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29/06/2004 | Jornal do Commercio

Um parque florestal bem cuidado

Maior reserva florestal em área urbana no mundo, o Parque Estadual da Pedra Branca, na Zona Oeste do Rio, completa, nesta segunda-feira, 30 anos de existência. Se por um lado se comemora a implementação de melhorias – obras de infra-estrutura, recuperação paisagística e sinalização das trilhas –, por outro se tem a consciência de que ainda há muito o que fazer contra as ocupações irregulares, incêndios, exploração mineral e caça predatória.

O Instituto Estadual de Florestas (IEF), que administra os parques estaduais, informa que, apenas neste ano, houve 36 demolições de obras irregulares, número superior às 26 ocorrências registradas em áreas florestais de todo o Estado em 2003.

Ligado à Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano (Semadur), o IEF vem acompanhando o processo de municipalização do Parque, que tem como vizinhos os bairros de Bangu, Camorim, Jacarepaguá, Realengo e Vargem Grande. A Assembléia Legislativa do Estado do Rio aprovou, recentemente, projeto de lei do deputado Otavio Leite que autoriza a transferência da administração do Parque do Governo estadual para a Prefeitura do Rio.

Segundo o presidente do IEF, Maurício Lobo, trabalham no Parque 29 pessoas, entre as quais cinco guardas florestais, dez vigias e quatro patrulheiros. O número reduzido de funcionários, informou, deve ser ampliado em breve, com a contratação de 32 empregados terceirizados. Além de percorrer a área de florestas, fiscalizando a ocorrência de infrações, o grupo atua sob a coordenação da Divisão de Educação Ambiental. O trabalho é abrangente: percorrer o entorno dos 12,5 mil hectares do Parque para conscientizar a população a respeito dos cuidados com a preservação da floresta.

Diminui a perda de vegetação por queimadas

Os resultados são positivos. No ano passado, a reserva perdeu apenas 30 hectares em decorrência de queimadas, ao passo que, em 2002, a extensão de área verde consumida pelo fogo foi de 160 hectares. Os vilões mais comuns são os balões de festas juninas.

Entre as ações empreendidas pela administração está a distribuição de folhetos, com a simples, mas eficaz, mensagem: “Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndio nas florestas e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano, é crime, cuja pena varia de um a três anos de prisão”. O presidente do IEF informa que, no ano passado, houve apenas um incêndio provocado por queda de balão.

De julho a setembro (período de seca) os cuidados têm que ser redobrados. Como se não bastasse a profusão de balões no ar, os agricultores circunvizinhos às vezes perdem o controle das queimadas em suas áreas de cultivo, fatores que contribuem para a degradação ambiental do Parque, instituído em 1974. Outro fator negativo para a saúde ambiental do local são as invasões. As equipes de fiscalização realizam rondas freqüentes, à procura de construções irregulares.

– Fazemos notificações e mandamos paralisar a obras. Temos que agir quando as casas ainda não estão concluídas, caso contrário as pessoas se instalam. Para as que já estão terminadas, entramos na Justiça, pedindo a demolição.

A presença maior é de pessoas pobres, em vez dos grandes condomínios. No entorno, as obras dependem de licenciamento da Feema – afirma Lobo, que pretende agilizar a conclusão do Plano de Manejo do Parque. Com o documento, serão criadas as bases para solucionar os problemas de gerenciamento e zoneamento. Fazem-se necessários a demarcação dos limites, o controle do crescimento das ocupações e um plano fundiário para as encostas.

Com relação às empresas de mineração situadas no Maciço da Pedra Branca – ao redor do qual se situa o Parque –, algumas acabam confrontando com a área preservada. Segundo o presidente do IEF, a grande maioria está com as atividades paralisadas ou teve as licenças embargadas pela Feema, em atendimento a pedidos do próprio Instituto.

Lobo admite que muitos proprietários conseguem burlar a obrigatoriedade das compensações ambientais impostas pelo órgão regulador visando à recuperação das áreas degradadas. Ele prevê a criação de restrições quanto ao licenciamento da atividade mineradora.

Belezas naturais e ponto mais alto do município

Ainda que os problemas comprometam a beleza das paisagens, o local conserva atraentes atributos naturais como nascentes, cachoeiras, represas e uma grande biodiversidade. Os 125 quilômetros quadrados do Parque – criado por meio da Lei Estadual nº 2.377 – abrangem as encostas do Maciço da Pedra Branca, acima da cota de altitude de 100 metros.

Nele situa-se o ponto culminante do município, o Pico da Pedra Branca, com 1.024 metros de altitude. A área verde já havia servido, no século XIX, como fornecedora de espécies utilizadas no reflorestamento da Floresta da Tijuca, por ordem de D. Pedro II. Levantamentos feitos pelo IEF dão conta de que existem 218 espécies vegetais no Parque, além de 180 de aves, 38 de répteis e 12 de anfíbios.

Para os visitantes, há dois núcleos: o do Pau da Fome e o de Camorim. No ano passado, no Dia Mundial do Meio Ambiente, Foi inaugurado o projeto de revitalização. Com investimentos de cerca de R$ 3 milhões – conseguidos graças ao licenciamento ambiental da termelétrica Eletrobold (Seropédica) – o Parque ganhou centro de visitantes, núcleos de prevenção a incêndios florestais, exposição permanente sobre a fauna e a flora locais. Neste ano, serão investidos R$ 1,25 milhão na conclusão do Plano de Manejo, identificação de trilhas, sinalização, contratação de guardiães e regularização fundiária.

O presidente do Instituto Estadual de Florestas, Maurício Lobo, se surpreende com o fato de a reserva ainda ser pouco conhecida pela população do Estado, ao contrário do que ocorre com o Parque Nacional da Tijuca. Ele acredita que a distância das áreas centrais da cidade e a dificuldade de acesso são fatores que contribuem para a baixa procura dos turistas.

O Núcleo do Camorim tem como principal chamariz a programação de educação ambiental. Além de uma nova subsede e da criação de áreas de lazer, instalou-se, no local, sinalização interpretativa do sistema de captação e tratamento de água.

Fez-se também a recuperação paisagística e a sinalização direcional. Instrutores recebem crianças e jovens do ensino fundamental e médio para palestras sobre temas como poluição e escassez das águas, importância ecológica e econômica dos rios, história das mananciais do Parque e suas estações de captação. Para completar, os visitantes podem admirar a cachoeira e o açude.

Caminhada ecológica comemorativa do aniversário

No Núcleo Pau da Fome (Estrada do Pau da Fome, nº 4.003, Taquara), que fica aberto à visitação das 8h às 17h, de terça a domingo, há o Centro de Exposições (funciona após às 9h), os Núcleos de Prevenção a Incêndios Florestais e de Educação Ambiental e Pesquisa, lanchonete, lojinha e anfiteatro. Podem-se fazer caminhadas livres ou guiadas e aproveitar a Trilha Rio Grande, com 800 metros de extensão e baixo nível de dificuldade.

Em comemoração aos 30 anos do Parque, haverá uma caminhada ecológica, neste domingo, a partir das 9h, para adultos e crianças maiores de 12 anos. A concentração será no Núcleo Camorim (Estrada do Camorim, s/nº, Jacarepaguá), com entrega de brinde e lanche a 90 participantes. Os que não conseguiram se inscrever a tempo podem aproveitar as atrações do Pau da Fome.

– Convidamos a todos para que, mesmo não participando da caminhada, visitem o núcleo Pau da Fome do Parque, onde há exposição permanente sobre a fauna e a flora da região, além da trilha Rio Grande, o bromeliário e o minhocário – sugere Lobo.

Nesta segunda-feira, dia em que se comemora oficialmente o aniversário do Parque, haverá oficina de pintura com 30 alunos da Escola Municipal Francis Hime. Às 9h haverá caminhada ecológica na Trilha Rio Grande. À tarde (após às 13h30m), será feita a montagem do Varal Ecológico (exposição dos trabalhos). A partir das 14h, mais comemorações pelas três décadas de existência do Parque que.

Como chegar, a partir da Zona Sul

Quem quiser comemorar o aniversário do Parque no Núcleo do Pau da Fome, a partir da Zona Sul ou Barra da Tijuca, deve seguir pela Avenida das Américas em direção ao Barra Shopping e entrar na Avenida Ayrton Senna, mantendo-se na pista da direita. Após a ponte, fazer o retorno, pegar a Avenida Abelardo Bueno e entrar à direita, na Estrada Arroio Pavuna, até a Estrada dos Bandeirantes.

Após alcançar a Estrada do Tindiba e chegar à Avenida Nelson Cardoso, deve entrar na Rua Apiaçás,após passar pelo posto, até chegar à Estrada do Rio Grande, que vai dar no Largo da Capela. Dali, deve seguir pela estrada do Pau da Fome direto, durante uns 10 minutos, até chegar à entrada da sede no Núcleo.