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02/05/2012 | Portal R7

Tucano Otavio Leite em voo solo

Eleições/Rio: Tucano Otavio Leite em voo solo

Rio de Janeiro - Dos três principais adversários do prefeito carioca Eduardo Paes, favorito à reeleição _ Rodrigo Maia (DEM-PR), Marcelo Freixo (PSOL) e Otavio Leite (PSDB) _ o que me pareceu mais isolado neste momento da campanha, a cinco meses das eleições, é o candidato tucano.

Embora já tenha tido um presidente da República e seja o principal partido de oposição ao governo federal desde 2003, no Rio o PSDB foi definhando desde o final do governo de Marcelo Alencar, em 1998, e hoje se alinha com o grupo dos nanicos na política fluminense.

Ex-vereador, ex-vice prefeito (de Cesar Maia), ex-deputado estadual e agora deputado federal em segundo mandato, o próprio candidato reconhece esta fragilidade, ao lembrar que o partido apostou durante muito tempo no governador Sergio Cabral e no prefeito Eduardo Paes, dois ex-tucanos que foram para o PMDB e construíram uma monumental aliança de 19 partidos.

"É o que nós intitulamos de mexicanização da política no Rio de Janeiro. Já aconteceu na última eleição para governador. Dos 92 prefeitos, 91 apoiaram o governador Cabral. Isso não há em nenhuma democracia do mundo. É um processo de aliciamento impressionante que se faz", constata Leite.

Para enfrentar a máquina que une os três níveis de governo em torno da reeleição de Paes, o sergipano Otavio Leite, 50 anos, advogado, casado, dois filhos, não conta até o momento com a ajuda de nenhum cacique tucano de expressão nacional.

Em vôo solo, o candidato do PSDB, um partido em que a militância nunca foi o forte, ainda não fechou nenhuma aliança e terá apenas três minutos na televisão, contra no mínimo 15 do atual prefeito. Mesmo assim, ele se mostra bastante animado com a sua candidatura.

"Nos vamos enfrentar esta máquina apresentando propostas, mostrando que realmente há caminhos alternativos e que, independentemente do governador ser de outro partido e a presidente de outro partido, eu como prefeito vou lidar administrativamente com eles, presidindo meus atos em função dos interesses da cidade".

Otavio Leite quer mudar radicalmente as prioridades da cidade, que ele resume hoje em "cimento, tijolo e concreto". Para isso, ele promete "colocar as pessoas em primeiro lugar".

Apaixonado pelo Rio, ele conta em entrevista exclusiva ao R7, que conheceu a cidade por dentro quando foi coordenador das 30 regiões administrativas em que se divide a cidade, durante a gestão de Marcelo Alencar.

Por conta de um acidente de carro que sofrera dias antes, a entrevista foi transferida do seu escritório político no centro para o Marina Barra Clube, um belo lugar às margens do canal de Marapendi, na Barra, perto de onde ele mora.

"Eu organizava as chamadas prefeituras itinerantes. Naquele período, fizemos 163 prefeiturtas itinerantes e ali eu pude mergulhar nos problemas do Rio. Procuro estudar os problemas da cidade e acho que esta oportunifdade de ser prefeito é um espaço maravilhoso para concretizar ideais, para mexer em estruturas e dar uma guinada em alguns cantos da administração que precisam realmente de uma atenção especial".

Peço para o candidato dar um exemplo e ele responde de primeira: "As pessoas com deficiência. Nós temos no país, segundo o último Censo, 23% da população com algum tipo de deficiência. E infelizmente na nossa cidade nós não avançamos nada neste setor. Vamos colocar as pessoas em primeiro lugar, a paisagem humana, o ser humano, os indivíduos".

Para ajudá-lo nesta tarefa, caso eleito, ele até já pensou em alguns nomes. "Há muitas mentes brilhantes na cidade. No campo fazendário, nós temos um patrimônio formidável, porque todo o grupo que criou o Plano Real é do Rio de Janeiro. E eu sugeriria a eles indicarem o meu secretário da Fazenda, entre qualquer um: Gustavo Franco, Edmar Bacha, Elena Landau".

Seu primeiro ato na prefeitura seria impedir a demolição do Elevado da Perimetral, prevista no projeto Porto Maravilha. "São 100 mil carros que passam por lá diariamente. Este elevado não será derrubado. Eu vou garantir isso na campanha, é um compromisso nosso. Porque gastar R$ 1,5 bilhão com a derrubada deste elevado é evidentemente uma insensatez".

Leite sabe que precisa tomar muito cuidado com o que promete porque foi dele a iniciativa de uma lei aprovada na última reforma eleitoral obrigando todos os candidatos a registrarem seus programas de governo até o dia 5 de julho.

"Depois da eleição, o eleitor poderá cobrar e conferir se aquilo que foi proposto em campanha está sendo executado na prática". E se não for cumprido, o que acontece?, pergunto a ele. "Eu acho que aí nós temos o fundamento jurídico do recall. Ou seja, do impeachment legal".

Esta é a grande novidade para as eleições de outubro, não só no Rio, mas em todo o país: quem prometer vai ter que cumprir, ou pode perder o cargo.

Veja a íntegra da entrevista e o vídeo gravado com o candidato do PSDB.