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21/01/2015 | Jornal O Dia

Santo com a cara do Rio de Janeiro

Por Leandro Resende

Rio - Na abertura das comemorações pelo dia do padroeiro da cidade, o arcebispo do Rio, cardeal Dom Orani Tempesta, comparou os cariocas a São Sebastião, durante a corrida em homenagem ao santo, no Aterro do Flamengo. “O carioca se parece com São Sebastião porque não desanima e acredita sempre.” 

Após a corrida, vencida pelo mineiro Giovani dos Santos, de 33 anos, Dom Orani celebrou missa na Paróquia de São Sebastião dos Frades Capuchinhos, na Tijuca, e assinou decreto que eleva a igreja para santuário arquidiocesano. “A Igreja tem acolhido devotos não só da Tijuca, mas também recebe peregrinos de todos os lugares”, disse no texto lido na celebração, que destacava ainda o fato de os restos mortais do fundador do Rio de Janeiro, Estácio de Sá, estarem guardados no local. 

Presente à cerimônia, o prefeito Eduardo Paes anunciou a criação da Medalha 1 º de Março e do Livro de Heróis e Heroínas da cidade, duas iniciativas em homenagem aos 450 anos do Rio. A medalha será entregue para pessoas que tenham prestado bons serviços aos cariocas, e no livro constarão os nomes de personagens que fazem parte da história do município. Hoje será publicado no Diário Oficial decreto que reconhece a Igreja dos Capuchinhos como “de especial valor afetivo” para a cidade. 

“No dia primeiro de março, aniversário do Rio, vamos anunciar os nomes que serão condecorados para o livro da nossa cidade, que é cheia de heróis e heroínas”, afirmou Paes, que estava acompanhado do secretário estadual de Transportes Carlos Roberto Osório, do vereador Reimont (PT) e dos deputados federais Pedro Paulo (PMDB) e Otavio Leite (PSDB). “São Sebastião supera dificuldades, é a cara do carioca”, acrescentou Paes.

Beatificação de Guido

Dom Orani também destacou as celebrações pelos 450 anos da cidade que acontecerão no Rio. “O ano já começou especial com uma mensagem do Papa no Réveillon de Copacabana e ainda teremos muitos eventos especiais ao longo deste ano.”

Após a missa na Igreja dos Capuchinhos, que reuniu centenas de pessoas, os restos mortais de Guido Schäffer, seminarista, médico e surfista morto em 2009, aos 34 anos, foram levados para Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. Os restos de Schäffer, cujo processo de beatificação começou no último sábado, ficarão em Ipanema, onde espera-se a peregrinação de fiéis.

Guido mais perto do mar 

Os amigos de Guido Schäffer contam que ele gostava de surfar principalmente porque se sentia em contato com Deus. Lembranças como esta vieram à tona ontem, quando os restos mortais do surfista, médico e seminarista foram colocados na Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, a duas quadras de uma das praias que ele amou em vida. Morto aos 34 anos num afogamento na praia do Recreio, em 2009, às vésperas de se tornar padre, Guido Schäffer está em processo de beatificação. 

Sobre os braços dos amigos, a urna com os restos mortais de Guido saiu da Igreja dos Capuchinhos em carreata num carro do Corpo dos Bombeiros. Ladeado por pranchas de surfe, numa delas lia-se a inscrição “Jesus is the best wave”, que, em português, significa “Jesus é a melhor onda”. “Tenho certeza de que se o Guido estivesse aqui, estaria dizendo isso. Trouxemos as pranchas para lembrar que era sobre elas que ele se sentia mais perto de Deus”, contou o amigo Ricardo Bretas, de 35 anos. 

Mãe de Guido, Maria Nazareth, 63, estava muito emocionada. “É um momento de muita gratidão a Deus. Mais gente vai ter as preces atendidas pelo meu filho. Eu peço e sou atendida na hora, mas mãe é mãe né,” brincou.

Milhares de fiéis acompanharam procissão

O sol escaldante não impediu que milhares de cariocas acompanhassem a procissão de São Sebastião na tarde de ontem. Recém restaurada, a imagem do santo deixou pela primeira vez em 15 anos a Paróquia de São Sebastião dos Frades Capuchinhos, na Tijuca, e foi levada até a Catedral Metropolitana, no Centro. 

Quando a procissão chegou em frente à Catedral Metropolitana, as atrizes Glória Pires, Cissa Guimarães e Rosa Maria Murtinho leram trechos de poesias em um palco montado na Avenida Chile. Após a encenação de uma versão de Auto de São Sebastião com atores e bailarinos, o arcebispo celebrou uma missa aos fiéis, encerrando as festividades. 

Além dos cariocas, pessoas do Brasil inteiro vieram para ver de perto a imagem do santo. Vestidas em trajes especiais, a diarista Conceição de Maria, 51, e sua filha Sulma Janes, 32, deixaram o Maranhão, como fazem há três décadas. “Ela nasceu quase morta em um hospital em frente à Igreja de São Sebastião. Eu gritei para o santo trazer a minha filha de volta, e na mesma hora ela começou a chorar. A gente sempre vem agradecer”, afirmou a mãe, emocionada. 

Antes de rezar a missa, Dom Orani ressaltou que a Arquidiocese do Rio reforçará seu papel em projetos sociais. “Temos responsabilidade do povo de deus que aqui habita e deseja ver a cidade cada vez melhor e em paz”, disse.