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02/05/2012 | Jornal Monitor Mercantil digital

Sérgio Cabral pode ser convocado para depor na CPI do Cachoeira

Após o vazamento das fotos em que o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), aparece em confraternização com Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, o deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR), representante do partido na CPI do Cachoeira, deve protocolar nesta quarta-feira um pedido para a convocação do peemedebista. A intenção, segundo o PSDB, é apurar qual a relação entre Cabral e Cavendish e o aumento de contratos entre a Delta e o Estado do Rio.

- Diante de tantas denúncias da íntima relação de Cavendish com o governador, a sociedade do Rio de Janeiro exige esclarecimentos - disse o deputado federal Otavio Leite (PSDB-RJ).

A assessoria de Cabral afirma que não vai se manifestar sobre uma possível convocação para que o governador preste depoimentos, pois os trabalhos da CPI ainda nem começaram, e que os gastos do governo com a construtora foram proporcionais ao aumento de investimentos no governo.

As imagens da confraternização foram publicadas pelo deputado federal e ex-governador fluminense Anthony Garotinho em seu blog.

Toda a documentação das operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal, foram entregues hoje (2) ao presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), por dois oficiais de Justiça. No ofício encaminhado ao Congresso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a CPMI compartilhar os documentos com o Conselho de Ética do Senado e com as comissões de sindicância da Câmara.

O conselho já tinha requerido os documentos, no total nove volumes, para embasar as investigações de envolvimento do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) com o esquema de Carlinhos Cachoeira. Na Câmara, os deputados também apuram se houve envolvimento de parlamentares neste esquema investigado pela Polícia Federal.

Logo após serem entregues ao Congresso, Vital do Rêgo determinou que os documentos fossem lacrados no cofre da comissão de inquérito. Às 14h30, o parlamentar entregará aos deputados e senadores integrantes da CPMI uma cartilha detalhando os direitos de acesso aos documentos garantidos pelo Regimento Interno. Na mesma reunião, o relator Odair Cunha (PT-MG) detalhará seu plano de trabalho. Ele preferiu não adiantar detalhes.

Gurgel rejeita convite para prestar esclarecimentos

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, rejeitou convite para prestar esclarecimentos à CPMI.

O convite foi feito na manhã de hoje (2) pelo presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), e pelo relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), que querem que o procurador-geral conceda explicações sobre as operações Vegas e Monte Carlo da Polícia Federal. Durante o encontro, o procurador-geral da República fez uma síntese do andamento das investigações.

Em nota divulgada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Gurgel alegou que um depoimento seu à comissão “poderá futuramente torná-lo impedido para atuar nos inquéritos em curso e ações penais subseqüentes”. Ele também garantiu que o Ministério Público Federal “não se furtará a investigar quem quer que seja”.

Gurgel voltou a explicar os motivos que retardaram o pedido de abertura de inquérito no STF, já que recebeu as primeiras informações sobre o envolvimento de políticos com Cachoeira ainda em 2009. Segundo o procurador, os dados iniciais eram insuficientes e os indícios mais robustos chegaram apenas com a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. O material completo dessas apurações foi encaminhado à PGR pela Justiça Federal em Goiás no início de março.

“Esse material reunia indícios suficientes relacionados a pessoas com prerrogativa de foro e, assim, menos de 20 dias depois, em 27 de março, o procurador-geral da República requereu a instauração de inquérito no STF, anexando tudo o que recebeu nas duas oportunidades. (Operações Las Vegas e Monte Carlo)”, diz a nota.

De acordo com Gurgel, cabe ao Ministério Público Federal definir os rumos e estratégias da investigação. Ele também explicou aos parlamentares que o material do inquérito é muito vasto e está sendo analisado com o devido critério e a necessária prioridade.