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03/09/2013 | Portal G1

Senador boliviano não comparece à sessão de comissão da Câmara

Por Fabiano Costa

O senador boliviano Roger Pinto Molina, que fugiu para o Brasil com auxílio de um diplomata brasileiro, não compareceu nesta terça-feira (3) à sessão da Comissão de Segurança da Câmara para prestar esclarecimentos sobre a operação que o trouxe ao Brasil. O parlamentar da Bolívia enviou ao Legislativo seu advogado, Fernando Tibúrcio, que se limitou a ler uma nota oficial explicando os motivos da ausência de Molina.

Pinto Molina saiu no final de semana do dia 24 de agosto da embaixada do Brasil em La Paz, na Bolívia, sem salvo-conduto da Bolívia e autorização do governo brasileiro, e chegou a Brasília na madrugada de domingo. O senador boliviano responde a cerca de 20 processos, quatro por corrupção, e foi condenado pela justiça boliviana. Pinto Molina se diz perseguido político do governo Evo Morales e vivia como asilado na embaixada brasileira havia mais de um ano.

A vinda de Molina ao Brasil, em um carro oficial da embaixada, foi organizada pelo encarregado de negócios, diplomata Eduardo Saboia, que foi afastado do cargo.

No texto, o advogado alega que "fatores de ordem conjuntural, que serão oportunamente esclarecidos" levaram o cliente dele a pedir o adiamento da audiência pública. Segundo Tibúrcio, ele irá conceder uma entrevista coletiva nos próximos dias para falar sobre a situação do senador que faz oposição ao governo Evo Moralles.

“O senador Roger Pinto Molina manifesta o seu profundo respeito aos seus pares, deputados e senadores brasileiros, e reitera que estará sempre à disposição do Congresso Nacional”, diz a nota.

O presidente da Comissão de Segurança, Otavio Leite (PSDB-RJ), um dos autores do requerimento de convocação do senador, disse que não se trata de um cancelamento da audiência, e sim de um adiamento. O deputado disse acreditar na presença de Molina futuramente. “Não podemos obrigá-lo. É uma decisão de foro íntimo dele”, afirmou.

Otavio Leite disse ainda que esteve há pouco tempo com o Pinto Molina e que o boliviano está “muito abalado, muito preocupado”. O senador quer, segundo relatou Leite, “que o seu caso seja examinado em definitivo pelo governo brasileiro”.

“Há uma solicitação de refúgio político, de asilo territorial e, portanto, espero que o governo brasileiro mantenha o mínimo de coerência de 450 dias atrás, quando, na oportunidade, ofereceu e concedeu asilo diplomático ao senador Molina”, afirmou o deputado.

Na visão de Otavio Leite, o senador boliviano tem sofrido pressões do Palácio do Planalto para não se manifestar sobre o caso.

“Não tenho dúvidas de que o senador sofreu pressões muito agudas. Certamente, da parte do governo”, enfatizou.

O diplomata Eduardo Sabóia, que organizou a fuga de Molina ao Brasil, aguarda o momento “adequado” para comparecer à Câmara, segundo disse Leite.

Goiás

Mais cedo, o advogado Tibúrcio disse ao G1 que Pinto Molina passou o final de semana em Goiás para "descansar" e ficar afastado de "turbulência política".

"Acho que a viagem aconteceu por duas coisas: efetivamente contato com a natureza e descanso. Ele está bem de saúde, mas está numa fase que não é bom toda essa turbulência. E ele também viajou para que a presença dele não crie maior turbulência política", afirmou.

Tibúrcio também disse que o senador quer encontrar a família, que não vê a mais de um ano, mas que também avalia a situação. "A família está no Acre, que faz fronteira com a Bolívia. O local não é recomendado ao senador por questões de segurança", disse o advogado.