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06/11/2001 | Jornal O Dia

Tiros contra fúria de pit bull

Atirador não-identificado mata com três disparos cachorro que atacava um cocker spaniel em Olaria.

Teodora, vizinha da dona de Willy, chora ao encontrar o cão numa clínica veterinária em Ramos. O animal ficará internado por cinco dias

Menos de 15 dias depois da morte de Rafael de Oliveira Pinto, 10 anos, assassinado por um PM que tentava parar a tiros o ataque de um pit bull a um cavalo, no Sampaio, a violência de um cão da mesma raça foi contida a balas em Olaria, ontem. O pit bull avançou em um cocker spaniel e foi atingido três vezes por um homem que passava pelo local, próximo a duas escolas municipais e ao 16º BPM (Olaria). O cão baleado morreu.

Às 7h30, o pit bull – branco com mancha preta na cabeça – atacou o cocker spaniel Willy, 8 anos, na Rua Paranapanema. Segundo a dona de Willy, a dona-de-casa Dalva de Medeiros Quaresma, 53, o pit bull estava solto e o dono, um mulato alto e forte, fugiu.

Enquanto ela pedia ajuda, um homem que ela diz não ser capaz de reconhecer desceu de um ônibus que passava na rua e disparou três tiros contra o animal. “O pit bull ficou uns 15 minutos atacando o Willy. De repente, esse homem pediu que todos se afastassem, deu os tiros e foi embora”, contou Teodora dos Reis Soares, 56, vizinha de Dalva, que foi visitar Willy na clínica veterinária Lassie, em Ramos, para onde o cão atacado foi levado.

De acordo com o veterinário João Francisco da Silva, o animal perdeu muito sangue, parte do tecido da cabeça e teve traumatismo generalizado na área do pescoço: “Ele vai ficar internado por cinco dias. Apesar de ter reagido bem aos procedimentos, ainda corre risco”, disse o veterinário, que, só em outubro, atendeu três animais vítimas de pit bulls.

O pit bull recebeu os primeiros-socorros na Companhia de Cães do 16º BPM e depois foi levado para o Instituto Municipal de Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, em São Cristóvão. Foi operado, mas não resistiu. O corpo do animal será submetido a exames contra a raiva. Na Rua Paranapanema, bem perto do local do ataque, ficam as escolas municipais Coronel Assunção e Luiz Cesar Sayão Garcez. Segundo moradores, havia movimentação de crianças na rua na hora dos tiros.

Vereadores não se entendem sobre lei de regulamentação

Enquanto os incidentes envolvendo pit bulls acontecem com cada vez mais freqüência, a lei que regulamentaria a circulação da raça ainda não foi votada. Dia 24, vereadores se reuniram para propor um lei única, mas ainda há divergências relacionadas ao tamanho de coleira e ao horário para ser usada a focinheira. Hoje, os veredores Otavio Leite (PSDB) e Claudio Cavalcanti (PFL) se reúnem para tentar mais uma vez o consenso. “O projeto de lei terá de passar por quatro comissões especiais.

Se houver unanimidade nas idéias, os pareceres são mais rápidos, e a votação também. O incidente só reforça a urgência da lei, que visa a proteger a população e os próprios cães”, disse Otávio.