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10/06/2015 | Agência Senado

Votação da MP do Futebol é adiada e parlamentares falam em “boicote”

Por Guilherme Oliveira 

A comissão mista que avalia a MP 671/2015 (MP do Futebol, que refinancia dívidas de clubes) teve que adiar sua reunião pelo segundo dia consecutivo, novamente por falta de quórum. O colegiado votaria nesta quarta-feira (10) o relatório do deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), que estava em pauta desde a terça (9).

O novo adiamento causou irritação entre os membros que compareceram. O presidente, senador Sérgio Petecão (PSD-AC), lamentou que a participação maciça durante as sete audiências públicas promovidas pela comissão não tenha se repetido nesta semana, além de considerar o baixo quórum como um “desrespeito” ao trabalho de Otavio Leite.

Mais ríspido, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) falou em “boicote” ao relatório e acusou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que é muito crítica à MP, de estar orquestrando o esvaziamento da comissão. Ele também criticou a atitude dos colegas que faltaram às reuniões.

- Temos que dar nome aos bois. Quem está mandando aqui é o senhor [Marco Polo] Del Nero [presidente da CBF]. É a atuação dessa entidade corrupta, dirigida há até pouco tempo por um senhor que está atrás das grades e dirigida hoje por um discípulo dele. É humilhante que representantes do povo se prestem a esse papel.

O senador Zezé Perrella (PDT-MG) fez coro a Randolfe e lembrou que existe na Câmara dos Deputados um projeto mais antigo de refinanciamento das dívidas dos clubes que é, segundo ele, mais agradável à CBF. Perrella afirmou que é também é contrário à MP, mas que prefere o debate aberto.

— A coisa é muito mais séria do que estamos imaginando. Existe um trabalho em curso para que a MP caia e que se vote um projeto que atenda os interesses da CBF. Espero que possamos reverter esse quadro e aprovar a MP, que não é perfeita, mas tudo a gente pode resolver.

Responsável pela criação da CPI da CBF, o senador Romário (PSB-RJ) disse não estar surpreso com a articulação feita para impedir a votação da MP. Segundo ele, toda iniciativa que conferir responsabilidades à entidade máxima do futebol brasileiro “não irá para frente” no Congresso, graças à atuação do grupo de parlamentares que defendem os interesses da instituição.

— A defesa da CBF neste Congresso é a defesa do que é ruim, atrasado, negativo e imoral para o nosso futebol. Esses que fazem parte da bancada da CBF têm que ter consciência de que a ausência deles neste momento está atrasando o futebol brasileiro.

Uma nova reunião foi marcada para a próxima terça-feira (16), às 14h30. O relator Otavio Leite já adiantou que abandonou seu plano original de colocar em debate uma versão preliminar do relatório e que apresentará o texto definitivo, para ser apenas votado. Ele disse que não é o caminho ideal, mas que a comissão não pode correr o risco de perder os prazos da MP, que vence no dia 17 de julho.

— Eu esperava extrair ideias e sugestões, de forma aberta, com vistas ao aprimoramento do texto, mas é preciso dar sequência. A matéria é imprescindível como um marco zero. Não podemos perder uma chance única de moralizar o futebol brasileiro.

Na foto, Otavio Leite conversa com o senador Sérgio Petecão (Marcos Oliveira/ Agência Senado)