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26/06/2008 | Jornal O Globo

Transportes, desafio para o transporte se desenvolver

A má qualidade dos serviços de transportes no Rio — dos trens do subúrbio ao aeroporto internacional — norteou os debates do “Rio em Movimento”, encontro promovido pelo GLOBO com patrocínio da fábrica de pneus Michelin. Na abertura do evento, o governador Sérgio Cabral apontou o Porto do Rio e o Aeroporto Internacional Tom Jobim como pontos fracos para o desenvolvimento do estado. A falta de bons transportes públicos e o problema da insegurança pública também foram lembrados pelos palestrantes como empecilhos ao desenvolvimento do estado.

O evento aconteceu no auditório do jornal e contou também com a presença do secretário estadual de Fazenda, Joaquim Levy; do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Álvaro Bezerra de Mello; do vice-presidente da Associação da Boa Lembrança, o chef Danio Braga; e do diretor-geral da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan), Augusto Franco. As jornalistas Flávia Oliveira, da coluna Negócios & Cia. do GLOBO, e Maria Fernanda Delmas, editora-assistente de Economia, mediaram o encontro.

Augusto substituiu o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, que estava no velório da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. Pelo mesmo motivo, o ex-presidente da Agência Nacional de Petróleo David Zylbersztajn, que é da família de dona Ruth, também não pode comparecer ao encontro.

Cabral sugere estadualização de aeroporto e porto

Em entrevista após o evento, Cabral afirmou que pretende levar em breve à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, um pedido para que tanto o Porto do Rio como o Aeroporto Internacional Tom Jobim sejam repassados ao estado, que faria concessão para que empresas privadas os administrassem. Ele afirmou que duas empresas — uma delas a que administra o Aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, onde ele esteve na semana passada — já mostraram interesse no aeroporto do Rio. Ele afirmou não ser mais possível esperar os investimentos prometidos pela Infraero.

— Não dá mais para esperar o lenga-lenga da Infraero. Já há soluções, como a concessão, que acontece em vários aeroportos no mundo, e temos que fazer isso bem feito — disse o governador, lembrando que o presidente Lula já se mostrou simpático à idéia, embora estudos mais detalhados ainda sejam necessários para que a solução seja anunciada.

Os problemas do aeroporto serão motivo de uma reunião nesta sexta-feira entre os integrantes da bancada do Rio no Congresso e o presidente da Infraero, Sérgio Gaudenzi. Segundo o deputado Otavio Leite (PSDB), a reunião será importante porque está faltando clareza por parte do governo federal na condução do problema. Ainda de acordo com ele, não está definido ainda o projeto de revitalização do aeroporto, que tem no orçamento uma verba de R$40 milhões, até agora não usada.

Após o debate, o presidente da Michelin na América do Sul, Luiz Fernando Fachini Beraldi, acrescentou que para grandes empresas multinacionais tem sido vergonhoso receber dirigentes no Rio:

— Eles não falam mal do aeroporto porque são educados.

A falta de dinamismo do porto também foi apontada pelos palestrantes como um problema para o estado nos próximos anos. Além disso, as empresas sofrem forte impacto em seus negócios com os problemas de transporte público na Região Metropolitana.

— Para trazermos as pessoas para a cidade, temos que melhorar aeroportos e portos. Mas o Rio também precisa melhorar muito o metrô, os trens — destacou Bezerra de Mello.

O secretário Joaquim Levy afirmou que o governo estadual tem projetos para melhorar o setor de transportes nos próximos três anos. Segundo ele, as Linhas 1 e 2 do metrô terão investimentos que vão dobrar sua capacidade. Os trens da SuperVia também vão receber investimentos.

— Nossa idéia é que, em três anos, passemos o intervalo dos trens de Nova Iguaçu para a Central de 20 para seis minutos. Teremos investimentos da concessionária e também do Banco Mundial, que já acenou com um empréstimo para isso — disse Levy.

Os palestrantes indicaram que, além do transportes, a área de segurança pública continua impactando fortemente os negócios, principalmente no que diz respeito a hotéis e restaurantes. Danio Braga afirmou que a falta de segurança mudou a rotina dos consumidores em Petrópolis, onde tem restaurante.

— As pessoas não vão mais para a serra na sexta-feira à noite por medo da violência na estrada — disse o chef.

Para o presidente da ABIH, a política de enfrentamento do atual governo é a forma correta para enfrentar o problema. Na abertura do evento, o governador Cabral afirmara que o governo está investindo em três frentes para criar um ambiente melhor para negócios no estado: numa agenda de investimentos públicos e privados, na preocupação com o social e no combate à criminalidade. Para ele, chegou um estágio em que o enfrentamento da criminalidade tem que ser “inexorável”.

— É como o (presidente Álvaro) Uribe na Colômbia. Demora, mas os resultados aparecem — concluiu Bezerra de Mello.