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08/12/2011 | Agência Estado/ Portal R7

R7: Sócio de Pimentel deixa cargo na Prefeitura de BH

O sócio do ministro Fernando Pimentel na empresa P-21 Consultoria e Projetos, Otílio Prado, deixou nesta quinta-feira (8) o cargo que ocupava na Prefeitura de Belo Horizonte. O pedido de demissão foi aceito pelo prefeito da capital mineira, Márcio Lacerda (PSB).

Prado disse que, com sua decisão, pretende evitar “constrangimento indevido” à administração municipal. Lacerda teria pressionado o funcionário a deixar a função de assessor para tentar blindar sua gestão das denúncias sobre os serviços prestados pela empresa de consultoria mantida pelo ministro do Desenvolvimento.

Oficialmente, no entanto, a decisão de deixar o cargo na administração municipal foi do próprio sócio de Pimentel.

Reportagens publicadas pelo jornal O Globo nos últimos dias sugeriram tráfico de influência da consultoria do ministro e afirmaram que Pimentel faturou pelo menos R$ 2 milhões com sua empresa entre 2009 e 2010.

Um aliado relata que Prado se sentiu especialmente atingido quando foi divulgada a informação de que uma empresa de seu filho, Gustavo Prado, seria uma das clientes da P-21 e teria recebido dinheiro da construtora HAP Engenharia, que tem contratos com a Prefeitura de Belo Horizonte.

A carta de demissão foi enviada na tarde de hoje a Lacerda, mas a exoneração só deve ser concretizada nesta sexta-feira (9), pois hoje é feriado municipal na capital mineira.

No texto, Prado avalia que “inexiste incompatibilidade” entre o cargo exercido na prefeitura e sua participação na P-21. Mesmo assim, pede para deixar o cargo.

“Não quero de nenhuma forma criar constrangimento indevido à figura do prefeito (...) e tampouco causar prejuízo à imagem desta administração e também à figura do ministro Fernando Pimentel”, afirma a carta.

O agora ex-assessor alega que tinha participação discreta na sociedade e que “toda a atividade da empresa P-21” era exercida por Pimentel, pois os serviços abrangiam “questões afetas à expertise detida pelo atual ministro”.

O sócio de Pimentel confirma que contribuiu apenas com o capital da empresa até novembro de 2010, quando passou a ser sócio-gerente da P-21. Nesse momento, no entanto, a empresa já se encontrava inativa, segundo Prado.

Oposição

Também hoje, o líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Duarte Nogueira (SP), protocolou no Coaf (Conselho Administrativo de Controle das Atividades Financeiras) um pedido de informações sobre as transações feitas por Pimentel e pela P-21.

No ofício encaminhado ao presidente do Coaf, Antonio Gustavo Rodrigues, o tucano pergunta se existem no conselho registro de ocorrências suspeitas, atípicas ou investigações em andamento relativas às transações bancárias efetuadas, nos anos de 2009 e 2010, pelo ministro ou por sua empresa.

Além disso, o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ) apresentou requerimento na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara para tentar levar o ministro à Casa. A oposição cobra explicações.

No início da tarde, Pimentel se reuniu a sós com a presidente Dilma Rousseff durante dez minutos para prestar novos esclarecimentos sobre as denúncias.

A presidente não quer que as acusações fiquem sem resposta. O crescente desgaste do ministro, que é amigo pessoal de Dilma, já preocupa o Palácio do Planalto. Ainda assim, auxiliares da presidente insistem em dizer que ele continua desfrutando de sua confiança.