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22/09/2003 | Jornal O Globo

Rio terá disputa entre os donos das máquinas

Cesar tenta a reeleição na prefeitura, Conde tem o apoio de Rosinha e Bittar conta com a força do governo Lula

A sucessão municipal no Rio, se confirmados os candidatos lançados até agora, será marcada pela disputa de máquinas de governo. O prefeito Cesar Maia (PFL) tentará a reeleição confrontando-se com o candidato do PT e o vice-governador e ex-prefeito Luiz Paulo Conde, pré-candidato do PMDB apoiado pela governadora Rosinha Matheus e pelo secretário de Segurança, Anthony Garotinho.

O deputado federal Jorge Bittar, que disputará uma prévia com o também deputado Chico Alencar, surge como o nome mais forte entre os petistas por ter o apoio do governo federal e das correntes que dominam os diretórios municipal e regional.

Bittar: “Garotinho é apenas uma facção do PMDB”

Desde já, uma aliança começa a ser costurada entre petistas e peemedebistas. A visão predominante na cúpula dos dois partidos é a de que Cesar, com a máquina municipal, é nome quase certo no segundo turno. A preocupação é manter as portas abertas para uma aliança contra o prefeito, o adversário comum. Nem mesmo a recente filiação ao PMDB de Garotinho e Rosinha, inimigos dos petistas fluminenses, é obstáculo a essa estratégia.

— Nacionalmente, o PT tem uma relação fraterna com o PMDB, que é uma federação de grupos. Garotinho é apenas uma facção. Não vamos confundi-lo com o resto do partido — diz Bittar.

Chico defende um arco de alianças restrito a partidos de esquerda, mas, assim como Bittar, diz que Cesar é o adversário mais forte. No PMDB, essa também é a opinião dominante.

— Essa é uma eleição para dois turnos e ganha quem conseguir se compor no primeiro. Cesar tem mais chances de estar no segundo turno. Como não sabemos quem vai com ele, é bom fazer um acordo com o PT antes — diz o presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Picciani.

Ex-aliado e atual adversário de Cesar, Conde deixa claro quem é seu alvo preferencial.

— Eu prefiro disputar o segundo turno contra Cesar Maia — resume o ex-prefeito.

Outro nome cogitado para a disputa é o do senador Marcelo Crivella (PL), que ano passado elegeu-se com 3,2 milhões de votos. Presidente regional do partido, o deputado Bispo Rodrigues afirma que o PL lançará candidatura própria e escolherá entre o seu próprio nome e o de Crivella.

A reviravolta ocorrida no PMDB nos últimos dois meses mudou o panorama da sucessão. Até então, Cesar estava aliado ao senador Sérgio Cabral Filho, pré-candidato do PMDB ao governo estadual. Em troca do apoio a Cesar, Sérgio indicara nomes para o secretariado da prefeitura e recebera a garantia de que seria apoiado pelo prefeito em 2006.

Proposta de Cesar Maia rachou o PSDB do Rio

As filiações de Garotinho e Rosinha sepultaram esse acordo. Conde tornou-se o pré-candidato do PMDB, partido que se consolidou como a grande força regional. Pelos cálculos do líder do PMDB na Assembléia, Paulo Melo, o partido, que administrava 12 prefeituras no estado, passou a ter 45 com a entrada dos prefeitos que seguiram Garotinho e Rosinha.

— Com Conde e Sérgio Cabral, também somos fortes na capital. Antes, Cesar podia até ganhar no primeiro turno. Agora o quadro mudou radicalmente — diz Melo.

Cesar agora tenta uma aliança com o PSDB. Procurou o ex-governador Marcello Alencar e ofereceu ao partido a Secretaria municipal de Desenvolvimento Social, hoje ocupada por Wagner Siqueira, ligado a Cabral.

A oferta dividiu o PSDB. Um grupo majoritário, em que se destacam Marcello, o ex-senador Artur da Távola e o secretário municipal de Saúde, Ronaldo Cezar Coelho, defende a aliança. Nesse caso, os tucanos indicariam o candidato a vice. Outros tucanos, como a deputada federal Denise Frossard e o deputado estadual Otavio Leite, querem candidatura própria.