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09/01/2009 | Agência Estado

Vale pode comprar prédio do Meridien, que pertence à Previ

A Vale lidera a disputa entre, pelo menos, 12 propostas pelo Hotel Meridien, na zona sul do Rio, prédio colocado à venda por seu proprietário, a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, também um dos controladores da própria Vale. Mas, a intenção da mineradora de transformar o imóvel em sede administrativa encontra impedimento legal e resistência de entidades do turismo e dos governos municipal e estadual do Rio. Os valores do negócio não são divulgados. O prédio, que sempre funcionou como hotel, foi comprado pela Previ por R$ 42 milhões, em 1995. Desde julho de 2007, está fora de operação.

Na década de 70, quando foi construído, o Meridien teve autorização para exceder o gabarito imobiliário da região, na orla entre o Leme e Copacabana, porque os donos originais assinaram um acordo para mantê-lo como hotel. O decreto municipal 3.800/70, que autorizou a construção de 38 andares, a despeito de a legislação urbana determinar o máximo de 25 pavimentos na região, também viabilizou a abertura de outros hotéis, como o Othon Palace e o Sofitel, localizados em Copacabana, lembra Carlos Balbino Figueira, ex-sócio da Amira Indústria e Comércio, que junto com a Sisal imobiliária foram os investidores e primeiros proprietários do Meridien. "A licença para a construção do edifício e o seu alvará foi para explorar a hotelaria.

Não tem nada a ver transformar o Meridien em escritório", afirmou Figueira. O fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), proprietário do imóvel e acionista da Vale, informou que contratou a Newmark Knight Frank para ser o advisor da negociação. De acordo com a Previ, ainda não há nenhuma definição quanto à utilização do imóvel, pois as propostas incluem arrendamento, gestão e venda. O fundo de pensão não divulga nomes dos concorrentes e não confirma o interesse da Vale, mas além da mineradora, é certo no mercado que grupos como o espanhol Iberostar e a rede americana Starwood são alguns dos proponentes.

A Previ informou que o próximo passo da negociação é a escolha de uma "proposta vinculante". Nesta fase, conforme o fundo de pensão, escolhe-se as melhores ofertas que passam por ajustes de avaliação e valor. A Vale informou que não se pronuncia sobre o assunto. A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ) planeja entrar na Justiça, caso a Vale vença a disputa. "O Meridien não poderá ser, em hipótese alguma, escritório comercial. Se isso acontecer, vamos entrar com uma ação no Ministério Público contra a Previ", afirma o presidente da ABIH-RJ, Alfredo Lopes.

O secretário municipal de Urbanismo do Rio, Sérgio Dias, diz que o governo estadual e municipal do Rio já se reuniu com o presidente da Previ, Sérgio Rosa, para mostrar posição contrária à utilização do prédio do antigo Meridien como sede administrativa. "Estamos oferecendo à Vale um local privilegiado, no Porto do Rio, que vai ser o local mais qualificado da cidade. A Vale pode ser a grande âncora do novo porto", afirmou Dias. O deputado federal Otavio Leite (PSDB-RJ) disse que a comissão de turismo da Câmara defende a utilização do prédio apenas como hotel. "Qualquer um que queira implantar um escritório tem de ter consciência que vai ser uma via crúcis. Há uma unanimidade contrária a um escritório ali. Há também um impedimento legal", afirmou.