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18/02/2010 | Jornal Lance

Timemania privada

A ideia do refinanciamento de dívidas privadas dos clubes pelo Banco do Brasil a juros camaradas já provoca o repúdio de políticos procurados pela equipe de reportagem do LANCENET!. O Diário divulgou ontem a proposta feita por alguns dirigentes, por meio do colunista José Luiz Portella. A intenção dos clubes, como acontece com a Timemania no caso de dívidas com o governo, é a de que o BB se torne o credor das dívidas privadas para receber os valores a perder de vista.

Tal fato seria semelhante ao que ocorreu com os bancos americanos. Eles concediam empréstimos hipotecários de alto risco a pessoas comuns, e que não foram pagos ao longo dos anos. A conclusão foi a quebra de grande parte deles.

– Não pode haver outra concessão. Não pode vir uma Timemania 3. Esse tipo de atitude não resolve o problema dos clubes – alertou o deputado Silvio Torres (PSDB), presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara.

Por parte dos clubes, no entanto, a ideia é vista com bons olhos. Presidente do Conselho Fiscal do Vasco, Hércules Figueiredo acredita que ter um único credor facilitaria na execução de alguns processos.

– No caso do Vasco, por exemplo, facilitaria para obter certidões negativas, que são necessárias para termos verbas como a da Eletrobrás liberadas para uso. Além disso, evitaria as penhoras, que é um outro risco que os clubes correm. Seria muito positivo – considerou.

– Seria ótimo para resolver os problemas de gestões anteriores e, ao mesmo tempo, procurar um equilíbrio entre as dívidas e as receitas. Daqui a quatro anos teremos uma Copa do Mundo no país. O futebol é o divertimento mais popular do brasileiro. Viabilizando esse equacionamento, se oxigena essa paixão – emendou o presidente do Santos, Luis Álvaro Ribeiro.

Com a palavra, Otavio Leite:

Timemania precisa provar sua eficácia

Não chegou nenhuma proposta no Congresso sobre essa possibilidade de o Banco do Brasil refinanciar as dívidas dos clubes de futebol. Mas acho que, para fortalecer as instituições, o ideal seria fazer um avaliação profunda da Timemania, para se saber o que se avançou desde que ela foi criada.

Acho importante que o estado tenha políticas para auxiliar os clubes, desde que sejam criadas de maneira justa. Não vale criar medidas pontuais para estimular concessões.

Há quem diga que há falhas no modelo atual da Timemania. Mas um pressuposto deve ser analisado para a participação na loteria: já que ela é destinada a quitar dívidas passadas dos clubes com o governo, as entidades deveriam arcar com as despesas presentes. Ou se desmoraliza todo o processo.

A solução dos clubes não pode ficar nas mãos do governo. Eu fui indicado para integrar a Comissão de Turismo e Desportos. Na semana que vem será eleito o presidente da comissão. E vou dar entrada num requerimento para instauração de uma audiência pública da Caixa Econômica Federal, para esclarecer a Timemania.