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29/10/2003 | Jornal O Dia

Será que agora o dinheiro sai?

Alerj aprova as contas das gestões de Garotinho e Benedita, e Rosinha se encontra hoje com José Dirceu para tratar da liberação de verbas

Quase ao mesmo tempo em que a governadora Rosinha e o marido, Anthony Garotinho, faziam mais uma peregrinação por Brasília em busca de dinheiro para o estado, a Assembléia Legislativa (Alerj) aprovava, por 50 votos a oito, as contas do ano passado, relativas às gestões de Garotinho e da petista Benedita da Silva. A aprovação estaria atrelada à liberação, pelo Governo federal do PT, de R$ 400 milhões de Títulos do Tesouro para o estado. A verba seria usada para pagar o 13º salário atrasado.

Mesmo com o resultado, que contrariou parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que pedia a reprovação das contas, Rosinha só conseguiu adiar outra vez a decisão do Governo. O casal Garotinho ficou de tentar resolver o problema hoje com o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, em Brasília.

Ontem, sem conseguir se encontrar com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o casal recorreu ao vice-presidente José Alencar, que telefonou para Palocci. O ministro passou a questão para Dirceu, que concordou em receber a governadora às 18h.

Alerj derruba destaques para aprovar contas

Deputados peemedebistas e petistas votaram juntos pela aprovação das contas e ajudaram a derrubar dois destaques apresentados pela oposição. O líder do PSDB, Otavio Leite, pediu a rejeição das contas. O pedetista Paulo Ramos, a separação das duas gestões. Foram derrotados. Durante a votação, Otavio Leite se referiu ao acordo que teria sido firmado entre os governos federal e estadual. “Esperamos que o Governo federal esteja liberando os R$ 400 milhões neste momento”, afirmou Otavio Leite. O líder do PFL, Dica, foi enfático: “Vamos avisar ao Governo federal que libere os R$ 400 milhões, que a mutreta já foi armada”, disparou.

Mesmo ouvindo as manifestações, o presidente da Alerj, Jorge Picciani (PMDB), negou que haja relação entre a votação e a liberação de dinheiro. “Não achamos que isso gere obrigação, mas é um gesto político de quem quer resolver as coisas e defender o povo do Rio”, disse.

Apesar da aprovação das contas, Rosinha estava mais retraída em relação a outras visitas a Brasília. Ela apenas disse que, apesar de mais esse adiamento, está otimista quanto à liberação dos recursos até sábado, quando Lula embarca para a África. “Existe o compromisso do presidente”, frisou. “Acho que o Governo vai refletir e mudar sua atitude com relação ao Rio. Nem na ditadura houve tanta discriminação”, disse o líder do governo na Alerj, Noel de Carvalho.

Relator do TCE responsável pelo parecer que rejeitou as contas do ano passado, o conselheiro Marco Antônio Alencar, que apontou rombo de R$ 2 bilhões, disse que não comentaria o assunto. “Isso eu não posso comentar. Quem pode comentar é o povo”, desconversou Marco Antonio.