Seu browser não suporta JavaScript!

03/06/2011 | Blog da Bancada do PSDB na Câmara e no Senado

Tucanos pedem afastamento de Palocci após entrevista nada convincente

Por Artur Filho e Gabriel Garcia

A primeira manifestação pública do ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, sobre a milagrosa multiplicação do seu patrimônio reforçou a necessidade de afastamento do petista do principal ministério da Esplanada para esclarecimento dos fatos. Essa é a avaliação de parlamentares tucanos. “Ele falou e não disse absolutamente nada. E o melhor para o Brasil é o seu afastamento”, afirmou o líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP).

Palocci deu entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, na noite desta sexta-feira (3). O ministro não informou os nomes dos clientes de sua empresa de consultoria, a Projeto, nem a natureza dos serviços prestados. Além disso, se recusou a falar de valores, argumentando que não era de interesse público.

“Podemos usar a entrevista dele como peça de acusação, nunca de defesa”, criticou o líder tucano no Senado, Alvaro Dias (PR). Ele condenou a omissão de dados importantes para o esclarecimento da denúncia. “Se não revela nome de clientes e valores dos contratos, ele não revela nada. Fica devendo tudo.”

O deputado Otavio Leite (RJ) também defende a revelação dos que pagaram pelos serviços do petista. “Essas coincidências quanto à facilidade que essas empresas tiveram no governo é um indício severo de suspeitas graves”, avaliou.

O ministro multiplicou o patrimônio em 20 vezes nos últimos quatros anos. Os rendimentos foram usados para comprar um apartamento de luxo em São Paulo, no valor de R$ 6,6 milhões, e um escritório de R$ 882 mil, revelou a “Folha de S.Paulo” em 15 de maio. Desde a denúncia, Palocci permaneceu em profundo silêncio. A consultoria faturou R$ 20 milhões no ano passado, quando o petista coordenava a campanha de Dilma Rousseff à Presidência.

Para o deputado Vaz de Lima (SP), as explicações não convenceram. “O ministro saiu da entrevista pior do que entrou e deve as explicações necessárias”, disse. Luiz Fernando Machado (SP) acrescenta que a falta de esclarecimento traz instabilidade ao Congresso. “As perguntas ainda estão sem resposta.”

A revelação do enriquecimento de Palocci abriu uma crise no governo, criando embaraços para o braço direito da presidente Dilma. A ausência de explicações concretas, segundo os tucanos, reforça a necessidade de convocação do ministro no Congresso.

A Comissão de Agricultura da Câmara aprovou nesta semana o pedido de audiência. Porém, a decisão foi adiada para a próxima terça-feira (7). Apesar de a base aliada tentar forçar uma ilegalidade na convocação, as imagens mostram claramente que tudo aconteceu dentro das normas regimentais e de forma democrática.

“Sem dúvida alguma vamos insistir na convocação. A partir da entrevista, a população brasileira ficou estarrecida com o não esclarecimento”, concluiu Nogueira, para quem o petista “é a própria crise”.