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25/03/2006 | Jornal do Brasil

Reunião en petit comité para Alckmin

NEM O PRESTÍGIO da filha de JK, Maria Estela Lopes, foi capaz de convencer a Rede Globo a ceder antecipadamente o último capítulo do seriado sobre o ex-presidente, na véspera da sua apresentação. O empenho era para permitir que Maria Estela assistisse às cenas finais da minissérie ao lado do presidenciável Geraldo Alckmin, em casa do vice-prefeito Otavio Leite, na passagem do governador de São Paulo pelo Rio na noite de quinta-feira... FOI UMA REUNIÃO en petit comité, em torno de Alckmin e da TV de plasma da sala onde todos assistiram ao seriado. Petit mesmo, pois cabia numa única gaiola a quantidade de tucanos presentes: Marcello Alencar, tucano mor do Estado, com Célia; Luiz Paulo Corrêa da Rocha com Márcia; Márcio Fortes e, naturalmente, Rodrigo Lopes com Maria Estela. Noves fora todos eles, estavam presentes apenas as famílias de Otavio e Ângela, nossos anfitriões, e alguns poucos, pouquíssimos, jornalistas, o que deu oportunidade a todos de conversarem com o governador e sentirem o pulso de sua campanha que vem aí... CIENTE DE QUE o povo está cansado dos embates políticos e das disputas partidárias, Alckmin deverá concentrar seus esforços numa proposta desenvolvimentista de governo (e o vínculo com a memória de JK, que estava sendo estabelecido naquela noite, é mais do que conveniente). Mas quando pergunto como utilizará na campanha episódios como o do caseiro, ele reforça seu ar de seriedade e compara o caso a arbitrariedades só cometidas durante a ditadura: ´´Não há dúvida de que a discussão ética deverá ser priorizada na campanha. O povo está sedento de ética´´... ´´CARENTE TAMBÉM está o Rio de Janeiro, relegado sempre ao último plano pelos governos paulistas que se sucedem, com seus paulistérios´´, rebate a colunista, querendo saber das expectativas do Rio num futuro governo Alckmin. A seriedade vira sorriso, sorriso contido, pois Alckmin não é de rir muito, e ele diz: ´´Tenho grande afinidade com o povo fluminense. Sou de Pindamonhangaba, cidade banhada pelo Paraíba do Sul, o mesmo rio que banha o Rio de Janeiro´´. E retorna ao discurso desenvolvimentista em âmbito nacional... FOI UM JANTAR com bufê volante. Gostosuras em capítulos, porções pequenas e saborosíssimas, assinadas pelo chef Giancarlo, nome-patrimônio gastronômico da jovem história da Barra da Tijuca. Ângela e nosso vice-prefeito Otavio recebem de modo descontraído, agradável e fraterno, enquanto os filhos pequenos passeiam pela sala, vestidos com a camisa do Mengão. Uma jovem família harmoniosa. A casa é bonita, de bom gosto e sem pretensão, num belo condomínio do Itanhangá, com holofotes de lâmpadas verdes sobre o bosque de bananeiras ao fundo, margeando um rio que passa ruidoso. Bonito demais... PARA QUEM tem ouvido bom, a pescaria é farta em reunião política, em véspera de campanha. No meu balaio, a féria foi boa. 1) O provável nome tucano para o Senado é uma mulher: ninguém menos do que Maria Estela Kubitscheck. Ronaldo Cezar Coelho quer muito a legenda, mas a sensibilidade de banqueiro que demonstrou à frente da Secretaria de Saúde queimou-lhe o filme... 2) CESAR MAIA, expectativa do partido para o Governo do Estado, não quer largar o osso da prefeitura para seu vice Otavio Leite. Osso mesmo, pois a situação financeira em que se encontra a cidade é osso duro de roer... 3) OS TUCANOS não pretendem mesmo aceitar o nome de Eider Dantas, que Cesar propõe... 4) RODRIGO MAIA, franco-atirador, lança-se na pretensão de ser o candidato a governador do Estado, na aliança tucana-pefelê, apesar de não contar com o apoio nem do pai. Pretensioso demais, consideram alguns do PSDB... 5) MÁRCIO FORTES seria outro nome para o Palácio Guanabara. Mas a próxima cirurgia de glaucoma, à qual vai se submeter depois de já ter feito uma, preocupa próceres do partido... 6) LUIZ PAULO Corrêa da Rocha seria um nome a cogitar, porém não demonstrou desejo nesse sentido. Outro nome, David Zylbersztajn, ex-genro de FHC, é citado como muito bem preparado. Com visibilidade zero, contudo... OS TUCANOS arrepiam as asas, alongam os bicos, dão voltas e não chegam a um acordo. Em se tratando de um nome para o Governo do Rio, se não for Cesar, o vôo do PSDB ainda é cego...