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21/09/2012 | Jornal O Dia

'Vou governar com os melhores nomes do Rio'

Rio - O tucano Otavio Leite não chega a ser um estranho na prefeitura do Rio, que sonha conquistar. Já foi vice de Cesar Maia, a quem hoje critica por ter passado o último mandato "na solidão de um computador, no canto de uma sala". O jeito de bom moço não o impede de bater também no prefeito Eduardo Paes: “Ele não fez a Cidade da Música por picuinha política.” Aos 51 anos, Otavio garante que está maduro para o cargo e promete resolver problemas crônicos da cidade e torná-la acessível aos portadores de deficiência. Ontem de manhã, ele foi o primeiro dos candidatos a se submeter a uma sabatina de jornalistas na redação do DIA.

O DIA: Por que o senhor quer ser prefeito do Rio?

OTAVIO: – Queremos quebrar essa trilogia do atual prefeito: asfalto, tijolo e cimento. As pessoas têm que vir em primeiro lugar. É preciso corrigir rumos para pavimentar um futuro melhor para as pessoas. Isso se faz com educação de qualidade e não um arremedo, que vivemos hoje, com precariedades, nível de evasão grande, analfabetismo funcional inaceitável. E ter a atividade econômica como fator de geração de emprego e renda. Esses dois eixos são as vertentes principais da construção de um mundo melhor no Rio. As pesquisas ainda apontam a Saúde como principal problema, pela falta de médico. Eu quero ser prefeito para melhorar muito as condições desses serviços. Serei um democrata governando com os melhores nomes do Rio, propositivo, com fácil interlocução. Estou maduro, vivido, experimentado para o desafio. Fui vereador três vezes, deputado estadual, vice-prefeito, estou no meu segundo mandato como deputado federal. Sou um social democrata e, com esses fundamentos, quero ser o prefeito.

O senhor foi vice de Cesar Maia e diz que tinha uma “caneta vazia”, mas o apoiava. Qual balanço o sr. faz da Era Cesar Maia e por que não estão mais juntos?

A caneta de fato foi me dada vazia. Tive uma relação protocolar com Cesar Maia. Apresentei algumas ideias, como a da primeira secretaria para a pessoa com deficiência no Brasil. Ele é interessado nos assuntos da cidade, mas no último governo ele ficou na solidão de um computador, no canto de uma sala, no prédio da prefeitura, dialogando pouco com as pessoas. Ele deixa uma marca de preocupação com o servidor, importante na estrutura pública. Mas me parece uma página virada. Pode contribuir como vereador, mas seu estilo, seus métodos já foram testados, vividos e ficaram apenas como algumas letras na história do Rio.

O senhor é contra derrubar o Elevado da Perimetral e a construção do túnel.Como o dinheiro da Parceria Público-Privada é engessado, só pode ser usado no Porto, com quais obras o sr. gastaria R$ 1 bilhão?

Esse dinheiro todo é proveniente de um financiamento da Caixa Econômica Federal, que tirou recursos do FGTS. Nunca antes na história desse país, recurso do FGTS se prestou à derrubada de viadutos. O elevado foi construído em 1974, com recursos federais. Hoje custaria uns R$ 600 milhões. Então, além de R$ 1,5 bilhão para derrubar e fazer o túnel, outros R$ 600 milhões serão jogados fora porque o país gastou no elevado, uma artéria fundamental, 10 mil veículos passam diariamente. O bonito e o belo têm que ser procurados, todos os prefeitos quiseram demolir a Perimetral, mas não resistiram a três minutos de uma equação custo benefício. O elevado tem que ser incorporado ao projeto com um belo tratamento estético, um projeto com concurso público, muitas luzes, fazendo uma obra de arte para sair em qualquer revista de arquitetura do mundo. Para revitalização da região, eu faria ali um núcleo de atividade de petróleo, com edifícios de alta segurança e tecnologia. Geraria muito emprego e renda. Ampliaria os gastos em habitação popular, expandiria para o Caju, habitação próxima do trabalho. Não seria difícil redirecionar os recursos. Gastar tudo em um projeto único é insensatez. Eu faria também uma grande unidade de emergência, um centro de formação de professores. É mera questão de diálogo. A atração dos empresários para erguer prédios ali, implantar empresas. É pelo valor do metro quadrado, o potencial econômico do Porto Maravilha não terá nenhum tipo de prejuízo.

O senhor tem planos para alterar as regras de aposentadoria dos futuros servidores para garantir os atuais pagamentos?

Esse é o drama de todo ente público. A cidade tem muitos ativos que poderiam ser transferidos para lastrear a aposentadoria, FunPrev. É uma dívida da cidade com os servidores e o que eu pudesse transferir de ativo para lastrear isso, eu estaria poupando em necessidades de contribuições maiores no futuro. Então, de antemão, eu não alteraria. Nós vamos combater essa farra do consignado, que asfixia os servidores. Ele pode ser útil às pessoas. Vamos fazer uma licitação e o critério será da instituição financeira que oferecer menos juros para quitar as dívidas dos servidores, quem oferecer mais vantagens ao servidor. A competição vai botar os juros lá embaixo. Esse modelo não tem cabimento, foi implantado errado desde a época do Cesar Maia, e nós precisamos corrigir.

Como o sr. explica o desgaste do PSDB, que só tem duas vereadoras e uma delas, a Andrea Gouveia Vieira, apoia Marcelo Freixo (Psol)? Governar sem apoio não seria difícil?

O partido nos últimos 12 anos se equivocou ao não ter candidato a prefeito. Partido existe para disputar eleições e apresentar propostas. Isso enfraqueceu aqui uma legenda que governa a metade dos brasileiros. Quanto ao aspecto isolado da vereadora, não é problema meu, mas do candidato que ela apoia. Eu fui escolhido em todas as instâncias e homologado na Executiva Nacional por unanimidade. Então, é iniciativa meramente isolada. Não vejo nenhuma dificuldade. Águas passadas não movem moinhos. O que importa é daqui para a frente.

A Cidade da Música já consumiu mais dinheiro do que a construção do Elevado da Perimetral e não serve nem para turista tirar foto. O que o senhor faria com o prédio?

A manutenção dela custa R$ 30 milhões anuais. Faremos uma licitação internacional aberta a todos que trabalham com programação erudita, organização de grandes eventos de cultura. Quem ganhar vai geri-la por 25, 50 anos, e nós vamos poupar e aplicar esse dinheiro em um grande centro popular de cultura na Zona Oeste, que vai se chamar Tom Jobim, e em pequenos núcleos de cultura nas zonas Norte e Oeste. A informação que se tem é que a Cidade da Música está praticamente pronta. Eu teria feito essa licitação no início do governo do Eduardo Paes. Ele já deveria ter colocado para funcionar há muito tempo, mas, por picuinha política ... essa que é a verdade. A discussão se ela é válida ou não já não cabe mais. Eu teria feito com PPP em outra área da cidade, mas ela está pronta, concluída. É necessário colocar para funcionar.

O senhor e o Freixo têm vices cadeirantes. Por que o eleitor deve considerar que essa bandeira é sua?

Apresento na causa um conjunto de iniciativas como parlamentar. O prefeito cortou as verbas para instituições de deficientes durante oito meses. Denunciei na TV, ele entrou na Justiça, e o tribunal me deu ganho de causa porque falei uma verdade. Respeito a luta pelos direitos humanos do deputado Freixo. Mas ele é mais ligado ao sistema prisional, não tenho registro dele nem do Marcelo Yuka (vice do Psol), a quem respeito, nessa bandeira dos deficientes. O Dr. Geraldo Nogueira, meu vice, tem essa causa. É conselheiro da OAB, presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência e preparado até para ser prefeito. Só 9% das nossas calçadas são adaptadas. Vamos revolucionar.

O senhor tem dito que vai colocar o segundo professor na sala de aula. Quais investimentos deixarão de ser feitos para isso?

Uma professora para 40 alunos não dá conta do recado, de ter a disciplina, a organização, a atenção individualizada. Emergencialmente, vamos abrir concurso para 2 mil professores em 2 mil salas. Isso daria uns R$ 60 milhões num orçamento de R$ 4 bilhões, facilmente absorvido. Num estágio posterior, teríamos mais 2 mil salas, com um professor para cada 15 ou 20 alunos, o ideal. A cidade tem recursos.

O senhor fala em uma faculdade de Medicina da Zona Oeste. Que garantias teria que o médico permaneceria lá, já que poderá arranjar emprego em qualquer lugar?

Ao lado do Hospital Pedro II tem um terreno do município. Custaria uns R$ 30 milhões construir uma bela faculdade de Medicina. Vamos fazer uma licitação — todas as faculdades poderão entrar —, oferecer 100 vagas e custear bolsa de 100 vagas. Isso daria R$ 5 milhões por ano, temos verba. Quem quiser fazer o vestibular assina um contrato se comprometendo a retribuir, por dois anos, em hora-atendimento para a população que financiou o privilégio de uma faculdade gratuita. Vamos criar oportunidade para os jovens da Zona Oeste serem seus médicos. Não há cidade do mundo com 1,7 milhão de pessoas sem faculdade de Medicina.

O senhor admitiu ter esquecido de pôr no seu plano o problema das vans. O senhor não as considera uma opção de melhoria no sistema de transporte, que é tão deficitário, principalmente na Zona Oeste?

Tratei de uma forma genérica no plano de governo, né? Transporte é sistema. Cada um cumpre seu papel: Metrô, ônibus, trem, BRT, vans. Vamos fazer a licitação individualizada com um percurso definido, GPS para fiscalizar se está cumprindo o papel de facilitar a mobilidade. Vou prestigiar taxistas e mototaxistas, também.

Agradecemos sua presença. Faça, por favor, suas considerações finais.

Esqueci de falar algo muito grave, o crack. Ele não entorpece, mata. Os abrigos, hoje, não funcionam. Precisa haver atividade laboral, reconectar laços familiares e investir. Os R$ 160 milhões que a prefeitura investiu em publicidade poderiam ser alocados no combate ao crack. Vamos apoiar as iniciativas vitoriosas da Igreja Católica e das evangélicas na recuperação dos dependentes químicos. Quero empreender essa cruzada para debelar o crack, convocando a sociedade e aumentando a estrutura pública contra esse mal. Vamos ter um choque de transparência. Os hospitais terão um portal específico onde o cidadão poderá conhecer tudo o que foi feito. Vamos abrir a caixa-preta da prefeitura. Eu queria agradecer imensamente a iniciativa do DIA. Muito obrigado a vocês.

'Cruzada para debelar o crack'

O senhor e o Freixo têm vices cadeirantes. Por que o eleitor deve considerar que essa bandeira é sua?

Apresento na causa um conjunto de iniciativas como parlamentar. O prefeito cortou as verbas para instituições de deficientes durante oito meses. Denunciei na TV, ele entrou na Justiça, e o tribunal me deu ganho de causa porque falei uma verdade. Respeito a luta pelos direitos humanos do deputado Freixo. Mas ele é mais ligado ao sistema prisional, não tenho registro dele nem do Marcelo Yuka (vice do Psol), a quem respeito, nessa bandeira dos deficientes. O Dr. Geraldo Nogueira, meu vice, tem essa causa. É conselheiro da OAB, presidente da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência e preparado até para ser prefeito. Só 9% das nossas calçadas são adaptadas. Vamos revolucionar.

O senhor tem dito que vai colocar o segundo professor na sala de aula. Quais investimentos deixarão de ser feitos para isso?

Uma professora para 40 alunos não dá conta do recado, de ter a disciplina, a organização, a atenção individualizada. Emergencialmente, vamos abrir concurso para 2 mil professores em 2 mil salas. Isso daria uns R$ 60 milhões num orçamento de R$ 4 bilhões, facilmente absorvido. Num estágio posterior, teríamos mais 2 mil salas, com um professor para cada 15 ou 20 alunos, o ideal. A cidade tem recursos.

O senhor fala em uma faculdade de Medicina da Zona Oeste. Que garantias teria que o médico permaneceria lá, já que poderá arranjar emprego em qualquer lugar?

Ao lado do Hospital Pedro II tem um terreno do município. Custaria uns R$ 30 milhões construir uma bela faculdade de Medicina. Vamos fazer uma licitação — todas as faculdades poderão entrar —, oferecer 100 vagas e custear bolsa de 100 vagas. Isso daria R$ 5 milhões por ano, temos verba. Quem quiser fazer o vestibular assina um contrato se comprometendo a retribuir, por dois anos, em hora-atendimento para a população que financiou o privilégio de uma faculdade gratuita. Vamos criar oportunidade para os jovens da Zona Oeste serem seus médicos. Não há cidade do mundo com 1,7 milhão de pessoas sem faculdade de Medicina.

O senhor admitiu ter esquecido de pôr no seu plano o problema das vans. O senhor não as considera uma opção de melhoria no sistema de transporte, que é tão deficitário, principalmente na Zona Oeste

Tratei de uma forma genérica no plano de governo, né? Transporte é sistema. Cada um cumpre seu papel: Metrô, ônibus, trem, BRT, vans. Vamos fazer a licitação individualizada com um percurso definido, GPS para fiscalizar se está cumprindo o papel de facilitar a mobilidade. Vou prestigiar taxistas e mototaxistas, também.

Agradecemos sua presença. Faça, por favor, suas considerações finais.

Esqueci de falar algo muito grave, o crack. Ele não entorpece, mata. Os abrigos, hoje, não funcionam. Precisa haver atividade laboral, reconectar laços familiares e investir. Os R$ 160 milhões que a prefeitura investiu em publicidade poderiam ser alocados no combate ao crack. Vamos apoiar as iniciativas vitoriosas da Igreja Católica e das evangélicas na recuperação dos dependentes químicos. Quero empreender essa cruzada para debelar o crack, convocando a sociedade e aumentando a estrutura pública contra esse mal. Vamos ter um choque de transparência. Os hospitais terão um portal específico onde o cidadão poderá conhecer tudo o que foi feito. Vamos abrir a caixa-preta da prefeitura. Eu queria agradecer imensamente a iniciativa do DIA. Muito obrigado a vocês.

Sabatina com Fernando Molica, Aziz Filho, Rozane Monteiro, João Antônio Barros, Alessandra Horto e Daniele Maia

Foto: Fernando Souza / Agência O Dia