não conseguiu transferir o apoio para as votações no Congresso. A petista sofreu importantes derrotas no ano passado, sobretudo quando a população foi às ruas reivindicar melhores condições de serviços básicos, como saúde, segurança e educação. Para o deputado Otavio Leite (RJ), a queda na adesão de parlamentares da base às propostas do Palácio do Planalto mostra que o governo não está sintonizado com os interesses da sociedade brasileira.

“O deputado jamais votará contra a sociedade. Quando ele vota contra o Executivo, é porque a proposta do governo era contra a população. A queda no apoio à presidente é a revelação mais nítida de que a administração Dilma está distante dos interesses da sociedade brasileira”, afirmou o tucano.

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Na edição desta segunda-feira (20), o “Estado de S. Paulo” mostrou que o governo da presidente Dilma Rousseff sofreu 11 derrotas em 37 votações na Câmara dos Deputados no segundo semestre do ano passado. Crescente, o número surpreende. A petista perdeu apenas três vezes em 2011, cinco vezes em 2012 e outras cinco no primeiro semestre de 2013. A onda de derrotas sucedeu os protestos nas ruas que derrubaram a popularidade de Dilma.

Outro dado chama atenção. O núcleo duro governista – aqueles parlamentares que votam com Dilma em pelo menos 90% das vezes – caiu de 306 deputados em 2011 para 134 em 2012 e fechou o ano passado com apenas 123 (72% deles são do PT). Segundo o jornal, o resultado revela que a presidente só pode contar mesmo com o voto de 1 em cada 4 deputados.

Na opinião de Otavio Leite, as derrotas mostram que o Planalto não sabe negociar e que envolve pouco o Legislativo nas decisões. “Para poder esclarecer os objetivos, a dimensão e o alcance de cada projeto, é preciso ter dialogo, interlocução e transparência. Uma vontade de exercício da prática democrática. Isso a gente não observa no governo Dilma”, criticou.

Para o professor da Fundação Getúlio Vargas Cláudio Couto, o “desgaste” na relação de Dilma com os aliados explica parte das derrotas sofridas pelo Planalto. “Quando fica claro que a conduta ruim do governo não vai se alterar, as pessoas votam contra”, disse em entrevista ao “Estadão”.

Os partidos aliados que mais traíram foram o PSD e PSB, este último já em fase de afastamento do Planalto por causa do projeto presidencial do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Além dessas duas legendas, os peemedebistas também contribuíram para o resultado negativo. O PMDB preside a Câmara e determina o que e quando será votado.

De acordo com a reportagem, o PSD votou contra o governo na apreciação das propostas de extinção da multa sobre o FGTS a ser paga pelos empregadores em caso de demissão, na criação do programa Mais Médicos, no apoio da proibição de o BNDES conceder empréstimos subsidiados em fusões ou aquisições de empresas e nas votações da dívida dos municípios e dos royalties do petróleo.