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13/12/2011 | Portal PSDB na Câmara

Tucanos afirmam que Pimentel mistura interesse público com privado e pedem afastamento do ministro

Por Djan Moreno

A utilização do escritório da P-21, empresa do atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, como ponto de apoio para sua campanha ao Senado em 2010, comprova que o petista mistura interesse público com privado. Essa é a avaliação dos deputados Márcio Bittar (AC) e Raimundo Gomes de Matos (CE), que defenderam nesta terça-feira (13) o afastamento do titular da pasta.

Como mostra o jornal “O Estado de S. Paulo”, funcionários do prédio onde funciona a consultoria confirmaram que Pimentel se reunia no local – no ano passado – com articulares da candidatura. O jornalista e proprietário da Lanza Comunicação, Luiz Lanzetta, comparecia ao escritório com frequência. Lanzetta ficou conhecido após deixar a campanha presidencial de Dilma, suspeito de se encontrar com arapongas ligados aos serviços secretos oficiais que produzem ilegalmente dossiês contra adversários.

Bittar condena a forma como os governistas atuam para blindar o ministro. Os aliados justificam que ele não ocupava função pública entre 2009 e 2010. No período, o homem forte da gestão Dilma faturou pelo menos R$ 2 milhões com sua empresa.

“Quem disse que tráfico de influência só se realiza em cargo público?”, questionou. “O fato de ele não ser prefeito ou senador na época não prova nada”, completou, ao pedir a saída do gestor da pasta. Segundo o tucano, a prática tornou-se corriqueira e o PT a considera natural. “Eles acham que podem tudo em nome do projeto.”

Gomes de Matos cobrou postura firme de Dilma em relação aos escândalos. “Ultimamente, o tráfico de influência generalizou-se em todas as áreas da administração federal. É um desmando, um desrespeito à ética”, criticou. O parlamentar afirma que a sociedade precisa se organizar para demonstrar indignação. Para ele, o Planalto busca subterfúgios para encobrir os desmandos.

Nesta quarta-feira (14), a Comissão de Desenvolvimento, Indústria e Comércio votará requerimento do deputado Otavio Leite (RJ) que pede a convocação de Pimentel para explicar os valores recebidos com consultorias e as relações com antigos clientes mesmo após a posse na pasta. Céticos, os tucanos acreditam que a base deverá convocar a tropa de choque para impedir o pedido de audiência. Para Gomes de Matos, há tentativa de “defender o indefensável”.

Empresa ativa

? Segundo documentos da Junta Comercial de Minas, a P-21 continua ativa, com objeto social de “consultoria, projetos, palestras, cursos e pareceres nas áreas econômica, tributária e de gestão pública”. Pimentel consta apenas como sócio, com participação de R$ 19,8 mil no capital social total, de R$ 20 mil. O administrador é Otílio Prado, ex-assessor do prefeito Marcio Lacerda (PSB), que pediu exoneração do cargo na semana passada.