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13/09/2012 | Jornal Folha Dirigida

Teremos plano de cargos para todos os servidores, diz Leite à Folha Dirigida

Otavio Leite: "Teremos plano de cargos para todos os servidores"

Por Fernanda Xavier

Entre as inovações na sua plataforma de governo, o candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro Otavio Leite, do PSDB, aponta a lotação de dois professores em cada sala de aula da alfabetização, o que resultará em concurso imediato para 2 mil vagas; a vinculação da saúde pública às faculdades, eliminando as organizações sociais das atividades-fim; e a instalação, por meio de parceria público-privada, do primeiro curso de Medicina na Zona Oeste, subordinado ao Hospital Pedro II. Também na agenda do tucano estão, entre outros, concursos para a área administrativa da Guarda Municipal e para turismólogo da Riotur. Otavio Leite é favorável ao regime estatutário, mas defende uma legislação que permita o afastamento mais rápido dos servidores relapsos, além de prometer plano de cargos e salários para todas as categorias do funcionalismo.

Para o candidato, ser eleito prefeito do Rio de Janeiro significa a oportunidade de lutar por uma qualidade de vida melhor para todos os cidadãos. "A prefeitura tem que ser o reflexo da sociedade à qual se destina." Para assistir a entrevista clique aqui.

FOLHA DIRIGIDA - Por que deseja ser prefeito do Rio de Janeiro, uma cidade cujos problemas são proporcionais à sua beleza e fama?

Otavio Leite - O sonho alimenta a alma e as vontades das pessoas. Eu, de fato, tenho sim um desejo muito sincero de poder intervir diretamente na vida da cidade, olhando para as pessoas e gerando uma série de medidas e providências, fazendo um governo que vai humanizar esta cidade. Eu não nasci no Rio, mas vim morar aqui com dois anos de idade. A minha formação é toda no Rio. Aqui eu me criei, estudei, me casei, aqui nasceram meus filhos e fui eleito três vezes vereador, fui deputado estadual, vice-prefeito e estou no meu segundo mandato de deputado federal. Portanto, tudo que aprendi, tudo de que participei, tudo que de alguma forma incorporei à minha consciência, vou procurar somar ao meu suor e me dedicar por esta cidade. Eu quero ser prefeito para transformar a realidade e redirecionar o rumo das ações de investimento público nesta cidade, então, em linhas muito conceituais, são esses os fundamentos que me animam a ser prefeito do Rio. Ter uma caneta com tinta para botar para quebrar.

Quais são seus principais projetos para valorizar o servidor público municipal? Os servidores do Rio são bem remunerados?

O que faz a prefeitura funcionar é o servidor. Eu sou partidário da seguinte proposta, que vai ser sempre trabalhada com muita transparência: houve aumento real na arrecadação, automaticamente o servidor público fará jus a uma parcela desse aumento real. Ele contribuiu para isso. A cidade tem que ter Plano de Cargos e Salários em todos os setores e, para isso, é indispensável que o governo tome essa decisão política de prestigiar os servidores públicos. Essa garantia os servidores podem ter do meu governo. Agora, há alguns problemas que são nós que precisam ser desatados no campo dos servidores. Estou muito preocupado com o empréstimo consignado. É uma farra. Há um quantitativo significativo de servidores asfixiados por conta do consignado. Hoje não tem licitação para consignado. É só a instituição financeira se credenciar e ponto final. Nós vamos fazer licitação. Logo, ganhará a licitação aquela empresa que oferecer menor juros para os servidores que quitarem dívidas.

Qual a sua posição sobre as contratações via ONGs, fundações de apoio e cooperativas? Na sua administração, todas as vagas nas atividades-fim do serviço público serão ocupadas por concursados? Qual a vantagem disso?

Eu acho que nas atividades-fim, é inevitável isso. É preciso que sejam servidores, para que eles tenham um compromisso social. O médico, o professor, nós vamos fazer concurso. A atividade-meio não. Não vejo essa necessidade, você pode organizar muito melhor situações administrativas em hospitais sem precisar fazer concurso público, tendo mais agilidade. Mas o médico está ali e ele tem que ser alguém que tenha passado por um concurso público. Essa é a nossa proposta.

Quais são os seus planos para a Educação e que medidas pretende adotar para melhorar a qualidade do ensino da rede municipal? É preciso começar do início fazendo o certo. Como?

Creche, pré-escolar e alfabetização. Nascem 75 mil crianças por ano nesta cidade. Teríamos, portanto, uma demanda de 200 mil vagas em creche e a prefeitura oferece apenas 28% atualmente. Há um déficit muito grande. No pré-escolar, etapa indispensável para crianças entre 4 e 5 anos, ingredientes cognitivos e pedagógicos já se fazem muito necessários para que o aluno possa se projetar para a alfabetização com alguma musculatura já em termos de conteúdo já desenvolvido. A prefeitura, infelizmente, não oferece as vagas. Mais da metade dos jovens nessa faixa etária não está em classe de pré-escola, essa é a verdade. Nós vamos, seja na creche ou na alfabetização, universalizar, oferecer vagas para isso. A alfabetização, como eu disse, é o divisor de águas. Nesse, nós vamos mexer a estrutura com um todo. Vamos colocar dois professores em cada sala de aula de alfabetização. Hoje, a professora sozinha não segura a barra de uma sala com 30 ou 35 alunos. Então a Educação fica muito precária e reproduz esse sistema que eu disse no início, de evoluções insatisfatórias. E aí o que acontece? O governo acaba tendo que criar aulas de reforço e classes de aceleração. Se a gente corrigir esse problema, não será mais necessário investir tanto em recuperar tempo perdido. Então, duas professoras em sala de aula é viável. São 2 mil novas professoras que têm que ser contratadas, é algo extremamente adequável ao orçamento da cidade e essa é a nossa proposta. Duas professoras em sala de aula na alfabetização. Vai funcionar. Nós vamos, portanto, ter um início do processo de educação sólido. Aí entra um detalhe muito mais importante, que tem a ver com a prática democrática maior: democracia, oportunidades iguais para todos. Nessa linha de partida para a vida, que é a etapa primeira da educação infantil, o poder público não pode falhar. Tem que ser oferecido para todos, independentemente de classe social. As condições de entrar para a vida o máximo em pé de igualdade. A linha de chegada de cada um eu não sei, mas na linha de partida o poder público não pode falhar.Então, nós vamos radicalizar na educação infantil. Com duas professoras em salas de aula na alfabetização, universalização da creche e do pré-escolar, acho que nós temos um futuro muito promissor para a Educação no Rio de Janeiro.

Há planos para expansão do número de unidades, especialmente nas áreas onde há maior demanda de alunos?

Eu acho fundamental isso. Sobretudo, para a educação infantil, para creche e pré-escolar, que serão as minhas prioridades para que tenhamos universalização. Significa dizer oferta assegurada para todas as crianças que estejam nessa faixa etária de 0 a 3 anos (creche) e de 4 a 5 anos (pré-escolar).

O senhor disse que lotará duas professoras por sala de aula, na alfabetização. Nesse caso, sua gestão já começaria com um concurso para professores?

Imediatamente. Essa já é uma boa notícia. Vamos treinar esses professores, quero professor especializado em alfabetização, quero que as crianças tenham essa etapa garantida, sem a qual nada no futuro vai funcionar. Essa é uma questão básica, a pirâmide e sua base têm que funcionar, tem que ser estruturalmente sólida. Do contrário, é a política do remendo, que se reproduz constantemente, de tapar o buraco, e não é isso que a gente quer. Queremos que funcione certo do início, e aí, com duas professoras em sala de aula, tenho certeza de que vamos ter um novo horizonte para a Educação na cidade. Vamos, portanto, em consequência disso, já no primeiro ano, contratar 2 mil professores para alfabetização. O concurso será convergido para alfabetização e os interessados deverão ter nível superior completo.

A Prefeitura do Rio suspendeu um concurso para auxiliar de creche, pois a escolaridade do cargo está sendo questionada pelo Ministério Público. Atualmente, a exigência é o nível fundamental, mas o MP defende que as vagas sejam para professores. No entanto, para o Sepe, a escolaridade não deveria ser alterada, pois o que ocorre hoje em dia é desvio de função. Caso o problema não seja solucionado pela atual gestão, o senhor pretende abrir o concurso com exigência de nível fundamental ou vai alterar a lei que criou o cargo para nível médio/normal, formação de professores?

O que a lei prevê nem sempre é possível, dada nossa realidade e nosso estágio de desenvolvimento. O Brasil é primeiro e terceiro do mundo ao mesmo tempo, de modo que no campo educacional temos certas fragilidades, até porque há muitas faculdades de Pedagogia precárias. Se você faz um concurso com ensino médio com um nível de rigor mais acentuado, às vezes até pessoas que passaram pelo ensino superior não passam no concurso. Pretendo dialogar com o Ministério Público, ver qual é a saída melhor para essa questão. Aí eu diria que é óbvio que é melhor termos professoras que se formaram em cursos de Pedagogia dando aula na educação infantil. Na creche, não vejo tanta necessidade, mas no pré-escolar, vejo.

Quais são seus projetos para a área de Saúde? O que pode ser feito para reduzir o sofrimento dos pacientes e melhorar as condições de trabalho dos servidores?

Qualquer pesquisa que se faça identifica na Saúde o principal dos problemas. E entre eles o mais grave é a falta de médicos. A nossa proposta é revolucionária nesse ponto. É uma nova proposta. É o que há de novo nesta cidade, nesta eleição e no campo da Saúde. Para plantar a semente que pode resolver permanentemente o drama da falta de médicos é preciso implantar uma proposta nossa. Logo no início, vamos decretar que a rede municipal de saúde passará a ser rede municipal de saúde e de ensino. Nós vamos agregar todas as faculdades de Medicina existentes na cidade (são seis) na estrutura de Saúde pública. Isso tem uma série de consequências. Primeiro: vamos permitir que os internos dos dois últimos anos tenham muito mais oferta de fazer os seus plantões e sua prática da Medicina dentro da área pública, com um professor, orientador ou preceptor. Não significa colocar estudante para atender ninguém, significa formar novos médicos futuros. Para o médico residente já formado, vamos fazer no Rio de Janeiro a melhor residência do país em termos de categoria e de qualidade, o que vai, num primeiro momento, ajudar a preencher uma lacuna de ausência de médicos na rede pública. O médico residente já está formado, ele apenas se especializa em uma área. É preciso oferecer a ele um salário muito melhor. Ele tem uma bolsa, e nós queremos dobrar essa bolsa. Em áreas mais longínquas, como na Zona Oeste, por assim dizer, vamos organizar uma estrutura para que ele tenha mais condições de se fixar no local. Flats e oportunidades para ele tranquilamente ali permanecer por dois ou três dias, e produzir e aprender, estando lotado em uma unidade que muitas vezes não tem médico. Esse é que é o drama, não ter médico. É difícil lotar um médico lá. Agora, um médico do município que queira exercer o papel de orientador preceptor, esse vai receber uma gratificação. Com isso, vamos avançar muito em termos de movimentar a estrutura da saúde pública, mas não para aí. Nós temos, de Deodoro a Santa Cruz, uma população na ordem de 1 milhão e 700 mil pessoas. Não há cidade no Brasil e no mundo com essa população que não tenha uma faculdade de Medicina. Então, vamos implantar, através de uma PPP, a primeira faculdade de Medicina da Zona Oeste do Rio, vinculada a um hospital da rede, o Pedro II. Essa faculdade será um polo agregador dos alunos da própria região.

Atualmente, a Prefeitura do Rio vem preterindo a realização de concurso para área de Saúde e a contratação de servidores, pelo regime estatutário, para selecionar pessoal por meio de organizações sociais (OSs), já que o regime de contratação é a CLT. Caso seja eleito, qual será a sua postura? Pretende abrir concursos periódicos para estatutários nos hospitais da rede?

As organizações sociais foram estabelecidas em São Paulo com outra retaguarda, com outro formato. Atrás de cada OS que funciona em São Paulo, e lá funciona, há uma instituição muito forte. Um Hospital Sírio-Libanês, um Einstein, uma faculdade de Medicina, e por aí vai. Aqui, não. Aqui as OSs foram feitas quase que em botequim, quase que num arranjo para poder ser o caminho de contratação terceirizada sem os critérios acadêmicos, sem os critérios e rigores necessários. E mais do que isso: o próprio Tribunal de Contas do Município identificou o superfaturamento e uma série de problemas do ponto de vista dos gastos. Então, o que eu entendo? Entendo que a atividade-fim (médico, enfermeiro) precisa ter concursados, pois eles têm que ter mais que aptidão para exercer o papel, eles têm que ter compromisso com a cidade, e para isso precisam ser bem remunerados. Não tem o menor cabimento um médico ganhar R$1.500 e um médico da OS, R$9 mil. É querer sepultar o que existe. São 7 mil médicos na cidade, 4 mil são estatutários, 2 mil são de OSs e mil vêm do governo federal, através de convênios. A nossa ideia é fazer concurso público e usar a terceirização só para onde for necessário, e não como um pressuposto da ação de governo. Vamos alterar o que está aí.

Além da Saúde e da Educação, em que outras áreas da administração o senhor já detectou carência de pessoal? Haverá concursos para esses setores no seu governo? Carência de pessoal?

Não são poucas as áreas em que falta pessoal. Atualmente existe um drama muito sério, que é Engenharia de Tráfego. Se tivéssemos mais engenheiros de tráfego, muitas soluções poderiam ser implantadas de maneira inteligente. A Engenharia de Tráfego tem que ser para toda a cidade, e hoje ela é basicamente destinada a pedaço da Zona Norte em direção à Zona Sul, e olhe lá. Isso está errado. Esse é um plano. Por exemplo, vamos ampliar os profissionais, o capital humano que atua na Engenharia de Tráfego na cidade. Essa é uma área que eu acho fundamental para que as pessoas tenham minimizadas essas dramáticas situações do dia a dia do transporte. As pessoas sofrem com demoras absurdas entre o deslocamento da casa para o trabalho. Então, vejo isso como um bom exemplo. Outro exemplo seria na área do Turismo. A Riotur tem que fazer um concurso para turismólogo imediatamente, para ter um corpo de profissionais que atue em políticas públicas de turismo. Esse é um campo ao qual também vou me dedicar.

O Rio sediará nos próximos anos eventos de grande porte, entre eles a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Nesse constexto, quais os seus planos para a Guarda Municipal, cujo efetivo é considerado defasado por muita gente? A realização de concursos periódicos para a corporação faz parte do seu programa de governo?

Primeiro, pretendo melhorar o efetivo que existe. O guarda municipal, imediatamente, vai ter a oportunidade de ter o acesso a um financiamento da casa própria. Ao fazer um concurso, no instante em que ele assina a posse, é indispensável que seja oferecido a ele, imediatamente, um financiamento da casa própria. Esse é um ponto. É preciso prestigiar o guarda municipal, que ganha muito pouco, hoje. É óbvio que o aumento do contingente sempre é necessário, porque pessoas se aposentam, deixam a Guarda, e também novas demandas aparecem. A Copa do Mundo e as Olimpíadas são duas delas, mas também nesses dois grandes eventos, o governo federal e o governo do estado participam diretamente. Logo, vamos ampliar dentro dos limites que sejam adequados. Antes de tudo, vamos melhorar o guarda que já existe.

A Guarda Municipal jamais fez concurso para a área administrativa, contrariando a lei que a transformou em estatutuária. Isso será sanado na sua administração?

Isso é um absurdo e uma vergonha. Eu acompanho esse caso não é de hoje: 2 mil vagas que são anunciadas todas as semanas nos jornais, que serão oferecidas para a parte administrativa da Guarda, e o concurso não é realizado. Isso significa dizer que existem guardas que deveriam estar nas ruas e hoje estão em uma atividade de administração, o que é um equívoco. Nós vamos fazer o concurso, sim. Em todos os concursos na cidade, haverá vagas para candidatos que tenham deficiência. Aliás, essa é uma lei de minha autoria, quando eu fui vereador lá atrás, e ela tem de certa maneira produzido bons efeitos. Nós vamos ampliar o percentual das cotas para pessoas com deficiência em todos os setores. Esse é um campo que faz da prefeitura um importante agente de inclusão social. Em geral, o profissional com deficiência é alguém muito responsável, com índices de produtividade bons e elevados, e isso é interessante para a administração. A prefeitura tem que ser o reflexo da sociedade à qual ela se destina.

A sintonia com os governos federal e estadual deve continuar, a qualquer preço, ou o Rio pode crescer sozinho?

Essa badalada aliança entre o governo federal, o governo estadual e a prefeitura, no fundo, está muito mais para ambientes festivos do que para ambientes administrativos. Eu, como prefeito, vou mudar essa lógica. Minha preocupação não é ambientes festivos, mas sim os administrativos. Aí sim, vamos organizar com o governo federal, governo estadual e os prefeitos metropolitanos uma série de providências que racionalizem as estruturas dos transportes, dos eixos viários, das linhas, dos roteiros, das rotas de ônibus, trens, metrô e os modais como um todo, e no campo da Saúde, definindo tarefas, responsabilidades e atribuições. No fundo, no fundo, é uma grande falácia dizer que essa aliança resolveu muitas coisas. Nesses dois setores que são fundamentais para o dia a dia das pessoas, perderam oportunidade. E tem mais: estamos em uma República Federativa. Em tese, somos uma democracia. Não é porque um governo é de um partido e o prefeito de outro que não terá diálogo. Tem que ter diálogo, e eu não terei qualquer dificuldade de levar ao governador Cabral e à presidenta Dilma as reivindicações e opiniões da cidade do Rio de Janeiro.

Este ano foi promulgada uma lei, de autoria do vereador Dr. Jairinho, que regulamenta os concursos para a administração pública municipal. O prefeito foi à Justiça, para declará-la inconstitucional, alegando que isso deveria ter partido do Executivo, e não do Legislativo. Caso seja eleito, o senhor pretende encaminhar à Câmara um projeto de lei que estabeleça regras claras e bem definidas para as seleções da prefeitura?

Lógico. Eu até já trabalhei muito como vereador nesse campo, no que diz respeito às pessoas com deficiência. A legislação para concurso público é de minha autoria em relação a isso. Sei que não terei dificuldades em relação ao encaminhamento de projetos de lei.

A fiscalização dos transportes públicos é muito falha. Quais são seus projetos para a SMTU? Na sua visão, a falha de fiscalização está diretamente ligada à falta de pessoal? Sua meta é contratar, por meio de concursos, mais fiscais para a SMTU?

Eu acho que os fiscais têm que ser a própria população. Temos que ter um canal onde o morador que tentou pegar o ônibus e o motorista passou direto, ou o morador que apertou para descer e o motorista passou direto, ou o que foi maltratado, ou o deficiente que não conseguiu subir no ônibus porque o elevador não funcionava, qualquer que seja a reclamação, tudo isso tem que ser trabalhado e fiscalizado diretamente. Criar uma rede grande de fiscais eu não vejo como um caminho que vai funcionar. O caminho que eu acredito e vou usar é a própria palavra, a voz e o clamor da população em geral, para que as reclamações cheguem logo à prefeitura e esta responda rapidamente.

Aumentar a arrecadação e gastar melhor o dinheiro público serão prioridades na sua gestão? Como isso será obtido? Há planos para reforçar o quadro da fiscalização fazendária e de outros setores, via concurso?

Aumentar sem aumentar imposto. Significa aumentar a atividade econômica, ter mais pessoas produzindo. Vamos implantar em cada região administrativa um núcleo de atividade econômica, para animar o processo econômico, para fazer com que mais empresas sejam implantadas, micro e pequenas. Aos jovens de todas as idades, vamos dar oportunidades e apoio para montarem a sua empresa. Queremos fortalecer as empresas juniores e incubadoras, que são realidade e muito interessantes hoje no Rio de Janeiro. São muitas áreas em que as pessoas querem empreender e não têm apoio. A prefeitura estará ao lado do empreendedor e, com isso, em consequência, não apenas empregos e renda serão criados, mas também tributos serão arrecadados, e a base de arrecadação aumentará. É por aí que a gente vai caminhar.

Como o Rio de Janeiro pode aproveitar as oportunidades geradas pelos megaeventos religiosos e esportivos que receberá até 2016? O que a prefeitura pode fazer para que os megaeventos esportivos deixem um legado para a população, o que não aconteceu no Pan?

Do ponto de vista da visibilidade do Rio de Janeiro, é uma oportunidade única para que possamos atrair turistas, fidelizá-los e levar mais a imagem do Rio para outros cantos do planeta e, com isso, atrair outras tantas pessoas que queiram visitar o Rio. Alguém que aqui desembarca, se hospeda no hotel, pega um táxi, vai a um restaurante, vai a um shopping, vai a um show, compra uma pipoca, vai ao camelô comprar alguma coisa, enfim, todo esse movimento gerou gastos e, portanto, é dinheiro que vem de fora e aqui fica. Portanto, são divisas que entram no país e que ajudam demais a economia local. Esse é um campo em que vou trabalhar demais. Acho que o grande legado será essa imagem nova do Rio para significar um destino turístico maior. Temos no Brasil uma entrada de 5 milhões de turistas por ano, um número que está há muito tempo congelado, e muito mais brasileiros saindo, ou seja, há um déficit nessa balança.

Qual a sua opinião sobre a Lei de Acesso à Informação? O senhor acredita que ela serve para mostrar a transparência de uma administração pública e que ajudará a diminuir a corrupção e o desvio de dinheiro?

Votei a favor, acho certo. A transparência tem que presidir todos os atos da gestão pública. Quanto mais transparente for, melhor. Vivemos o tempo da hipertransparência. Inclusive, só para dar um exemplo, hoje, nessa campanha para prefeito, pela primeira vez no Brasil todos os candidatos estão sendo obrigados a apresentar os seus planos de governo. Quando você registra seu nome como candidato, obrigatoriamente também tem que registrar o seu programa de governo. Isso fica lá no cartório, para que a população possa acompanhar durante a eleição, mas sobretudo possa conferir, uma vez eleito, se estão sendo cumpridas as propostas apresentadas anteriormente. Se essa regra estivesse em vigor na cidade na última eleição, o atual prefeito já teria dificuldades, pois ele prometeu não criar imposto e criou a taxa de iluminação. Então, é uma providência nova, é um mecanismo democrático fundamental, e eu me orgulho muito de ter sido o autor dessa proposta como deputado federal, eu que incluí isso na Lei Eleitoral. Ficou como uma contribuição que certamente será muito útil do ponto de vista pedagógico na democracia. É um antídoto antidemagogia, porque as pessoas propõem o que bem entendem, sem saber se de fato terão condições para realizar. Ou seja, a população vai poder cobrar, o que vale é o escrito. Prometeu, não cumpriu, vai ser questionado. Inclusive, talvez ali esteja a matéria-prima jurídica para que, numa eventual ofensa do eleito àquilo que ele prometeu, o cidadão possa interpor uma medida judicial questionando a legitimidade daquele mandato por razão muito simples: houve uma espécie de estelionato eleitoral, alguém prometeu algo e não cumpriu. Isso tem que ser combatido.

Quais são projetos para a área de Meio Ambiente?

Muitos. É o imperativo do nosso tempo. A questão ambiental hoje constitui-se em uma exigência em que todos os governos, todas as empresas, precisam se adaptar dentro de uma ideia de sustentabilidade. Ela faz parte da agenda do dia a dia dos governos e das empresas, não tem como fugir disso. Estamos falando da existência futura do planeta, dos nossos filhos e netos, das futuras gerações. O que vamos propor? O crescimento é sempre fundamental. Desenvolver a economia para ter cada vez mais empregos, mais renda e por aí vai. E o que é a medição do crescimento? É através do PIB, que é o somatório das riquezas públicas e privadas. Vamos criar um PIB verde: logo no início do governo, faremos um inventário de todos os ativos ambientais que a cidade possui. Todas as matas, todo o pratrimônio que a cidade possui. Todo cidadão poderá sugerir até uma árvore, um riacho ou coisa do gênero. Vamos elencar e carimbar como um PIB verde do Rio de Janeiro, que será irredutível, não pode ser diminuído, só pode ser aumentado. Esse é o primeiro ato nosso em relação ao Meio Ambiente. Do ponto de vista ambiental, temos o grave problema das praias. As pessoas não perceberam, mas em número maior que a metade dos dias do ano passado, as praias importantes da cidade ficaram impróprias para o banho, e a prefeitura não fez nada, ela é completamente ausente em relação a isso. É preciso ter um plano firme para a recuperação das praias. É óbvio que, quanto mais se plantar, melhor. Então, os programas de reflorestamento, de apoio à limpeza dos rios e das lagoas, todos esses serão enfatizados na ação da prefeitura no meu governo, não tenha dúvida disso.

E quanto aos moradores de rua? Quais são seus planos de inclusão social dessas pessoas?

É preciso fazer um trabalho humano e atuar diretamente sobre cada um, tentando identificar seus laços familiares, se existem ou não, e até suas aptidões laborais.

O que o senhor pretende fazer para aumentar a empregabilidade e a renda dos trabalhadores no município?

Muita coisa. A cidade terá um dinamismo em atividade econômica como jamais visto. A atual prefeitura não se preocupa com isso, mas nósnos preocupamos. Vamos instalar em cada região administrativa um núcleo especificamente destinado a organizar empresas, a fortalecer instituições com empresas juniores, para que todos que queiram organizar o seu próprio negócio possam fazê-lo. Além disso, há um setor que é fundamental: o de óeo e gás. O pré-sal é uma realidade, aí estão novos 2 milhões de barris que o país terá que produzir daqui a sete ou oito anos. Isso tem toda uma logística que acontecerá bastante na cidade do Rio, com oportunidades de empregos e qualificação profissional. Teremos que organizar no Porto Maravilha uma estrutura para que as grandes empresas ali se instalem, gerando muito mais atividades econômicas e, portanto, muito mais emprego e mais renda.

A estabilidade é apontada por alguns como impedimento para um serviço público eficiente. O que acha disso?

Sou a favor da estabilidade. Mas sou a favor também de um processo rápido quando da constatação do servidor relapso, que não funciona e não produz. É necessário ter mecanismos mais ágeis de adotar providências diante de servidores que não trabalham.

Em todas as eleições vemos e ouvimos muitas promessas de melhorias, mas depois que o candidato se torna prefeito, não cumpre os planos. O discurso é a insuficiência de verba. Quais são as garantias de que o senhor cumprirá todas as metas de campanha?

Meu maior patrimônio é o meu conceito. Procuro ser muito responsável naquilo que proponho. Todas as sugestões que ofereço no meu programa de governo foram estudadas previamente com profissionais, especialistas, com a sociedade, foram muito discutidas. Isso me leva a uma tranquilidade muito grande, na certeza de que tudo que está ali contido tem viabilidade para ser executado.

A sua política de governo contempla a população idosa?

Também. Os traços urbanos têm que ser mais suaves. Há uma regra, entitulada tecninamente arquitetura, chamada desenho universal, para que todos possam usufruir dos espaços, das ruas, etc. No Rio, apenas 8% das calçadas têm rampas. É um dos piores índices de capitais do país. E existem as pessoas com deficiência, que são 23% da população. Se você for verificar os que são deficientes graves (auditivo, visual, intelectual ou físico), que têm grande dificuldade ou total incapacidade para aquela função, nós temos o total de 9%. Então, é um número significativo, em se considerando que a população do Rio está na ordem de mais ou menos 6,3 milhões de pessoas. E ninguém, absolutamente ninguém, está livre de se tornar uma pessoa com deficiência.