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14/01/2009 | Jonal O Fluminense

União em torno de Temer

Um encontro em torno da candidatura de Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Câmara dos Deputados, reuniu ontem (13/1) na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), no Centro do Rio, 27 dos 46 deputados federais que compõem a bancada fluminense. O governador Sérgio Cabral Filho e o prefeito do Rio, Eduardo Paes também estiveram presentes. O governador enalteceu as qualidades do candidato, que é o presidente nacional do partido.

"Michel Temer tem a capacidade de unir as pessoas, de ouvir cada um e valorizar aqueles que já ocuparam seu espaço no mundo político e aos que entram nesse mundo. O deputado tem a marca da inteligência, da vivacidade, dos compromissos mais importantes com a nação", manifestou Cabral, que completou sua fala ressaltando o prestígio que Temer tem conquistado junto à bancada fluminense.

"O prefeito e o governador não votam, mas estão aqui para bater palmas aos parlamentares federais do Rio de Janeiro por esta opção inteligente que estão fazendo", completou Cabral.

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Petróleo de Maricá, Aleksander Santos (PR), um dos organizadores do evento, considerou positiva a adesão da bancada fluminense.

"Conseguimos a participação de mais da metade dos deputados, mesmo sendo período de recesso parlamentar", disse Santos, que é também presidente da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil (ADVB).

Também participaram da organização os deputados federais Eduardo Cunha (PMDB), Otavio Leite (PSDB) e Brizola Neto (PDT).

Entre os presentes estiveram os peemedebistas Alexandre Santos, Bernardo Ariston, Fernando Lopes, Leonardo Picciani, Nélson Bornier e Solange Almeida.

As bancadas dos partidos aliados foram representadas ainda por Hugo Leal (PSC), Miro Teixeira (PDT), Cida Diogo (PT) e Jorge Bittar (PT).

Alianças – Em dezembro, as bancadas do PV, PTB, PSDB, PPS e DEM declararam apoio a Temer. Em nota oficial, os líderes dos três últimos partidos afirmaram que a melhor maneira de fortalecer o Parlamento é seguir a proporcionalidade partidária na ocupação dos cargos da Mesa Diretora. De acordo com esse critério, a presidência da Câmara cabe ao partido de maior bancada, no caso, o PMDB.

"Como o PMDB indicou o Michel Temer, achamos por bem apóia-lo", esclareceu o deputado Otavio Leite. "Além disso, ele apresenta, sem dúvida nenhuma, estatura para administrar a Casa", acrescentou o tucano.

O parlamentar do PSDB afirmou ainda que a opção do partido foi por garantir a autonomia do Legislativo.

"O mais importante foi que ele (Michel Temer) garantiu que trabalhará em defesa dos interesses da Câmara dos Deputados", finalizou Otavio Leite.

Preferido de Lula

Para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o cenário ideal seria ter as presidências das duas Casas do Congresso divididas entre os dois partidos aliados, com o PMDB no comando da Câmara, com Michel Temer (SP), e o PT na do Senado, com Tião Viana.

Entretanto, a possibilidade da entrada de José Sarney (PMDB-AP) na disputa pela presidência do Senado pode mudar este quadro. Em razão disso, Lula decidiu se ocupar nesta e na próxima semana das discussões em torno da eleição no Congresso.

No caso do Senado, tratará do assunto diretamente com o senador José Sarney (PMDB-AP). Segundo o ministro de Relações Institucionais, José Múcio, Lula só discutirá o assunto após conversar com Sarney sobre sua disposição de se candidatar à Presidência do Senado.

A princípio, o senador manifestou o desejo de não entrar na disputa, porém, há rumores de que já veria com simpatia a idéia. A candidatura de Sarney provocaria mudanças no cenário dos partidos da base aliada do governo, já que hoje o PT apóia o senador Tião Viana (AC) para o Senado.

"Primeiro é preciso ouvir dele (Sarney) se realmente mudou (de idéia). A princípio, ele dizia que não era pensamento dele (se candidatar à Presidência do Senado), mas vários interlocutores que têm estado com ele dizem que há um novo movimento", disse Múcio.

Na hipótese de uma candidatura de Sarney, Múcio diz que caberá a Lula tomar qualquer decisão em relação a Tião Viana. O ministro não quis comentar a possibilidade de Viana ser contemplado com cargo no Executivo no caso da candidatura de Sarney com apoio do Planalto.

"Primeiro vamos ver o que vai acontecer", limitou-se a dizer.

Entretanto, Múcio ressaltou que, antes de qualquer conversa de Lula com Sarney, o apoio a Viana está mantido.

"Nosso candidato continua sendo Tião Viana".

Questionado sobre possível desequilíbrio de forças, caso o PMDB fique na Presidência das duas Casas, Múcio disse que não se pode deixar nenhum dos dois partidos em situação incômoda e que Lula irá conversar também com o presidente do PT, deputado RicardoBerzoini (SP).