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04/01/2012 | Jornal O Globo

Um basta no estresse aéreo em Jacarepaguá

Por Luiz Gustavo Schmitt

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) reconsiderou a decisão, anunciada em novembro, de não alterar as rotas das aeronaves que utilizam o Aeroporto de Jacarepaguá. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do departamento, que adiantou que as mudanças vão entrar em vigor a partir de março.

A medida vai ao encontro do pleito dos moradores que reclamam do excesso de barulho e de voos rasantes — principalmente de helicópteros a serviço da Petrobras — sobre os prédios da região.

O Decea explicou que uma nova carta de navegação aérea na Barra está sendo elaborada no Instituto de Cartografia da Aeronáutica (ICA), que fica no Terceiro Comando Aéreo Regional (3 Comar), no Centro do Rio. O Decea diz ainda que em fevereiro serão feitas reuniões com as tripulações das companhias aéreas que utilizam o terminal. O objetivo é esclarecer as alterações feitas nas rotas aéreas que estão em fase de estudo.

Segundo o Decea, o novo percurso, que pretende priorizar o voo em regiões pouco habitadas, tem duas opções de pouso. Na primeira, o piloto entraria na Barra pelo Quebra-Mar e passaria sobre as lagoas da Tijuca, Camorim e Jacarepaguá até fazer o procedimento de aterrissagem na cabeceira 20 do aeroporto, que fica em frente à Lagoa de Jacarepaguá. Na segunda, a aeronave viria pelo oceano e faria a manobra para o pouso na altura da Avenida Ayrton Senna, para descer na cabeceira dois da pista do terminal, que fica do lado oposto à lagoa. Este trajeto, porém, é semelhante ao que é feito atualmente, com a diferença de que a curva seria mais aberta, à esquerda, o que evitaria as áreas mais adensadas.

Para a decolagem, as opções seriam tanto no sentido do oceano, como na direção da lagoa, às margens da Avenida Ayrton Senna. A curva de manobra para os pilotos, à direita, no entanto, seria mais aberta, e mais uma vez seriam priorizadas as áreas com menos residências.

Atualmente, helicópteros e aviões utilizam o trecho, que fica entre a praia e o aeroporto, em linha reta, e sobrevoam a Avenida Ayrton Senna. Durante o trajeto, eles passam sobre condomínios como o Nova Ipanema e o Península, além do BarraShopping .

De acordo com o deputado federal Otavio Leite (PSDB), que articulou uma reunião entre os militares e os moradores da região no dia 12 de dezembro, os ruídos serão reduzidos sensivelmente para os residentes.

— O tempo de rota continuará o mesmo e o custo também não sofrerá alterações — afirma o deputado, que, em 2007, promoveu um abaixo-assinado e uma pesquisa contra a iniciativa do governo federal de criar voos comerciais regulares no Aeroporto de Jacarepaguá.

Leite alerta ainda que, com a exploração do pré-sal, será importante a criação de um novo terminal para atender aos voos de atividades off-shore.

— Talvez Guaratiba fosse uma região possível para se pensar num plano B ao Aeroporto de Jacarepaguá. A demanda tende a duplicar, já que a Petrobras, que utiliza mais da metade dos voos do aeroporto, vai precisar dele ainda mais — diz Leite.

A Infraero informa que o aeroporto vai receber este ano obras de melhorias de infraestrutura, como a elaboração de um projeto executivo de uma nova torre de controle; a troca de grades de captação pluvial do pátio e melhorias na infraestrutura de hangares.

A Petrobras informa que tem plano para construção de um heliporto (aeródromo dedicado a helicópteros ) na região de Itaguaí, onde a empresa já dispõe de terreno para esta finalidade.

Legenda da foto: Rotas de aeronaves, que passar perto de prédios da Barra, serão alteradas a partir de março

Foto: Eduardo Naddar