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19/05/2011 | Blog da Bancada do PSDB na Câmara e no Senado

Tucanos defendem educação bilíngue para deficientes auditivos

Por Laize Andrade

Em defesa da educação bilíngue de qualidade para surdos, os deputados Eduardo Barbosa (MG), Mara Gabrilli (SP) e Otavio Leite (RJ) debateram o assunto em audiência pública promovida pela Subcomissão Permanente de Assuntos Sociais das Pessoas com Deficiência no Senado.

Participaram do encontro representantes dos 6 mil deficientes auditivos que protestaram na Esplanada dos Ministérios contra a política do MEC de educação inclusiva. O modelo estabelece que alunos portadores de deficiência sejam matriculados em escolas regulares, mas tenham atendimento especializado. O grupo defende a implantação de escolas bilíngues, em que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é a principal.

“Assim como a língua portuguesa, uma educação bilíngue tira o surdo da exclusão, traz informação, conhecimento, educação e cultura”, disse Mara Gabrilli. Ela ressaltou a importância de Câmara e Senado trabalharem em conjunto pela defesa dos direitos dos deficientes.

Em março, a Secretaria de Educação Especial do MEC anunciou o fechamento do ensino básico em escolas especializadas em atendimento a alunos com deficiências, como o Instituto Nacional de Educação dos Surdos (Ines) e o Instituto Benjamin Constant (Cegos), localizados no Rio de Janeiro.

Para Barbosa, o governo não se preocupa em ouvir os deficientes. “A secretaria estabelece o que acredita ser bom e quer impor a todo custo suas ideias. São técnicos querendo definir o que é bom para os outros, sem ouvir os interessados, que são as próprias pessoas com deficiências e suas famílias”, criticou.

Pesquisa realizada pelo Programa de Avaliação Nacional do Desenvolvimento Escolar do Surdo (Pandes) avaliou 8 mil surdos de 15 estados com idades entre 6 e 25 anos, desde o primeiro ano do ensino fundamental até o último ano do ensino superior. Cada estudante foi avaliado em mais de 20 horas com instrumentos como Provinha Brasil e a Prova Brasil adaptada. Os resultados indicaram que a criança surda – cuja língua materna é a libras – aprende significativamente mais e melhor nas escolas bilíngues na interação com professores sinalizadores e com colegas de classe da mesma situação.

O estudo do Pandes prova que o atendimento educacional especializado que o MEC quer implantar não substitui a educação bilíngue de qualidade ministrada por sinalizadores fluentes.