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20/04/2010 | Agência Câmara

Temer ressalta interiorização do poder nos 50 anos de Brasília

O papel dos parlamentares na mudança da capital federal para Brasília foi destacada, nesta terça-feira, em sessão solene em homenagem aos 50 anos da cidade e da transferência do Congresso Nacional.

O presidente da Câmara, Michel Temer, lembrou que a construção de Brasília foi marcada por debates e críticas, mas que, no Congresso da época, prevaleceu a necessidade de descentralizar o poder no Brasil.

“A ideia da descentralização está ligada à de integração, porque um dos fundamentos básicos da transferência da capital foi a integração de todo o País. Saímos da área litorânea, sempre charmosa, para o interior do Brasil, para fazer com que todos pudessem participar das questões governamentais do nosso País”, disse Temer.

Patriotismo

O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), um dos parlamentares que sugeriu a homenagem, também reconheceu o “patriotismo” dos integrantes do Congresso Nacional da época da construção de Brasília. “Imaginem o que representou para os deputados e os senadores, que moravam no Rio de Janeiro, com todo o conforto, à beira do mar, tomar a decisão estratégica de mudar o Congresso Nacional para o interior, a mais de mil quilômetros do litoral. Foi um gesto de grande patriotismo tomado pelo então Congresso, que integrou o Brasil”, disse o deputado. Rollemberg também homenageou os brasileiros que vieram de todas as regiões para construir a nova capital.

Em nome do PSDB, o deputado Otavio Leite (RJ) disse que a decisão de Juscelino Kubitschek de construir Brasília consagrou a vontade expressa diversas vezes na Constituição de mudar a capital para o Planalto Central. Ele lembrou, no entanto, que várias instituições continuaram sediadas no Rio de Janeiro e que se mantém vigilante para que elas não sejam transferidas para Brasília.

Autonomia – prós e contras

A cidade também recebeu críticas na sessão solene. O deputado Paulo Delgado (PT-MG) disse que Brasília se desvirtuou de sua função ao se transformar em capital do Distrito Federal, e não do Brasil. Em sua opinião, a cidade virou as costas para a Nação, quando deveria abrir mão de direitos especiais para ser a capital de todos os brasileiros. Ele lembrou ainda que, em 1987, durante a Assembleia Constituinte, posicionou-se contrariamente à autonomia política do Distrito Federal.

Para o deputado suplente Osório Adriano (DEM-DF), que também sugeriu a sessão solene, a autonomia política de Brasília é fundamental, e a cidade não deve ser governada por interventores nomeados pelo presidente da República, como era antes da Constituição de 1988. “Tancredo Neves dizia que Brasília era uma cidade cassada, porque não tínhamos o sagrado direito de eleger os nossos governantes”, disse.