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06/12/2010 | Jornal Monitor Mercantil digital

Rio negocia derrota restrita na guerra dos royalties

Durante a campanha eleitoral, o senador Marcelo Crivella foi bastante cuidadoso ao tratar dos royalties. Disse que, diante da força da campanha contra a atual divisão, o ideal seria manter o sistema para áreas já licitadas e, para as futuras, negociar uma perda honrosa. Algo similar foi declarado a esta coluna pelo deputado Otavio Leite (PSDB-RJ). "Diante da escalada contrária, de enormes dimensões, o objetivo da bancada fluminense é o de evitar perda maior. O ideal seria deixar o tema morrer por agora, para ser reiniciado, sob novas bases, a partir de janeiro", afirmou Leite. O primeiro a dar a idéia que prejudica o Estado do Rio foi Lula. E o principal partido de oposição, o PSDB, também se regozijou com a derrota de fluminenses e capixabas. O líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida (BA), afirmou: "É uma vitória sobre a boçalidade do governo. É uma mensagem que a Câmara dos Deputados e a sociedade desejam discutir a destinação da exploração do pré-sal", comemorou.

Segundo Otavio Leite, a guerra não é entre situação e oposição, mas regional. No fundo, é todo o Brasil contra Rio e Espírito Santo. Lula promete vetar a redivisão, mas sua sucessora, Dilma, com certeza não vai querer brigar com a maioria dos estados por muito tempo. Para o tucano Leite, o PSDB tomou posição contra o modelo de partilha, pois preferia o atual, de concessão. Sobre a possível compensação, por verba federal - a ser rejeitada por Lula - Leite acentua que o mecanismo é problemático, pois receber valores da União é algo subjetivo, complicado e nada seguro - conforme demonstrado nas restituições da Lei Kandir.

O resultado da votação, na última quarta-feira, na Câmara, foi mais uma vez massacrante. E, se não for mudado, implicará perda anual de R$ 7 bilhões para o Rio. Na campanha, Sérgio Cabral deu muita ajuda a Lula e Dilma. Mas, no pós-campanha, Cabral mostrou que exerce uma influência apenas moderada sobre a cúpula do PMDB. Já Dilma depende principalmente de Michel Temer e do grupo que comanda o PMDB para poder governar em paz e não tanto do apoio de Cabral.

A hora de Aécio

Em conversa com a coluna, Otavio Leite afirmou que, após a derrota nas eleições presidenciais, é hora de reorganização, redefinição de parâmetros, rearticulação e de criação de nova comunicação com a sociedade. Quanto à liderança da oposição, afirma que é hora de Aécio Neves. Perguntado sobre se Aécio iria concorrer em 2014 contra Dilma - candidata à reeleição - ou Lula - que estaria sedento por voltar ao poder - o deputado deu resposta inesperada:

- Talvez contra os dois.

Com isso, levanta a hipótese de que, nos próximos quatro anos, Dilma e sua turma poderão não querer ceder espaço para o retorno de Lula ao poder. No caso do Irã, Dilma já criticou a diplomacia de Lula-Celso Amorim-Marco Aurélio Garcia.