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09/05/2008 | Agência Tucana

Tucanos lamentam morte de Artur da Távola

O ex-presidente do PSDB Paulo Alberto Monteiro de Barros, mais conhecido como Artur da Távola, 72 anos, faleceu nesta sexta-feira, vítima de problemas cardíacos. O corpo será velado neste sábado, a partir das 9h, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. O enterro ocorrerá às 16h no Cemitério São João Batista, na capital fluminense. Diretor da rádio Roquette Pinto, o jornalista morreu em casa, no Leblon, na zona sul do RJ. Ele tinha três filhos.

REPRESENTANTE DA CULTURA

Em nota oficial (leia a íntegra AQUI), o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), destacou a história e o legado deixados por Távola. ´O Brasil perdeu hoje um patriota. Os tucanos perderam um grande e leal companheiro´, diz o texto. A nota afirma ainda que o jornalista soube conciliar a política com a honra, com a verdade e com as mudanças de que o país tanto precisa. E aponta o papel desempenhado por ele na execução dos compromissos tucanos de construção de um Brasil econômica e socialmente mais justo com a consolidação do Plano Real.

Távola foi senador (1995 a 2003), atuou como deputado estadual (1960 a 1964), deputado federal (1987 e 1995) e participou da fundação do partido. Fora a vida política, será lembrado ainda como um grande entusiasta da cultura. Paralelamente à carreira legislativa, publicou 23 obras literárias, entre crônicas, ficção, biografias, música e comunicação. Em respeito ao tucano, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, decretou luto oficial de três dias no estado pelos ´grandes serviços prestados ao jornalismo e à vida pública brasileira´.

Deputados, senadores e governadores do partido também lamentaram a perda. Para o governador de Alagoas, Teotonio Vilela Filho, o correligionário era um grande homem, dono de uma inteligência privilegiada e de uma essência de valores sem tamanho. ´Foi um grande conselheiro quando presidi o PSDB. A morte dele representa uma grande perda para o partido e para o Brasil´, avaliou.

José Serra, por sua vez, declarou, em nota, que Távola era um dos melhores homens públicos do Brasil. ´Íntegro, generoso, equilibrado, inteligente, bem preparado, comprometido com boas idéias e boas causas. Perdi um amigo íntimo e sábio´, apontou o governador de São Paulo. Também em comunicado oficial, Aécio Neves expressa ´grande pesar´ pela morte. ´Certamente um dos brasileiros mais importantes na história política do país nos últimos anos pela lucidez e coragem que marcaram sua atuação na vida pública, e por sua capacidade de reflexão sobre os problemas brasileiros´, disse o governador de Minas Gerais.

CONGRESSO

Para o presidente do PSDB-RJ, José Zito, o companheiro de partido marcou sua vida pela ´ética, correção e luta pela democracia´. Admirador de ´trajetória brilhante´ de Távola, Zito disse ainda que é uma perda não só para o Brasil e para o Rio de Janeiro, mas para toda a humanidade.

O líder do PSDB na Câmara, deputado José Aníbal (SP), manifestou pesar pelo falecimento. ´Foi uma grande perda para o Brasil. Ele era um homem de grande sensibilidade política e cultural. Tive a honra de sucedê-lo na liderança do PSDB em 1995. Ele contribuiu muito para o país e para o partido´, lamentou.

Em nota oficial da Liderança do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) também expressa tristeza pela morte do ´querido amigo, talentoso jornalista, notável escritor e bravo companheiro´. ´Deixarão saudades os programas que empreendia na TV Senado e na Rádio Senado. Ali estava a sua alma generosa. Ali brilhava o seu cérebro privilegiado. Ali reluzia a sua sensibilidade singela´, diz o texto, em referência ao programa ´Quem tem medo de música clássica?´, que era apresentado por Artur da Távola. ´A sua esposa, Miriam, e a todos familiares, amigos, entes queridos, o sentido abraço de solidariedade da bancada tucana no Senado´, finaliza a nota assinada por Virgílio.

Na opinião do senador Tasso Jereissati (CE), a legenda sofreu uma grande perda. ´O PSDB perde um dos principais ícones, um dos seus fundadores. Um político da maior profundidade, e que deixa seu exemplo de honradez, inteligência e compromisso com o Brasil. Artur da Távola deixa um vazio enorme no partido´, afirmou o ex-governador do Ceará.

TRISTEZA

Outros deputados também expressaram seus sentimentos. Para Sílvio Lopes (RJ), o ex-presidente do PSDB fará falta para a cultura brasileira. ´Fiquei muito triste com a notícia e tenho certeza de que meu filho, Glauco Lopes [deputado estadual no Rio de Janeiro] também. Ele era amigo de Artur da Távola e recebeu muito apoio dele. Além de ser motivo de orgulho para todos nós, era representante da cultura do nosso estado´, disse. Por todo o seu trabalho em prol da cultura e pela sua atuação política, Távola já recebeu prêmios e condecorações no Brasil e no exterior.

Já a deputada Andreia Zito (RJ) disse que o tucano foi personalidade importante não só no Rio de Janeiro, mas em nível nacional. ´Ele representou muito bem o nosso estado no Senado. Lamento profundamente que o partido tenha perdido alguém que contava com um conhecimento cultural tão vasto e que, sem dúvida, foi um marco na história do país´, assinalou a deputada.

Por sua vez, o deputado Otavio Leite (RJ) manifestou seu privilégio por ter conhecido de perto o brilhantismo de Távola. ´Ele foi um homem erudito de uma sensibilidade social enorme. Foi, sem dúvida, um homem raro de sua geração e um dos principais oradores do parlamento´, destacou.

BIOGRAFIA

Carioca de Ipanema, ele iniciou sua atividade política em 1960, quando foi eleito o mais jovem deputado estadual do então estado da Guanabara. Cassado em 1964, partiu em exílio para a Bolívia e Chile, onde tornou-se professor universitário na área de Comunicação. Voltou ao Brasil em 1968 e começou a trabalhar com Samuel Wainer no jornal Última Hora, adotando, nesse ano, o pseudônimo - seu heterônimo profissional oficial - Artur da Távola.

A partir de 1987, retomou sua carreira política e foi eleito, consecutivamente, deputado federal por duas legislaturas e senador. Foram 16 anos em Brasília como parlamentar pelo estado do Rio de Janeiro. Participou da elaboração da Constituição de 1988 como um dos relatores e, depois, pautou sua atuação à frente das Comissões de Educação e Comunicação e da de Relações Exteriores. São de sua autoria os artigos que impedem a censura estatal na educação, na cultura e nos meios de comunicação.

Em 1994, defendeu que o PSDB lançasse a candidatura do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, cuja política de estabilização monetária e controle inflacionário desfrutava de grande popularidade.No ano seguinte, já senador, foi efetivado na presidência do PSDB, quando trabalhou pela coesão dos partidos da base governista. Em 2001, licenciou-se da Casa para assumir a Secretaria das Culturas do Município do Rio de Janeiro.