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12/06/2017 | Jornal O Estado de São Paulo online

Reação nas redes sociais é trunfo dos contrários a Temer

Por Gilberto Amendola e Pedro Venceslau

As reação nas redes sociais à decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de absolver a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer virou um novo argumento para tucanos que defendem a ruptura com o governo. Esse é o caso do deputado federal Otavio Leite (PSDB-RJ). “A frustração da sociedade diante da decisão do TSE precisa ser considerada. É preciso lembrar que um partido necessita, cada vez mais, estar próximo do espírito e valores do povo que representa.” 

Para o sócio da Bites (empresa de análise de dados), Manuel Fernandes, a reação das redes sociais foi de “aplausos ao ministro Herman Benjamin” e de “condenação” ao ministro Gilmar Mendes. “Isso mostrou um posicionamento claro em relação ao lado da maioria dos usuários de redes sociais”, disse.

O deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) não acredita. “Acho que a repercussão do resultado do julgamento do TSE apenas vai reforçar as posições já tomadas. Não muda a minha, que acho que devemos deixar os ministérios.”

Questionado sobre a pressão das redes sociais, o prefeito João Doria, que tem quase 3 milhões de seguidores no Facebook, disse: “Vamos ver a medida disso amanhã (segunda). Estou indo para Brasília com o governador Geraldo Alckmin para participar de debates sobre a questão. É melhor a gente esperar a reunião e saber em que medida a repercussão impactou ou não”. O prefeito não tocou no assunto em suas contas de Twitter ou Facebook.

Para Fernandes, em tese, a reação virtual ao TSE pode influenciar. “A pressão exercida pelas redes pode ser muito efetiva. Deputados e senadores estão muito expostos a esse tipo de reação do eleitorado. Eles não estavam acostumados a essa relação mais direta. Em alguns casos, a reação das redes pode surtir efeito, sim.”

‘Cabeças pretas’
A defesa mais enfática pelo rompimento com Temer será feita hoje pelos “cabeças pretas”, os tucanos mais novos. O grupo, formado sobretudo por deputados, é o que mais pressiona pelo desembarque. Eles temem que a impopularidade de Temer contamine o PSDB nas eleições de 2018.

Praticamente todos os diretórios estaduais fizeram plenárias acaloradas e alguns, como São Paulo, Rio e Rio Grande do Sul, se rebelaram formalmente. “A maioria da base em São Paulo apoia o rompimento total da relação com o governo Temer. Vou para Brasília dizer isso. Defenderei a tese de São Paulo, que é pela saída total”, disse o deputado estadual Pedro Tobias, presidente do PSDB paulista.