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09/08/2011 | Blog da Bancada do PSDB na Câmara e no Senado

Tucanos criticam política econômica e afirmam que a corrupção é a principal crise

Por Djan Moreno

Os líderes do PSDB e da Minoria na Câmara, Duarte Nogueira (SP) e Paulo Abi-Ackel (MG), rebateram as afirmações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o governo tem adotado medidas para impedir que o país seja afetado pelos efeitos da crise econômica internacional. Os parlamentares participaram de comissão geral no plenário da Casa nesta terça-feira (9) e afirmaram que a oposição está disposta a votar projetos e apoiar o Executivo no controle das turbulências dos mercados. Apesar disso, os tucanos acreditam que o encontro teve o real intuito de desviar o foco da verdadeira crise instalada no Brasil: a política, com sucessivas revelações de corrupção.

Nogueira destacou que o governo petista segue na contramão das ações ideais para evitar que o Brasil seja prejudicado pela onda que afeta Europa e Estados Unidos. O tucano disse que os investimentos neste ano estão inferiores aos de 2010 e as despesas subiram 10% nos sete primeiros meses. A inflação bateu recorde e os juros são os mais altos do mundo. Segundo o parlamentar, o descontrole de gastos e a corrupção impedem que o país fique imune à crise.

Segundo ele, o dinheiro mal utilizado faz falta para todos os setores. “Se essa crise vier, vamos novamente votar todos os projetos de interesse do país, aperfeiçoando e alterando aquilo que entendemos que seja salutar para melhorar a eficácia dessas políticas públicas anticíclicas”, afirmou, ao lembrar que, durante a crise de 2008, o PSDB votou a favor de propostas de estímulo à economia.

Abi-Ackel também criticou a política econômica. Na avaliação dele, o país tem carga tributária cruel, desperdiça dinheiro com fraudes e os gastos públicos são irresponsáveis. O tucano afirmou que este é o momento ideal para promover uma reforma tributária com foco nas camadas sociais mais pobres. “O Brasil gasta mais do que poderia e do que deveria, não conseguimos investir sequer 1% do nosso Produto Interno Bruto. Além de ser a nação da América Latina que menos investe o resultado dos impostos que arrecada: apenas 8,7%”, afirmou o tucano, ao citar dados da Fundação Getúlio Vargas.

Mailson da Nóbrega, economista e ex-ministro da Fazenda do governo Fernando Henrique Cardoso, participou do debate a convite do PSDB e afirmou que o risco de uma crise como a de 2008 é baixo. Na avaliação dele, os fatores não são os mesmos e não há possibilidade de um colapso do sistema financeiro. O ex-ministro destacou que o Brasil está bem preparado para lidar com os problemas porque possui economia sólida, mas criticou a política monetária do governo.

De acordo com ele, as intervenções propostas pelo Planalto não são bem estudadas e podem ser prejudiciais. Sua preocupação maior é em relação a MP 539/11, que concede ao Conselho Monetário Nacional o poder de determinar margem maior de garantia para operações nos mercados de derivativos. “É uma violação das regras do jogo. Isso vai gerar enormes incertezas e deve aumentar as remessas para o exterior”, ressaltou.

Finanças comprometidas

“Nós temos que aumentar a competitividade do país. O setor industrial está amargurando um processo de desindustrialização. Além de encarar os juros, a carga tributária, os investimentos no setor público e na economia, nós precisamos também melhorar a eficiência da infraestrutura, da educação e da inovação tecnológica.”

Deputado César Colnago (ES)

“Discutir economia com a frieza como fizeram aqui os ministros, como se não houvesse corrupção, como se o custo Brasil pela falta de infraestrutura não fosse uma realidade, é um engodo, é um neopopulismo. É querer passar para o povo brasileiro a ideia do seguinte: vocês elegeram uma presidente com a maioria dos votos, e está tudo bem, ela é maravilhosa, o governo é maravilhoso. Não é”.

Deputado Domingos Sávio (MG)

“O governo nada faz em relação à desoneração do setor do turismo receptivo, que é fundamental para criar empregos e mantê-los. Quero deixar aqui o meu protesto pela ausência de preocupação do governo com essa área. Onde estão as políticas para desonerar o setor do turismo, fortalecê-lo para expandir as suas atividades e trazer mais turistas para o Brasil? É isso que nós queremos.”

Deputado Otavio Leite (RJ)

“Preocupa-nos quando percebemos que nosso governo, as pessoas encarregadas das finanças do nosso Estado, não têm uma política econômica de longo prazo. É preciso fazer com que o governo crie uma poupança, já que não fez isso durante os oito anos seguidos. Assim, fará com que baixemos as taxas de juros, tenhamos um dólar mais valorizado, e aí vamos rever todas as situações.”

Deputado Alfredo Kaefer (PR)