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01/04/2004 | Jornal do Brasil Online

Tubulões chegam, mas não fazem verão

Recebidos como triatleta que alcança a praia rumo à vitória, os tubulões do novelesco emissário submarino chegaram, ontem pela manhã, à Barra, depois de terem cumprido 53 quilômetros pelo mar, saindo da Zona Portuária.

Em 15 dias, os cinco trechos de tubulões estarão assentados, permitindo que as obras do emissário estejam concluídas em dezembro, aproximadamente um ano e oito meses além da previsão inicial.

A despeito da, digamos, badalação que cercou a chegada das duas primeiras levas – de um total de cinco – desses cilindros gigantes, representantes comunitários e moradores mantêm os pés nos chão. Eles lembram que muito água ainda vai rolar até que o programa de saneamento da região esteja concluído.

Até porque licitações empacadas no Tribunal de Contas do Estado fermentam o prazo. Segundo a Cedae, falta aproximadamente um ano e meio, no mínimo, para que a obra integral seja concluída.

Com a chegada e colocação dos tubulões, será finalizada a parte marítima do emissário. No entanto, para sanear a Barra da Tijuca e Jacarepaguá é preciso concluir a ligação do emissário pela via terrestre até a Estação de Tratamento de Esgoto, terminar a própria estação, construir a elevatória e finalizar as ligações subterrâneas que levarão o esgoto até o emissário.

De acordo com o engenheiro da Cedae Antonio Carlos Gouveia, a primeira fase das obras de saneamento da Barra da Tijuca e Jacarepaguá inclui, além do emissário, a construção da Estação de Tratamento. Ele acredita que a obra estará pronta até o fim deste ano.

- A colocação da tubulação sob a Avenida das Américas já começou e deve terminar dentro de 150 dias. Agora, estamos definindo o método executivo para instalar a tubulação sob a Lagoa de Marapendi. Calculo que até o fim deste ano as obras da primeira fase do programa de saneamento da Barra estarão concluídas - diz Antonio.

Resta ainda licitar todo o maquinário e a parte elétrica da estação de tratamento. Nesta primeira fase, foram investidos R$ 97 milhões. O grosso dos investimentos, no entanto, somam R$ 300 milhões e estão dependendo da aprovação do Tribunal de Contas do Estado.

O dinheiro corresponde à segunda fase das obras de saneamento. Segundo Antonio Carlos, esta próxima fase será concluída em 18 meses.

- Dependemos apenas da liberação do Tribunal de Contas para dar início às licitações.

Sem a segunda etapa da obra, as tubulações do emissário não terão finalidade alguma. De olho no cronograma de obras, o deputado Otavio Leite, da Comissão Pró-emissário da Assembléia Legislativa do Rio, reclama da demora das licitações:

- É agradável ver os tubos sendo assentados, mas isso não resolve. Os tubos vão ficar secos por mais de um ano. Os equipamentos mecânicos e hidráulicos da Estação de Tratamento custam R$ 44 milhões e não foram adquiridos ainda, e outras licitações aguardam avaliação do Tribunal de Contas. As obras estão se arrastando.

O engenheiro sanitarista Alaor Santiago, também critica a lentidão do cronograma.

- As tubulações ligam nada a coisa nenhuma. É preciso fazer 280 mil ligações domiciliares, as elevatórias, concluir a estação de tratamento e o emissário terrestre. O estado precisa correr.

A insatisfação dos especialistas também ecoa entre os líderes do bairro.

- Só este emissário não serve para nada. É preciso concluir a segunda etapa, mas as licitações estão suspensas e sendo analisadas pelo Tribunal de Contas. A comunidade não agüenta mais esperar - reclama Delair Dumbrosck, presidente da Câmara Comunitária da Barra da Tijuca.