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15/01/2017 | Jornal Extra

Uerj: Deputados discutem crise em universidade que formou alunos com carreira destacada

Por Luís Guilherme Julião e Pedro Zuazo

A crise na Uerj será debatida entre membros da bancada de deputados federais do Rio e a reitoria da universidade amanhã, de acordo com Wadih Damous (PT). Ex-aluno formado em Direito, ele mostra preocupação com a situação da 13ª melhor universidade do país, de acordo com o Ranking Universitário do jornal “Folha de S. Paulo’’.

— Na faculdade de Direito da Uerj, vivi os melhores anos da minha vida. (Essa situação) é uma agressão à autoestima de quem mora no estado do Rio. A Uerj, a exemplo do Maracanã, é um orgulho do povo do estado — lamenta.

Pioneira, em 2003, na instauração de um sistema de cotas no Brasil, a universidade formou alunos com longa carreira dedicada à vida pública. Além de Damous, o deputado Otavio Leite (PSDB-RJ) também fez o curso de Direito da Uerj e lembra que foi lá onde adquiriu o que considera mais precioso em sua formação.

Chegamos ao fundo do poço. Ou a universidade se organiza para obter receitas próprias, com prestação de serviços e consultoria à iniciativa privada, ou ficará numa dependência dramática das finanças públicas, que, como todos sabem, estão combalidas — sugere.

Criada em 4 de dezembro de 1950 como Universidade do Distrito Federal, a Uerj formou os ministros do Superior Tribunal Federal Luiz Fux e Luis Roberto Barroso e o ex-diretor do Instituto Nacional do Câncer Marcos Fernando Oliveira Moraes, entre outros, e, atualmente, tem quase 30 mil alunos distribuídos na graduação e pós.

Só que crise financeira não é novidade para a instituição. Nesses 66 anos de atividades, ela quase fechou as portas outras duas vezes, em 1964 e em uma crise que começou em 1986 e se arrastou até o início da década de 90, ambas por falta de dinheiro. O retorno às aulas estava previsto para terça-feira, mas foi adiado para o dia 23. Os professores vão se reunir na quarta-feira para uma assembleia que pode definir uma nova greve.

Em 1975, Roberto Carlos emocionou na concha acústica

Programação diversificada com palestras, shows, festivais, oficinas e apresentações já agitaram a concha acústica da Uerj e o Teatro Odylo Costa Filho, ambos no campus Maracanã. Em 2001, o arquiteto Oscar Niemeyer e o poeta e escritor Ferreira Gullar participaram da Bienal da União Nacional dos Estudantes (UNE) no local onde o Rei Roberto Carlos emocionou o público em 5 de dezembro de 1975, dia seguinte ao aniversário de 25 anos da instituição estadual.

O maestro Armando Prazeres, referência no mundo da música clássica, também encantou os espectadores em uma apresentação em 1987, e, em 2014, o Festival Varilux de Cinema Francês exibiu filmes ao ar livre no local.

No mesmo ano, a companhia de dança da aclamada bailarina Deborah Colker levou, ainda, uma apresentação de dança ao Teatro Odylo Costa Filho, que tem estrutura para receber uma ópera