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01/10/2010 | Portal Terra

RJ: morador de rua "entrevista" Gabeira na Cinelândia

O candidato do PV ao governo do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, disse nesta sexta-feira (1) que o aluguel de imóveis antigos para moradia provisória poderia ser um paliativo para a situação dos moradores de rua que, só na capital, chegam a quase cinco mil, segundo a prefeitura. Ele também afirmou que pretende disponibilizar educadores à população de rua, após ser questionado sobre este assunto por Bruno Moraes, de 21 anos, há dois vivendo entre as travessas da Cinelândia, onde o candidato verde encerrava uma caminhada pelo centro.

"Quero saber o que o senhor pretende fazer pela população de rua", perguntou Bruno, descalço. "Quero botar gente para ficar com vocês na rua, educador, para vocês aprenderem as coisas na rua, até... saltar fora. Eu vivi num País, muito longe daqui (refindo-se à Suécia, onde se exilou), onde o governo alugava hotéis velhos pra as pessoas (de rua) ficarem morando e irem se preparando até poder saltar fora", respondeu Gabeira.

Bruno, que estudou até o primeiro ano do ensino médio, contou ter saído de casa, em Bangu (zona oeste) por "problemas de família" que não especificou, após, segundo ele, ter tentado, sem sucesso, diversos concursos para as Forças Armadas. Ele disse já ter ido a um abrigo da prefeitura, mas optado por voltar.

"Fui para Santa Cruz (zona oeste), mas como o abrigo era perto do Antares (conjunto habitacional dominado pelo tráfico), rolou uma confusãozinha, porrada, eu resolvi voltar. Melhor ficar na rua do que naquele abrigo, mais sujo que a rua", afirmou Bruno, antes de ir pegar uma quentinha de sobras em um restaurante da Cinelândia.

O ex-governador Anthony Garotinho (PR) tentou, em seu governo, algo parecido, com um hotel popular, por R$ 1 a pernoite, na Central do Brasil, mas ele acabou fechado.

Candidato repete "volta olímpica" pelo centro

Como em 2008, quando ficou em segundo lugar na eleição para prefeito do Rio de Janeiro, Gabeira fez a "volta olímpica" no centro em sua última sexta-feira de campanha no primeiro turno. Naquela ocasião, ele acabou indo para o segundo turno, perdendo por cerca de 50 mil votos - entre 4,5 milhões de eleitores - para Eduardo Paes (PMDB). Agora em 2010, com todas as pesquisas apontando reeleição do governador Sérgio Cabral (PMDB) já no primeiro turno, Gabeira procurou ser otimista, dizendo a uma simpatizante que "a diferença já está melhorando nas pesquisas", mas negou qualquer tipo de superstição.

"Cada eleição é uma eleição. A avenida Rio Branco é eterna, eu faço esse trajeto há 50 anos", lembrou, após sair do Largo da Carioca passando pela rua Uruguaiana até o Camelódromo, entrar na avenida Presidente Vargas e seguir pela Rio Branco até a Cinelândia. Lá, ele sentou numa bancada improvisada para falar com eleitores, junto com o candidato a senador Marcelo Cerqueira (PPS) e os candidatos a deputado estadual Caie Assan (PV) e Paulo Pinheiro (PPS), além dos candidatos à reeleição como estadual Luiz Paulo e Otavio Leite, ambos do PSDB.

Mesmo com as pesquisas apontando poucas chances de segundo turno no Rio, Gabeira afirmou ter conseguido "fazer o trabalho da oposição, que é desmontar o discurso do governo e também apresentar propostas. Mostramos que o Rio de Janeiro não está bem na área da saúde, dos transportes e da educação, em que é o penúltimo no ranking do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb, elaborado pelo MEC)".

O oposicionista admitiu "algumas dificuldades" na campanha. "Para começar, não tivemos dinheiro", afirmou. A falta de dinheiro em relação a campanhas de candidatos governistas era visível na Cinelândia, onde o comitê de Gabeira contrastava com mais de 100 cabos eleitorais com bandeiras dos candidatos a senador Lindberg Farias e a deputado federal Vladimir Palmeira, ambos do PT. "Mas os cabos eleitorais deles vieram declarar voto em mim, o que é uma coisa boa", disse, rindo, Gabeira, após tirar foto com duas mulheres e pouco antes de ser interrompido para ouvir a declaração de voto de um homem - os três com camisas de campanha do PT, que apoia Cabral.

"Não acho legal usar cabo eleitoral assim pro cara ficar segurando uma bandeira. Não acho eficaz, não acho que ninguém vai votar em você porque você botou uma placa", afirmou.