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01/06/2006 | Revista da Bolsa de Gêneros Alimentícios

Turismo e Segurança

A atividade turística na cidade maravilhosa tornou-se, ao longo dos anos, um dos fatores essenciais para o desenvolvimento econômico local. Mesmo com problemas como a desestabilidade da segurança pública, o turismo ainda mantém-se vivo e forte.

Em entrevista à Revista BGA News, o atual vice-prefeito da Cidade do Rio de Janeiro (PSDB) e futuro candidato a deputado federal, Otavio Leite, fala da crise da Segurança Pública na cidade, da trajetória dentro da prefeitura, dos projetos de incentivo turístico e do interesse pela defesa dos direitos dos deficientes físicos.

BGA: Por que se interessou pela política?

OL: O sentimento de justiça, o comportamento solidário e a qualidade de caráter que via minha família tratar a todos com quantos lidavam no dia a dia, foram elementos decisivos para o nascimento da vocação política.

Também pude perceber que o envolvimento com a política estudantil e o fácil entrosamento com o cotidiano do centro acadêmico da faculdade de direito eram resultados da coisa adquirida na convivência com os famíliares.

A minha formação humanista foi acompanhada de sólida e criteriosa formação familiar.

BGA: Hoje, quais seriam os principais problemas da Cidade do Rio de Janeiro?

OL: Um dos principais problemas é a segurança pública. É uma questão que afeta não apenas o cotidiano dos cariocas, como também um dos setores mais importantes da economia da cidade: o turismo. Afinal, o Rio conserva a liderança no ranking nacional entre os estados que mais recebem turistas estrangeiros, com quase 38%.

BGA: Quais seriam as soluções para esses problemas?

OL: Acho que o Exército poderia participar do patrulhamento das linhas Vermelha e Amarela, através de grupos táticos móveis, em caráter permanente. Isto teria um impacto nítido na segurança. Acho também que um grupo de recrutas poderia fazer exercícios na orla da praia, como se fossem rondas nos chamados eixos turísticos. A presença ostensiva da autoridade é um fator inibidor da violência. Isto iria produzir um imediato efeito benéfico para os cidadãos e para o turista.

Eu acredito que para oferecer uma garantia de maior tranquilidade ao turista seria preciso haver um aumento no contingente policial de rua. Isto implica em aumentar os efetivos tanto da polícia militar quanto da guarda municipal nos chamados eixos turísticos.

BGA: O turismo é uma das características marcantes do Rio. Quais seriam as medidas necessárias para diminuir a falta de segurança aos turistas que visitam a cidade carioca?

OL: Apesar de todo o noticiário negativo, o que observamos é que mesmo assim as taxas de ocupação estão crescendo, em função do verão, assim como o turismo de lazer e de negócios. Mesmo assim, o que precisamos, de fato, é ser objeto de atenção do mercado interno. Os brasileiros que desejam conhecer o Rio e curtir esta Cidade Maravilhosa estão deixando de vir aqui por medo da violência, diante deste noticiário negativo e muitas vezes sensacionalista. Claro que nós temos problemas e temos que resolvê-los. Para isto, faço um alerta: não se pode ficar parado. É preciso unificar as ações dos governos municipal, estadual e federal em prol do turismo da cidade.A verdade é que, embora o nosso Rio padeça de problemas notórios (como segurança e notícias ruins), sazonalmente agudos, o fato é que vimos mais que sobrevivendo. Vimos crescendo. É o que denomino ´potencial mágico´ do Rio. Há muito mercado nesse segmento por explorar.

BGA: Que fatores poderiam contribuir com o fortalecimento da atividade turística no Rio?

OL: O turismo é, indubitavelmente, no setor de serviços, a nossa maior aptidão.E é esse o fundamento que legitimou o Rio como sede do Congresso da ABAV e do Fórum Mundial de Turismo.

O fato é que o turismo responde hoje por 5 por cento do PIB nacional, sendo vital para o enfrentamento do grande mal deste início de século: o desemprego. Neste sentido, o ideal é que todos os homens públicos (e a sociedade como um todo) tenham uma sólida consciência de defesa intransigente do turismo como fator de desenvolvimento da economia. Para isso, todas as forças políticas precisam acordar para a importância que tem o turismo para elevarmos socioeconomicamente o Brasil. Logo, o turismo merece tratamento positivamente suprapartidário.

BGA: Por que o srº sempre se mostrou interessado na defesa dos direitos dos deficientes físicos?

OL: Atuo firmemente em prol do Estado do Rio com o mesmo afinco com que introduzi na legislação municipal as pioneiras normas de ação afirmativa na proteção das pessoas com deficiência, coroando um trabalho que se desenrolava desde 1990, quando fui secretário de governo na prefeitura, época em que foi ativado decisivamente o Conselho de Pessoas Portadoras de Deficiência e realizadas as primeiras provas em Braille nos concursos públicos municipais.

BGA: Quais foram as razões para que tenha lançado o livro ´Desafio Político - 10 anos de trajetória´, em 2002?

OL: Minha atuação parlamentar reflete acentuado conhecimento dos assuntos e problemas da cidade do rio, algo sempre acompanhado de formulações de conteúdo eminentemente humanista, impregnadas de significativo alcance social.

Este livro é a expressão - através de leis, relatos e visões da sociedade - de um efetivo trabalho em prol da sociedade, digno de um sério e dedicado homem público.

BGA: O fato de ter sido batizado pelo ex-presidente da República, Juscelino Kubitschek, influenciou na sua opção pela carreira política?

OL: Não posso deixar de mencionar que tenho satisfação de ter sido batizado por JK e que este fato foi um acontecimento histórico para meu orgulho e para a minha cidade natal - Aracaju.

Sem querer reduzir a meras concepções empiristas, devo dizer que, no meu caso, a origem da participação política - meu avô foi senador e meu pai é ex-deputado - foi determinante, desde criança, como contribuição na minha formação de homem público. Isso significava participar, na mesa de casa, de almoços e jantares cujos cardápios eram temperados com o seguinte assunto: política nacional.

BGA: Tem algum projeto futuro?

OL: Serei candidato a deputado federal neste ano. Minha trajetória de homem público e de compromisso com o Rio me credencia a pleitear tal cargo. No Legislativo, exerci o cargo de vereador por três mandatos consecutivos (de 1992 a 2002) na Câmara do Rio e, na Assembléia Legislativa, um mandato de deputado estadual (2003 e 2004). Sou autor de 122 leis em vigor no Estado e no Município., além de ocupar hoje o cargo de vice-prefeito.

BGA: Qual é a importância de instituições, como a Bolsa de Gêneros Alimentícios, para a Cidade do Rio de Janeiro?

OL: A tradicional entidade, criada em 1951, transcende em importância os limites da Cidade por se manter sempre atualizada com o desenvolvimento da economia e do comércio do país.