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13/11/2001 | Jornal do Brasil

Um lago para acabar com enchentes

Projeto da prefeitura pretende livrar Vargem Grande das inundações captando a água das chuvas para um lago artificial

A prefeitura planeja construir um lago artificial em Vargem Grande para captar as águas das chuvas e evitar enchentes no bairro. A idéia faz parte do Plano de Estruturação Urbana (PEU) da região, em elaboração na Secretaria Municipal de Urbanismo, e será encaminhado para a Câmara de Vereadores até o fim do mês.

O espelho dágua ocupará uma área de aproximadamente 4Km quadrados, 2/3 das dimensões da Lagoa Rodrigo de Freitas. É um recurso para manter a capacidade de drenagem no bairro, que tenderá a se reduzir conforme os terrenos que drenam as águas naturalmente forem sendo ocupados por novas construções.

Os investimentos para o projeto e do restante da infra-estrutura em saneamento - como implantação de iluminação e rede de águas pluviais - serão divididos com a iniciativa privada. No projeto, será proposto que o bairro seja o primeiro do Rio beneficiado pelo mecanismo do Solo Criado.

Trata-se de recurso previsto em lei federal - o Estatuto das Cidades - que permite promover alterações de gabaritos em determinados bairros, desde que os construtores paguem taxas em troca. ´Usaríamos o dinheiro apurado para investir nas obras em Vargem Grande´, explica o secretário municipal de Urbanismo, Alfredo Sirkis.

O plano que será apresentado aos vereadores prevê a redução dos gabaritos, que em algumas áreas chegam a até 12 pavimentos. Mas a área total construída por lote será maior do que a permitida hoje. Isto garantiria mais lucros para os construtores. O gabarito e a taxa de ocupação ideais ainda estão sendo discutidos pelos técnicos da prefeitura.

Atualmente, Vargem Grande é classificado como área agrícola, o que dificulta o crescimento do bairro. Pela lei atual, cada lote não pode ter menos do que 2 mil metros quadrados. ´A legislação em vigor se tornou um incentivo para o surgimento de favelas e loteamentos clandestinos e desencoraja as construtoras.

Atualmente, já temos cerca de 40 áreas em situação irregular na área´, diz o vereador Luiz Guaraná (PFL). Ele e os colegas Otavio Leite (PSDB) e Rodrigo Bethlem (PV) formaram uma comissão no legislativo que começa a discutir hoje, a expansão da área e bairros vizinhos, como Vargem Pequena, parte do Recreio dos Bandeirantes e Camorim.

Os empresários da construção civil, querem que a tramitação seja rápida. ´Vargem Grande e bairros vizinhos têm potencial de crescimento e são as próximas áreas de interesse da construção civil. A Zona Sul já está saturada enquanto que na Barra da Tijuca são poucos os terrenos disponíveis´, justifica Selmo Nissenbaum, presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi).