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08/12/2004 | Jornal O Fluminense

Universidades terão intérprete para deficientes

A Assembléia Legislativa do Rio derrubou o veto a um projeto que obriga as duas universidades públicas estaduais a se adaptarem para receber estudantes auditivos. A proposta é que as instituições ofereçam intérpretes que utilizem a língua brasileira de sinais (Libras) para garantir a compreensão dos alunos.

Aprovado na Alerj em abril, o projeto foi vetado pela governadora Rosinha Matheus (PMDB), que alegou não haver recursos. Mas os deputados derrubaram o veto no mês passado. Agora o assunto volta para a análise da governadora.

Os intérpretes trabalharão tanto com os candidatos ao vestibular, explicando as questões da prova, quanto com os aprovados, traduzindo as aulas. ´Os deficientes auditivos não têm o mesmo entendimento da língua portuguesa que nós temos´, afirma a deputada Georgette Vidor (PPS), autora do projeto com o deputado Otavio Leite (PSDB).

A falta de tradução é um dos fatores de exclusão dos deficientes auditivos do ensino superior. ´Estamos negando a essas pessoas uma capacitação profissional´, critica Georgette.

Procurada pela reportagem, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) não se manifestou. O pró-reitor de graduação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Alamy Junior Cordeiro de Carvalho, elogiou a lei e lembrou que há uma outra, federal, segundo a qual os portadores de necessidades especiais têm direito ao ensino superior.

Carvalho contou que, no último concurso apareceu apenas um candidato às cotas para deficientes. Era um rapaz com deficiência auditiva, que foi aprovado e está freqüentando as aulas, mesmo sem a ajuda de um intérprete.

O acesso ao mercado de trabalho também é difícil para quem não escuta, mas existem iniciativas para mudar o quadro. A Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis) já conseguiu colocação para 520 deficientes, graças a convênios com empresas públicas e privadas.